terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Enquanto Alinne Moraes e Rafael Cardoso esbanjam química em "Além do Tempo", Lívia e Felipe honram o título da novela das seis

A principal característica de "Além do Tempo" é a presença de duas fases completamente distintas, com longa duração cada uma. A primeira se passou no século XIX, por volta de 1895, e a atual se passa no século XXI, em 2015. E um dos grandes motivos para a transição de fase é justamente o casal protagonista, composto por Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), cujo amor atravessa o tempo. Ou seja, se o par não funcionasse, a história fatalmente naufragaria. Mas funcionou.


A clássica história do amor de outras vidas, desta vez, foi contada de forma diferente, mantendo a essência folhetinesca. Ao contrário do que sempre costuma ocorrer em obras espíritas ---- através de flashbacks inseridos durante a história, quase sempre frutos de regressões ----, a vida passada do casal foi contada, na íntegra, ao longo de 87 capítulos na primeira fase e sem final feliz. Tudo para que o novo ciclo do amor pudesse ser reiniciado com o público já sabendo de todos os meandros daquele romance.

E a estratégia ousada de Elizabeth Jhin foi muito benéfica para a novela, que nada mais é do que duas obras em uma. Já a imensa química entre os atores e a ótima construção dos personagens foram vitais para que tudo funcionasse e conquistasse o telespectador. Até porque um dos maiores desafios para um autor hoje em dia é justamente conseguir criar um casal principal que empolgue e desperte torcida do público.
É bem mais comum os vilões ganharem popularidade e dominarem as atenções, do início ao fim do folhetim, enquanto os mocinhos ficam deixados de lado, muitas vezes despertando a antipatia da audiência.

Só que no caso de "Além do Tempo" por mais irônico que pareça, aconteceu o que tinha que ocorrer em toda novela: a história de amor do casal principal é o principal atrativo do enredo. Tanto que as cenas mais românticas e delicadas são as protagonizadas por Lívia e Felipe. Todos os momentos dos dois na primeira fase foram lindos, principalmente os da reta final da trama ambientada no século XIX. O emblemático momento em que o 'príncipe' leva a sua 'princesa' em seu cavalo, deixando todos os convidados de sua suposta festa de casamento com Melissa (Paolla Oliveira) chocados, foi belíssima e representou os contos de fadas.

Já a forte e bem dirigida cena em que Felipe enfrenta Pedro (Emílio Dantas), e logo depois se desespera ao ver Lívia sendo jogada no penhasco por Melissa, despertou ainda mais torcida pelos mocinhos e ódio pelos vilões. E a sequência seguinte ---- quando o Conde foi assassinado pelo rival, caindo morto no rio e sendo abraçado pela neta da Condessa Vitória (Irene Ravache), que opta em morrer com ele ---- fez aumentar a ansiedade pelo reencontro dos mocinhos na outra vida, que começou a ser contada 120 anos depois, a partir de uma troca de olhares em uma estação de metrô.

E se teve algo que não foi alterado com a mudança de fase foi a sintonia dos protagonistas. A intensidade do sentimento continua a mesma, assim como a química dos atores. Aliás, curiosamente, quase todos os demais personagens sofreram alterações através de novos arranjos familiares, mas eles mantiveram os vínculos: a mocinha continua sendo filha de Emília (Ana Beatriz Nogueira) e neta de Vitória, enquanto o mocinho segue sendo 'sobrinho' de Vitória --- foi casada com seu tio. Só que agora ela não é filha de Bernardo (Felipe Camargo) e ele é filho de Zilda (Nívea Maria).

A escalação de Alinne Moraes e Rafael Cardoso foi acertadíssima e os dois honram o posto de protagonistas. Os dois crescem em cena quando estão juntos e as trocas de olhares funcionam como um complemento perfeito para os momentos românticos do casal, que não consegue lutar contra o sentimento que atravessa o tempo. É um prazer ver Alinne de volta às novelas (a última foi "O Astro", em 2011) interpretando uma ótima mocinha, que não tem nada de pedante ou cansativa. Já Rafael está muito bem na pele de Felipe e seu último grande desempenho havia sido em "A Vida da Gente" (2012), vivendo o sofrido Rodrigo, outro mocinho ---- aliás, já está na hora do ator ser desafiado com novos tipos para não ficar estigmatizado.

