quinta-feira, 28 de maio de 2015

Com um último episódio repleto de acontecimentos, "Revenge" encerra de forma primorosa a saga de Emily Thorne

A saga da vingança da loirinha mais temida dos Hamptons chegou ao fim após quatro anos de muitas reviravoltas, embates e mortes. "Revenge" fechou seu ciclo na quarta temporada, cujo último episódio foi exibido no dia 10 de maio nos E.U.A., e no dia 27 do mesmo mês no Brasil, transmitido pelo canal a cabo Sony. A trama estreou em setembro de 2011 e foi um dos maiores sucessos do canal americano ABC ----- obteve a maior audiência depois do fenômeno "Lost".


A história de Emily Thorne (Emily VanCamp) ---- que na verdade se chamava Amanda Clarke ----conquistou desde o primeiro episódio, e a saga desta destemida mulher, que buscava vingar a condenação injusta de seu pai, foi vista em mais de 35 países, se transformando em uma das séries de maior sucesso televisivo do mundo. Criada por Mike Kelley, a trama foi claramente baseada no clássico livro "O Conde de Monte Cristo" (fonte de inspiração de muitas novelas) e apresentou inúmeros elementos folhetinescos, o que pôde ajudar a explicar o êxito desta produção entre os telespectadores brasileiros.

O pai de Amanda foi condenado injustamente por terrorismo ---- graças a um plano do inescrupuloso Conrad Grayson (Henry Czerny) ----, sendo preso e depois 'assassinado' na prisão. Ela ainda acaba internada em um reformatório pela quase futura madrasta (esposa do canalha que armou todo este esquema).
Quando completa 18 anos, a menina (que virou mulher) foi solta, assumiu uma nova identidade, herdou uma imensa herança do pai e ainda ganhou um fiel escudeiro para se vingar de todos que arruinaram sua vida e a de David Clarke (Jaimes Tuper). A revanche estava apenas começando.

A primeira temporada focou justamente no início do plano de Emily, que consistia basicamente em se aproximar da família da poderosa Victoria Grayson (Madeleine Stowe), além de mirar na resistência da protagonista de aceitar a ajuda do carente e expert em tecnologia Nolan Ross (Gabriel Mann). Também houve espaço para o começo da abordagem da relação com seu grande amor de infância ----Jack Porter (Nick Wechsler), sujeito íntegro, que conviveu e até se 'casou' com ela de mentirinha quando crianças. Ou seja, um típico folhetim em forma de seriado, onde todos os capítulos conseguiram prender a atenção, despertando aquela vontade de continuar acompanhando.

A segunda temporada (que estreou em setembro de 2012) sofreu algumas críticas em virtude da inserção de uma Organização Criminosa no enredo, fugindo um pouco do drama da vingança. Entretanto, a história continuou muito atrativa e repleta de reviravoltas muito bem construídas ---- uma delas, inclusive, a morte da verdadeira Emily, em uma cena de tirar o fôlego. Todos os meandros dos mafiosos movimentaram o enredo, que contou com a entrada de um marcante personagem: Aiden Mathis.

Já a terceira fase (iniciada em setembro de 2013) pode ser considerada facilmente a melhor de todas. Recheada de conflitos e dramas envolventes ---- incluindo uma quase morte da protagonista, que levou dois tiros do então noivo Daniel (Josh Bowman), após seu plano ter fracassado ----, a trama prendeu do início ao fim. Foram muitas cenas tensas, dramáticas e cheias de adrenalina. Todo episódio parecia o penúltimo.

Vale destacar, principalmente, o momento do embate entre Victoria e Amanda, onde a matriarca dos Grayson finalmente descobre a verdadeira identidade da inimiga e acaba levando um forte golpe de pá da protagonista, desmaiando imediatamente. Logo após este duelo, a vilã é internada em um manicômio por Emily, que sai da clínica triunfante. Outro momento forte foi o assassinato de Pascal LeMarchal (Olivier Martinez), empurrado por Conrad em uma hélice de helicóptero. Pode-se incluir na lista de sequências pesadas e inesquecíveis, ainda, o instante que Victoria mata Aiden Mathis (Barry Sloane) sufocado com um travesseiro. Muitos telespectadores, inclusive, apostavam no fim da série nesta temporada, principalmente porque, além da internação da poderosa mulher, Conrad Grayson foi assassinado por David Clarke, que na verdade nunca esteve morto.

Porém, a quarta temporada (que estreou em setembro de 2014) focou justamente nesta volta do pai de Amanda e em todos os desdobramentos que este surpreendente retorno causou na vida daquela mulher, que dedicou quatro anos para vingar a morte de uma pessoa que não tinha morrido. Esta virada foi muito interessante e fez com que a série ficasse mais voltada para os conflitos internos da protagonista, que viu o jogo virar, se transformando no alvo da vingança de Victoria, que fugiu da clínica para acabar com a rival que arruinou sua família. O título "Revenge" mudou de mãos.

