sexta-feira, 23 de março de 2012

Fina Estampa: um sucesso que não deixará saudades

Nessa sexta-feira (23/03/2012) termina "Fina Estampa", uma novela que teve uma audiência altíssima, recuperando a constante queda sofrida pelas quatro tramas anteriores e fez um imenso sucesso. Se anteriormente a Globo já estava se conformando com os 35 pontos de média geral que vinha obtendo no horário nobre, agora os constantes picos de 45 pontos da obra de Aguinaldo Silva, aumentou a responsabilidade de "Avenida Brasil", trama que irá substituí-la.


Mas se por um lado "Fina Estampa" fez um imenso sucesso, por outro a novela foi muito criticada pela imprensa especializada e por grande parte dos telespectadores. Foram críticas injustas? Não. Aguinaldo optou por uma trama recheada de absurdos , histórias óbvias, e situações nada atraentes.

Por várias vezes o autor disse que escreveria uma obra
de tanto sucesso quanto foi a bem-sucedida "Senhora do Destino". De fato cumpriu o que prometeu, no entanto, também ficou claro o quanto que repetiu histórias já contadas por ele. O núcleo de Celeste (Dira Paes), que tratava da violência doméstica, foi uma cópia da situação vivida por Rita (Adriana Lessa) e Cigano (Ronnie Marruda). Griselda (Lilia Cabral) não deixa de ser uma Maria do Carmo (Susana Vieira) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) uma tentativa - fracassada - de Nazaré Tedesco, incluindo até a peculiar característica de empurrar suas vítimas escada abaixo. Enfim , não me estenderei nas repetições justamente para não me repetir.

Até hoje o telespectador não entendeu o porquê de tanto ódio que Tereza Cristina sente por Griselda. Ok, ela ficou com seu marido (René - Dalton Vigh), mas e daí? Isso dá motivos para a vilã ter tentado matar o três filhos de sua rival, além de ter incendiado sua casa? E Ferdinand (Carlos Machado)? O fiel segurança da perua faz tudo o que ela manda só porque quer transar com ela. Faz sentido? Como pode Amália (Sofhie Charllote) sofrer um grave acidente de carro e ainda assim se recuperar rapidamente? Antenor (Caio Castro) conseguiu desviar de vários tiros disparados contra ele. É melhor que o 007. Em compensação, se cair de uma escada que nem tem tantos degraus assim, já era. A pessoa morre na hora.

O núcleo da praia foi de uma inutilidade sem tamanho, assim como o da pensão da Zambeze. Totia Meirelles não teve seu talento valorizado e seus companheiros de cena eram atores muito fracos. A prostituta com poderes paranormais não aconteceu, apesar da boa atuação de Joana Lerner. Caio Castro e Adriana Birolli não convenceram como casal e ambos foram apagados da trama. Viraram figurantes. Aliás, nenhum par romântico deu certo nessa novela. A exceção é de Esther e Paulo. Julia Lemmertz e Dan Stulbach foram muito bem e agradaram. Arlete Salles se viu totalmente avulsa com uma personagem sem história. O mesmo pode-se dizer das ótimas Guida Vianna e Ana Rosa. Renata Sorrah mal aparecia e só foi ter o destaque que merecia na reta final. A trama da Dra. Danielle --- apesar de batida e já ter sido amplamente explorada em "Barriga de Aluguel", de Glória Perez --- era interessante e poderia ter rendido muito mais se tivesse sido abordada com o destaque necessário desde o início. Era o único núcleo que havia uma certa coerência, embora isso tenha caído por terra no instante que Beatriz (Monique Alfradique) soube que Esther havia gerado um filho 'seu'. A personagem virou uma desequilibrada. Desnecessário. O assassinato da jornalista Marcela (Suzana Pires) nem merece ser comentado. O surgimento de sua 'irmã gêmea' idem. Já o mistério sobre a identidade do namorado de Crô (Marcelo Serrado) não acrescentava em nada.

Mas nem tudo é pra se criticar. Crô e Baltazar foram um acerto e tanto. Marcelo Serrado deu show e Alexandre Nero soube valorizar os momentos em que seu personagem humilhava o mordomo da vilã. Tanto que suas cenas foram crescendo e a dupla foi agradando a todos. Foi o 'casal' que mais gerou repercussão. Outro ponto positivo foi o autor escalar José Mayer para um papel diferente do galã pegador. Pereirinha foi muito bem defendido pelo ator, que já havia sido presenteado por Aguinaldo com um papel distante desse esteriótipo que o acompanhou durante a carreira: o jornalista Dirceu em "Senhora do Destino".
Se Eva Wilma não foi devidamente valorizada, o final de sua personagem acabou sendo criativo. Foi engraçado ver Tia Íris e sua fiel escudeira (Alice - Thais de Campos) indo para Greenville, cidade fictícia de "A Indomada", novela do mesmo autor, onde a grande vilã Altiva (vivida por Eva) aterrorizava a todos. A atual personagem, aliás, era claramente 'inspirada' nela.