Agora, o par está precisando lidar novamente com o descontrole de Melissa e a obsessão de Pedro, embora não tenha mais a questão da diferença social como empecilho, pois os tempos são outros. Inclusive, os dois inverteram de condição em 2015. Lívia é uma mulher muito bem de vida, enquanto Felipe está na popular classe média, se sustentando através de uma pequena vinícola na cidade do interior. E a cena da primeira vez deles foi tão bonita quanto a da fase anterior, assim como tem sido todas as sequências protagonizadas pelo casal.

Entre as muitas qualidades de "Além do Tempo", não há dúvida de que os mocinhos estão incluídos. A novela de Elizabeth Jhin chegará ao fim no dia 18 de janeiro e teve uma clara queda de ritmo nesta segunda fase, mas Lívia e Felipe não perderam o encanto em momento algum. A história de amor de várias vidas do casal apresenta muita sensibilidade, proporcionando várias cenas tipicamente românticas, gostosas de se acompanhar, honrando ainda o título do folhetim. E Alinne Moraes e Rafael Cardoso têm toda a química e o entrosamento necessários para dar credibilidade ao par protagonista.

35 comentários:

Bruna disse...

Amno esse casal e eles estão maravilhosos mesmo, representando bem o amor além do tempo. E essa novela e a das sete com Joliza provaram que dá sim pra fazer dos casais protagonistas os melhores.

Anônimo disse...

Casal lindo, mas tem tido poucas cenas na segunda fase. Alías, a segunda fase decaiu mt o nível.

Anônimo disse...

Isso q acho legal, o romantismo leve e harmonioso entre os protagonistas e sendo o foco principal. Diferente de #Aregradojogo onde lá soh tem "pegada", o casal principalmente chato, irritante e sem química. Um monte de casais inúteis. Mas grazadeus #Romena salva.

Gabriella disse...

Ai, tava esperando tanto esse texto! Adorei!

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Também gosto desse casal, mas eu prefiro o visual da dupla nesta segunda fase.

Olivia disse...

Alinne e Rafael estão maravilhosos e tem química de sobra mesmo. Adorei essa crítica e ainda abordando as duas fases. Casal lindo.

Anônimo disse...

Só tem uma coisa errada, a ultima novela de Rafael foi em império onde teve um grande desempenho...

porlapazyporlavida lc disse...

Ameiiii o texto. Lívia e Felipe são para mim (além da passagem de tempo) o maior acerto de Além do tempo. Sou apaixonada pela química dos dois e pela história. É de encher os olhos. Continuo achando a novela tão atrativa quanto a primeira fase. Na verdade, agora ela tá a todo vapor. Muito curiosa para ver os próximos capítulos. Pensava que ela ia até o fim de Janeiro ou início de fevereiro. Que pena que só me resta um mês de novela. So sad! Sentirei saudades deste meu amor das seis. haha. Voltando a falar de "livipe", as cenas deles são as mais tocantes mesmo, minhas preferidas. Aiai, morro de amores. haha. Deu muito certo mesmo a parceria de Alinne e Rafael. Eles transbordam química, ou melhor, transpiram química. Como você disse, se o par não funcionasse, não seria a mesma coisa. Os outros casais da trama também são muito atrativos e os personagens
bem construídos. Sem dúvida alguma a melhor novela de Elizabeth. Que êta mundo bom seja tão boa quanto além do tempo S2. Que venha meu amor, Sérgio Guizé S2

Rafaella disse...

Parabéns, Sérgio. Mais uma ótima crítica. Adoro esse casal e é um desafio mesmo os autores conseguirem fazer os pares principais despertarem torcida. Vale lembrar ao menos que a Licia conseguiu com Ligia e Miguel em Sete Vidas e que Rosane e Paulo conseguiram com Jonatas e Eliza em Totalmente Demais. E a Jhin está na lista depois daquele casal insosso da Leticia Persiles com o Gabriel Mala Nunes em Amor Eterno Amor.

Bell disse...