Só que, apesar de ter mantido todas as suas qualidades, é incontestável a perda de fôlego da série em sua primeira metade deste quarto ano. Alguns episódios ficaram sem atrativos e a ausência dos pensamentos de Emily (falados por ela sempre no início e no fim de cada episódio) foi sentida. Entretanto, o início da aproximação da Amanda com o pai deixou o enredo novamente interessante, principalmente depois que o mafioso Malcom Black (Tommy Flanagan) foi inserido na história ---- o episódio que ele morre, inclusive, foi um dos melhores e mais tensos desta temporada. Outro ponto positivo foi a entrada de Louise Ellis (Elena Satine), uma personagem extremamente carente, bipolar e debochada, que fez uma boa dupla com Gabriel Mann e ainda trouxe uma trama atrativa envolvendo uma mãe manipuladora e um irmão aproveitador.

Os momentos finais da quarta temporada honraram todos os pontos fortes desta primorosa série, instigando o telespectador e provocando várias viradas. A aguardada cena em que Emily resolve comunicar para o mundo a sua verdadeira identidade, e ainda conta tudo o que sofreu nas mãos da família Grayson, foi arrepiante. Outra sequência ótima foi o 'suicídio' de Victoria Grayson, explodindo a mansão com tudo dentro, com o intuito de incriminar sua eterna inimiga, que acaba presa por assassinato. E a reviravolta do penúltimo episódio, com a descoberta de que a matriarca na verdade estava viva, deixou os instantes derradeiros repletos de adrenalina. Ainda houve a divertida volta do calhorda irônico Mason Treadwell (jornalista que ajudou Victoria a forjar sua morte), além do surpreendente assassinato do policial Ben Hunter (Brian Hallisay).

O último episódio fez jus ao fim de uma clássica novela. Teve a morte da grande vilã, o casamento dos mocinhos, adrenalina, cenas tristes, viradas, momentos alegres e muita melancolia. Os roteiristas conseguiram fechar toda a série de forma primorosa. O grande final usou como base a emblemática frase de Confúcio, dita por Emily no primeiro capítulo: "Antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas.". Amanda escapou da prisão com a ajuda de seus fiéis companheiros e, enquanto procurava pistas do paradeiro de Victoria, se entregou ao amor com Jack. A esperada primeira transa foi bonita e cheia de química. Mas, o ex-policial foi gravemente ferido pela mafiosa contratada por Margaux LeMarchal e precisou ser internado. A partir de então, Ems (preocupada e com mais raiva) descobriu a localização de sua inimiga graças a Louise, indo até ela para o aguardado último embate.

O enfrentamento das duas foi muito bem interpretado pelas atrizes e naquele instante o público viu uma Emily decidida a assassinar e uma Victoria pronta para morrer. Só que, segundos antes de apertar o gatilho, Amanda é surpreendida por David, que faz questão de matar a ex-amante, livrando a filha de carregar um crime nas costas. A menina que tanto lutou para salvar o pai, viu a situação se inverter. Mas Victoria, mesmo agonizando, conseguiu atirar nas costas de Emily, a ferindo gravemente. Um momento de tirar o fôlego. Logo após este duelo, há uma passagem de tempo e a protagonista aparece recuperada (evidenciando, inclusive, uma cicatriz no peito) visitando o túmulo do pai, ao lado da irmã Charlotte. A cena do flashback, mostrando a morte de David (em virtude de um câncer terminal), ao lado da filha, no balanço onde eles sempre ficavam, foi emocionante. As duas covas do título eram para ele e Victoria.

Já a cena final, com o casamento de Amanda Clarke (conduzida ao altar por Nolan) e Jack Porter, foi linda e tipicamente folhetinesca. Ela ainda comprou um filhote de labrador, em referência ao Sammy (cachorro que era deles na infância), e o casal foi embora no barco que o pai de Ems reformou, deixando tudo para trás. O desfecho ainda deixou duas questões no ar: o pesadelo de Emily, sonhando ter recebido o coração de Victoria em um transplante, e Nolan se planejando para ajudar outra pessoa que queria vingar um parente (graças à sua fiel amiga Ems, que o indicou para a missão). Ou seja, um encerramento em grande estilo.