Já Griselda acabou perdendo o posto de protagonista para Tereza Cristina. A mocinha aparecia cada vez menos enquanto que a vilã ia dominando todos os capítulos. A tal proposta do autor, sobre o 'ser e o ter ', se perdeu quando Pereirão ganhou na loteria. Os vilões iam se redimindo ao longo da novela. Rafael (Marco Pigossi) e Leandro (Rodrigo Simas) foram os primeiros. Na reta final, Baltazar, Teodora (Carolina Dieckmann) e Enzo (Julio Rocha) se juntaram ao time dos bonzinhos. Um solução boba demais, diga-se. Outro final lamentável é ver Celeste perdoando seu marido, que a espancava. A grande vilã não será punida, o que acaba não sendo uma novidade. Nada contra esse tipo de desfecho, mas Tereza Cristina não sofreu nenhuma consequência durante a trama inteira. Embora dificilmente conseguisse atingir seus objetivos, acabava se dando bem no final das contas.

"Fina Estampa" termina com um saldo positivo para a emissora e Aguinaldo Silva emplaca mais um grande sucesso em sua vitoriosa carreria. Após a conturbada "Duas Caras" e a fracassada série "Lara com Z", o autor poderá dormir tranquilo. Mas apesar do êxito de sua obra, é certo que essa novela foi uma das piores da hstória do horário nobre e mereceu cada crítica que recebeu, na minha opinião. Um sucesso que não deixará saudades, por mais incoerente que possa parecer essa constatação. É nessas horas que se verifica a veracidade da frase: "Audiência nem sempre reflete em qualidade". Que venha "Avenida Brasil"! Fom fom.

Links relacionados: Fina Estampa não entusiasma e parece um déjà vu
                             A deselegância de Aguinaldo Silva
                             Fina Estampa: uma sucessão de equívocos
                             Crô e Baltazar: um acerto de Fina Estampa
                             Arlete Salles: um talento desperdiçado
                            Expectativa pela estreia de Avenida Brasil ofusca...
                          

10 comentários:

Adriana Helena disse...

Olá Sérgio Santos! Bom dia!
Foi muito bom passar por aqui pois os comentários que fez em relação à novela foram perfeitos! Sabia que eu também sempre indagava: como pode uma pessoa sair incólume de um grave acidente de carro, tiros, etc e outra que apenas caiu da escada morrer, assim, sem mais nem menos? Coisas de novela não é mesmo? rsrs

Vou acompanhar o seu blog com atenção amigo blogueiro e, se precisar de qualquer auxílio quanto ao uso do Feed, depois de tanto apanhar, eu posso dar algumas sugestões Ok?

Muito obrigada e tenha um ótimo dia com o último capítulo de Fina Estampa!! Valeu!
Abraços!!!

Adriana

Sérgio Santos disse...

Adriana, obrigado pelo carinho. Realmente essa novela abusou das doses e absurdo. Difícil de engolir. Olha que vou cobrar essa sua ajuda, hein? Não sou muito bom nisso! rs Beijos!

Thallys Bruno disse...

Análise perfeita, Sérgio. Fina Estampa nunca mereceu esse sucesso. Pouquíssimos foram os acertos, como o Crô (Marcelo Serrado), que virou o grande nome da trama. Um completo déjavu de tramas não só do próprio Aguinaldo, mas também de outros autores (e nesse caso em forma de deboche). Um monte de bobagens (a maioria liderada por atores péssimos) ganhou um destaque imerecido. Uma novela que já havia começado fraca e só piorou. Tanto é que a reta final dela foi apagada pelas expectativas por Avenida Brasil. Enfim, FE já vai tarde!!! E que venha o gênio JEC!!

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Thallys. Concordo com tudo o que você disse. Um fenômeno de audiência imerecido. Ainda bem que na reta final o ibope tão aumentou ainda mais, como ocorria nas antecessoras. Ficou na mesma, o que deve ter sido frustrante para o autor. Que venha Avenida Brasil! Finalmente Fina Estampa acabou.

Fabio Dias disse...

Muito bom seu texto!
Parabéns!

Que venha Avenida Brasil.
Curti Fina Estampa até o capítulo 140!
Depois acho que ele perdeu a mão.

Abraço

Jandi TI disse...

A impressão que tenho quando estou assistindo Fina Estampa é que nem os próprios atores acreditam na novela.
Quase nada faz sentido. É tudo muito surreal.
Parabéns pelo post!

Sérgio Santos disse...

Fabio, obrigado! Eu confesso que nunca gostei dessa novela, Mas cheguei a me enganar pelas chamadas! Abração!

Sérgio Santos disse...

Jandi, também já tive essa impressão. Aliás, o último capítulo foi um show de horrores. Nem sei se escrevo sobre isso ou não! Beijos!

Bruno Vasconcelos disse...

Tipo, eu tbm acho q tiveram algumas coisas exageradas na trama, e concordo que o ultimo capitulo nao atendeu todas as expectativas deixando muita coisa sem resposta, mas por outro lado, confesso que essa foi uma das novelas que mais gostei, e que pra mim vai deixar saudades, e apesar de tudo, o principal a novela falou, quer dizer, mostrou o "fim" das duas personagens principais.

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120324200544AAF4rYq

Bruno Vasconcelos disse...

ah, e muito bom seu blog, gostei ;), tbm gosto mt de televisao