Histórias de amor são clássicas e fazem sucesso pq é a vontade de todo ser humano, viver um grande amor que resiste até mesmo o tempo.

bjokas =)

Thamires disse...

O casal é lindo e é um dos grandes atrativos da novela. Mas a autora não soube aproveitá-los na segunda fase. Aliás, a segunda fase ficou bem aquém da primeira. Ver Vitória sem ser Condessa decepcionou, a Nivea Maria perdeu a importância e Livia e Felipe mal aparecem juntos. Só tem Melissa Melissa Melissa Bento Bento Bento...

Anônimo disse...

Amo esse casal!

Adriana Helena disse...

Olá querido amigo Sérgio, que belo texto...

Você escreve divinamente e soa como poesia a dedicação que coloca em cada palavra que transmite...
Mesmo quem não acompanha a novela, fica entusiasmado ao ler texto tão tranquilo e tão comovente!
Com certeza, o casal protagonista está incrível, pois vejo nas poucas cenas que assisti, a sintonia entre ambos os atores... Realmente um conto de fadas que se fundiu com a vida moderna!!

Amigo, aproveito para já ir desejando um lindo final de ano e um belo início de 2016! Sabe, quero logo que este ano acabe para que ingressemos com o pé direito no próximo...rsrs
Confesso que 2015 não foi nada fácil para mim, com problemas que nem é bom mencionar!

Mas com certeza, 2016 será grandioso e te desejo muita saúde, felicidade e prosperidade no ano novo!!
Saiba que é especial para mim e sempre será!
Um grande beijo e FELIZ ANO NOVO!!! uhuuuu :)))))

Anônimo disse...

Sérgio, parabéns pelo ótimo texto e análise desse trabalho da autora e do casal de atores. No entanto, segue uma crítica diplomática e simpática sobre ele: me chama a atenção você não ter comentado, questionado ou sequer citado a perda da importância do romance entre os protagonistas nessa segunda fase. A quase total falta de cena entre os dois está aí para provar o desperdício de tanta química e de um casal que o público torce. Logicamente, parte da novela gira em torno desse reencontro (separação, loucura da Melissa, Alex, Emília investindo contra o Felipe, etc). Mas o romance proibido entre Lívia e Felipe - suas cenas, falas e encontros - basearam a forte torcida pelo casal na primeira fase e foi totalmente jogado para escanteio na segunda fase. É só seguir os comentários dos fãs da novela para perceber que a escassez de cenas entre os dois personagens e o romance que aconteceu e não se desenvolveu está chamando a atenção negativamente. E me deixa triste saber que, faltando menos de 1 mês de novela, não vai mesmo acontecer. A autora cozinhou a trama em banho maria e esqueceu os ingredientes principais que tanto fizeram sucesso na primeira fase: o romance entre o casal principal e a trama de Vitória, agora muito mais focada na cansativa e repetitiva vingança de Emília. Aliás, essa trama de vingança e a de Bento tomaram a dianteira na história, deixando a pesada e rocambolesca (como dizia Dorotéia) e perdeu um pouco aquela graça e leveza que ditavam o tom encantador da primeira fase. A trama, antes com muitas externas de tirar o fôlego, praticamente acontece dentro do quarto de hotel/casa/escritório. A doença da protagonista Alinne Moraes, lá atrás, não justifica mais sua personagem ter se tornado uma mera coadjuvante que tem 30s de cenas e mal sai daquele quarto ou escritório. Faz falta ver a Lívia e Felipe se encontrando em situações inusitadas, pela noite ou mesmo na rua, como em qualquer cidade pequena. Uma pena a história deles e tanta química ter se desenvolvido assim, sem sal e sem gosto.

Kellen Bittencourt ( Trilhamarupiara) disse...

Olá amigo, eu amo esta novela, e eles realmente tem muita quimica, estão arrasando, o texto desta novela é primoroso, sem palavras para elogiar, adoro! Bom te ler, minha filha é super sua fã no Twitter, acho que já te disse isso kkk abraçoss

MARILENE disse...

Concordo com suas considerações, Sergio. A novela é um amor e o casal encanta. A segunda fase não vem provocando a mesma empolgação da primeira, mas vale a pena acompanhá-la.