A série foi repleta de qualidades e merecedora de vários elogios. Além de toda a trama bem entrelaçada e desenvolvida com competência, os personagens transbordavam dubiedade e ainda eram interpretados por um elenco de talento. Emily VanCamp honrou o protagonismo com brilhantismo, fez uma ótima dupla com Gabriel Mann e ainda teve química de sobra com Nick Wechsler. Já Madeleine Stowe enriqueceu o enredo com sua arrogante Victoria, enquanto Henry Czerny fez um odioso Conrad Grayson, fazendo jus ao grande vilão da trama. Ainda vale mencionar, além de todos os já citados, Christa B. Ellen (Charlotte), Karine Vanasse (Margaux Lemarchal), Margarita Levieva (verdadeira Emily), Amber Valletta (Lydia Davis), Gail O`Grady (Stevie Grayson, mãe de Jack) e Cary-Hiroyuki Tagawa (Takeda).

"Revenge" conseguiu entreter o público com uma excelente história por quatro anos e fechou seu vitorioso ciclo com um último episódio primoroso. É sempre válido encerrar uma produção enquanto ela ainda está boa, evitando maiores desgastes. Ainda assim, é uma despedida triste para quem acompanhou os 89 episódios com tanto prazer. A protagonista conseguiu se vingar e teve seu final feliz, mas levou muitas marcas consigo. Afinal, a decepção cortou fundo e todos pagaram caro pelas escolhas que fizeram. A saga de Emily Thorne chegou ao fim e esta série, depois de tantos embates, conflitos, viradas e dramas, deixará saudade. A vingança acabou. Adeus, Amanda Clarke!

28 comentários:

Edson disse...

Gostei bastante de Revenge mas odiei o último episódio!
Foi um final previsível, chato, clichê até dizer chega!
"Ressuscitar" Victoria no penúltimo episódio pra matá-la no último. AFF!
Seria muito mais coerente e épico se a Emily tivesse morrido no embate entre as duas, aí eu perdoaria a "ressurreição" da Victoria no penúltimo episódio pra morrer no último.
Mas esse final foi feito pra agradar os fãs que gostam de histórias água-com-açucar.

Flávia disse...

Estou de luto, Sérgio. Acabou a melhor série! Vc fez uma resenha perfeita das quatro temporadas e eu amei o último episódio. Depois de tudo o que sofreu, Emily morrer seria ridículo. Adoro água com açúcar SIM, principalmente numa trama onde morreu quase todo mundo. Tem gente que queria que morresse todo mundo. Oi???? kkkkkk Bjs

Anônimo disse...

Amei a série e vi o último capítulo ontem.Não queria que acabasse mas poderia ficar chata na quinta temporada.Pelo menos deixou aquela saudade e aquele vazio que só dão quando você amou mesmo uma série ou novela.

Ernane M. disse...

A série teve um toques bem mexicanos mas nem por isso foi ruim.Gostei e achei que fechou em grande estilo. Clichê nem sempre é ruim.Emily Vancamp ganhou a melhor personagem de sua carreira nessa Revenge. E sua resenha sobre as quatro temporadas ficou impecável.

Anônimo disse...

Assisti as duas primeiras temporadas, amei a primeira já não gostei tanto da segunda. Séries são assim, uma ótima proposta que acaba se desgastando e inventando onde não tem pra durar. Poucas conseguem manter o nível como acho que essa série conseguiu. Um exemplo disso é Vampire Diaries indo para a 7 temporada onde até a protagonista abandonou a série, pode afundar de vez ou salvar a história... Nunca se sabe quando se trata de tv! Outra é Supernatural, prevista para terminar na quinta, já na 11°. O povo gosta pelos atores, medo da saudade e tudo mais, mas acredito que uma boa história é sim fundamental, é o principal numa série... Assistir só por saudosismo não dá!

Raíssa disse...

Pena que só essa série vc viu, será ótimo ver suas análises sobre tantas outras. Mas sobre Revenge eu digo que amei a primeira temporada, odiei a segunda, amei a terceira e achei a quarta mediana. O final foi maravilhoso mesmo e fez jus ao gran finale, mas os primeiros episódios dessa quarta temporada foram entendiantes.

Heitor disse...

Estou chateado porque esperava uma quinta temporada e acho que ainda havia fôlego para isso. E o final acabou ficando corrido porque os autores foram pegos de surpresa e acabaram tendo que fechar tudo antes. Mas ainda assim conseguiram fazer um bom desfecho que como você colocou foi impecável e folhetinesco honrando a característica da série. Sentirei saudades.

Bruna disse...

Adorei esse postão sobre a série! Estou anestesiada com o final e amei. Foi perfeito! Adorei o final típico de novela com um merecido final feliz da Emily com o seu amor de infância. E a melhor cena foi David atirando em Victoria e ela atingindo Amanda pelas costas. Levei um susto, não esperava. Foi de tirar o fôlego. Amei o Nolan ganhando uma nova missão e quem sabe não fazem uma série com ele sendo o vingador. Seria maravilhoso.

Anônimo disse...

Vi, me emocionei, fiquei nervosa, fiquei triste, fiquei alegre, fiquei tudo. Nunca mais teremos outra série como essa!

Luma Rosa disse...

Oi, Sérgio!
Quase desisti de assistir a série na segunda temporada. Até o décimo episódio da terceira temporada foi revigorante e depois caiu meu entusiasmo novamente, mas já que tinha começado... queria saber como seria o final. Mataram um monte de personagens e ficaram os antipáticos. Com enredo instável, não recomendo a série para ninguém. Mas ao que parece, existem rumores de um possível spin off. Ou seja, a vingança não tem fim….
Beijus,

MARILENE disse...

Sergio, vi algumas temporadas em DVD. Estava muito entusiasmada, mas chegou uma época em que a série ficou chata e desisti de acompanhá-la. Talvez, após ler sua postagem, e considerando que ela chegou ao fim, venha a assistir as demais (rss).Bjs.

Vera Lúcia disse...


Ufa! Li tudinho, Sérgio, e com muita atenção, pois estava super curiosa para saber o final da história-rsrs. Cheguei a ver as duas primeiras temporadas em DVD e fiquei com a terceira temporada aqui em casa, sem assistir. Agora nem preciso mais vê-la-rs.
Sem dúvida, uma série bem envolvente.

Abraço.

Ed Taborda Assunção disse...

Ainda não cheguei a assistir esaa série Sérgio, mas o enredo me lembrou muito as novelas brasileiras, especialmente Avenida Brasil. Parece ser boa.

Anônimo disse...

Sempre leio blogs com análises de séries americanas porque vejo várias mas nunca li em nenhum um texto tão bom e completo como esse que você fez de Revenge. Pena que você só viu essa, nós espectadores ganharíamos muito se você visse mais.

Sérgio Santos disse...

Entendo, Edson, mas discordo. Se Emily morresse, concordo que seria algo ótimo também, mas o final 'clichê' foi excelente. Até porque depois de tudo o que ela sofreu seria injusto ter um final tão trágico. E a série foi uma típica novela, portanto, nada mais natural do que terminar como uma. E eu adorei terem ressuscitado a Victoria porque ela se matar e não ter um último embate com Emily seria frustrante.

Sérgio Santos disse...

Flavia, tb estou de luto e não vai passar tão cedo. Era a única série que eu via e sentirei muita saudade. Mas o final foi épico mesmo e eu tb gosto de finais água com açucar desde que bem feitos como foi o caso desse. bjssss

Sérgio Santos disse...

Verdade, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Ernane. Tb não acho clichê ruim, desde que bem feito. abçs

Sérgio Santos disse...

Gostei do comentário, anonimo. Tem isso mesmo, às vezes a série se perde porque demorou mt pra acabar, então nesse caso valeu a pena porque Revenge terminou no auge, apesar dos problemas de audiência. Mas eu acho que ainda dava uma quinta temporada. Só que ao menos os roteiristas conseguiram fazer um desfecho excelente após o anúncio surpreendente do fim da produção. Nos respeitaram, isso é ótimo.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Raíssa. Mas das outras não tenho msm como escrever pq não vejo. Mas essa eu vi toda e fiz questão de escrever. Eu tb achei a segunda temporada mediana mas não achei tão ruim como mts. A primeira foi maravilhosa, a terceira espetacular e a quarta concordo, começou fraca e ficou ótima, terminando em grande estilo. bjs

Sérgio Santos disse...

Tb esperava uma quinta, Heitor, e acho que tinha fôlego. Mas nem achei o final corrido porque eles conseguiram um milagre dando desfecho pra todo mundo e ainda com ótimos embates e momentos emocionantes. abçs

Sérgio Santos disse...

Que bom que gostou, Bruna. Tb adorei o último episódio cheio de reviravoltas e momentos bonitos e tristes. Sentirei mtas saudades e tomara que façam uma do Nolan sendo o protagonista! Seria ótimo. bjs

Sérgio Santos disse...

Idem, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Ah, Luma, eu recomendo sim porque fui fã e adorei tudo. E não acho que tenham deixado os antipáticos pq Emily, Jack, Nolan, Victoria conseguiram sustentar mt bem a trama. bjssss

Sérgio Santos disse...

Pois eu te aconselho a ver o resto, Marilene. Vale a pena. bjsss

Sérgio Santos disse...

Ficou mt grande o texto, né, Vera?! Mas resumir 4 anos em um texto é complicado, tentei. rsrs Mas veja os episódios mesmo já sabendo o que irá acontecer, vale a pena. Bjão!

Sérgio Santos disse...

É mt boa, Ed. E Av Brasil pegou muita coisa dessa série, certeza. As comparações na época eram pertinentes. abçs

Sérgio Santos disse...

Nossa, muito obrigado, anônimo. Fiquei mt feliz e honrado, de verdade. abçssss