Agradeço seus votos e os retribuo, com carinho. Que viva um iluminado Natal, ao lado dos que lhe são queridos. E que 2016 lhe abra muitas portas, para realize seus desejos. Bjs.

Vera Lúcia disse...


Sérgio,

Não obstante a queda de ritmo da novela nesta segunda fase, continuo gostando demais da trama.
Os protagonistas, além de carismáticos e bem afinados, encantam pela talentosa atuação. É lindo acompanhar o amor de Lívia e Felipe, traduzido com muita delicadeza e ternura. Sem dúvida, a escalação do par romântico foi um grande acerto.

Abraço.

Sérgio Santos disse...

Verdade, Bruna. bjs

Sérgio Santos disse...

Isso é verdade, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Pois é, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Que bom, Gabriella. =) bjs

Sérgio Santos disse...

Eu gosto dos dois visuais, Elvira. bjs

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Olivia.

Sérgio Santos disse...

Anonimo, eu não disse que A Vida da Gente foi a última novela dele. Disse que foi a última em que ele teve um grande desempenho. Não achei o insuportável mocinho dele em Império um bom personagem e nem acho que ele tenha tido chance de brilhar lá.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, porlapazyporlavida lc. E eu tb gosto mt da novela e do casal, proém, não dá pra negar que a novela teve uma queda brusca de ritmo na segunda fase e ficou cansativa em algumas semanas, sim. Mas continuou boa, só não tanto. Isso deixou claro que a Jhin é bem melhor em fazer tramas de época mesmo. Mas o casal é lindo e tomara que a próxima seja boa tb. =) bjssss

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Rafaella. E é verdade, esse casal de Amor eterno amor foi horrível. Aliás, a novela toda... bjs

Sérgio Santos disse...

Belas palavras, Bell. bjs

Sérgio Santos disse...

Entendo seus argumentos, Thamires, e concordo com alguns pontos.

Sérgio Santos disse...

Tb gosto, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Adriana, seu comentário me deixou emocionado. =) Fico feliz de verdade. E eu sei, foi um ano ruim pra vc. Aliás, pra mim tb. No geral foi, diga-se. E tb te desejo tudo de melhor nesse novo ano que virá. bjs

Sérgio Santos disse...

Adorei sua crítica simpática, anonimo. E eu concordo com ela, viu? Isso na verdade é um reflexo da brusca queda de ritmo da novela na segunda fase, que eu até menciono.Parte do interesse se perdeu em virtude da demora em desenvolver os acontecimentos. Só agora, na metade de dezembro, é que as coisas começaram a andar. A Jhin é caracterizada pelas barrigas nas suas histórias e isso se repetiu agora. A diferença é que não foi tãããããão sentido por causa das duas fases. Mas eu conrdo que eles têm aparecido menos do que deveriam. Só que eu creio que tudo se repetirá como na primeira fase. Em 1895, eles tb apareciam bem pouco juntos até a reta final. Ou seja... abçs

Sérgio Santos disse...

Jura que ela é minha fã, Kellen? Não sabia disso não. rs Fico feliz. Manda ela falar comigo lá pelo Twitter. bjs

Sérgio Santos disse...

Isso é verdade, Marilene. Houve uma queda de empolgação msm. bjs e ótimo Natal.

Sérgio Santos disse...

Foi um grande acerto, Vera. bjs

Andrea disse...

Sérgio Parabéns e lindo texto como sempre. A estória é linda, grandes atores e atrizes mas pra mim o maior acerto da novela foi a química da Alinne Moraes com Rafael Cardoso, os 2 quando estão juntos na tela é de deixar qualquer um sem fôlego. Mas tem uma parte ruim nisto tudo, o amor dos 2 personagens foi tão marcante que duvido que a atriz e o ator vão fazer par romântico novamente. Ninguém na Globo vai querer escalar os 2 fazendo par novamente com medo do público lembrar de Livia e Felipe. Duvido que a atriz e o ator queiram atuar juntos novamente fazendo par com medo da mesma percepção do público de ficarem marcadas. Uma pena mas vai ser um casal de uma só novela. Duvido que algum diretor queira encarar os 2 juntos em sua novela. Feliz 2016 e que venham mais belos textos em 2016.