quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

"Sexo e as Negas" não mereceu as acusações de racismo, mas foi uma série desinteressante e esquecível

Foram três meses no ar e muitas acusações. "Sexo e as Negas" chegou ao fim nesta terça-feira (16/12) e ficará marcada como a produção responsável por uma sucessão de ataques injustos ao autor Miguel Falabella. Isso porque a história escrita por ele, e dirigida por Cininha de Paula, foi acusada por vários grupos e organizações de ser racista e tratar os negros de forma pejorativa. Mas quem viu a trama pôde constatar o quanto que estas acusações foram infundadas.


A história era uma espécie de paródia do conhecido seriado americano "Sexy and the City" e contou a história de quatro mulheres negras, moradoras da Cidade Alta, em Cordovil, que batalhavam para ganhar a vida e enfrentavam vários dilemas amorosos. As protagonistas Lia, Tilde, Zulma e Soraia foram muito bem interpretadas por Lilian Valeska, Corina Sabbas, Karin Hills e Maria Bia, que além de atuar também tinham que cantar, sempre nos finais dos episódios. As quatro se saíram muito bem. 

O elenco era predominantemente negro e foi ótimo ver tantos atores que precisavam desta oportunidade valorizados pelo autor. Aliás, Miguel sempre costuma escalar muitos negros para suas novelas e séries, o que apenas reforça a injustiça das acusações feitas contra ele. Na série, houve uma preocupação em retratar vários problemas enfrentados por mulheres independentes e negras.
Vide o machismo, o preconceito e também a questão envolvendo os cabelos cacheados, sempre alvo de questionamentos a respeito de alisar ou não alisar. 

Portanto, todos os protestos feitos contra "Sexos e as Negas" se perderam à medida que os episódios iam ao ar. Mas, apesar de não haver racismo algum na produção, a trama não foi interessante de ser acompanhada. Os conflitos das protagonistas não conseguiram despertar atenção e a narrativa da história pecava pela falta de ritmo e acontecimentos atrativos. Apesar do talento das intérpretes, o quarteto central ficou bem aquém do esperado. Até mesmo uma personagem que prometia não aconteceu: Jesuína, a dona do bar onde os personagens costumavam ir, foi um perfil apático e Cláudia Jimenez não conseguiu se destacar, apesar do seu já conhecido talento. 

O ponto alto da produção foi o texto de Miguel Falabella, que mais uma vez presenteou o telespectador com diálogos muitas vezes críticos e reflexivos. Sua narração, marca registrada também na novela "Aquele Beijo" e na série "Pé na Cova", engrandecia os episódios, principalmente quando ele elucubrava sobre os sentimentos e as próprias dificuldades da vida. Outro acerto foi a entrada de Débora Duarte interpretando a espalhafatosa Rosimere, personagem que foi se destacando ao longo da história. Maria Gladys também brilhou com sua Fumaça. Já a talentosa Alessandra Maestrini ficou fora do tom ao viver a arrogante Gaudéria, uma gaúcha esteriotipada. Suas cenas sempre pecavam pelo exagero e o próprio perfil caricato também não ajudou a atriz. 

Apesar do enredo fraco e dos personagens não terem cativado, é preciso elogiar os clipes feitos em cada final de episódio. Muito bem produzidos, eram interpretados lindamente pelas atrizes que são ótimas cantoras. As letras de Miguel, cujo conteúdo era sempre diretamente relacionado ao tema da história do dia, também merecem elogios. Entretanto, no saldo geral, os pontos positivos foram ofuscados pelos negativos. A trama não teve repercussão e não despertou interesse, passando despercebida.

"Sexo e as Negas" foi uma produção irregular de Miguel Falabella. A série teve mais repercussão pela polêmica causada com a questão racial do que pelo seu conteúdo. Após tantos ataques, o autor decidiu não escrever uma segunda temporada, ou seja, a trama parou por aqui. Mas esta decisão, independente do motivo, acabou sendo acertada. Devido à falta de situações atrativas, o seriado será facilmente esquecido. Mas não foi um produto racista. Foi apenas um produto desinteressante.

28 comentários:

Amanda Ventura disse...

Concordo totalmente com você. A série não me prendeu, assisti alguns episódios isolados, mas sem nenhuma ansiedade pelo próximo. Bem diferente de Pé na Cova, que me prendia do início ao fim.
Para mim foi uma série regular. Como você disse, esquecível. Uma pena, já que Miguel se destaca por criar personagens marcantes e pelos textos que evidenciam uma sensibilidade que poucos autores têm.
Foi absurda essa acusação de racismo contra ele, a campanha de boicote ao programa nas redes sociais. Quem se deu ao trabalho de assistir pelo menos alguns episódios, viu que nada havia de racista na série. Infelizmente se tornou comum as pessoas fazerem leituras apressadas e superficiais e tirarem conclusões precipitadas. No caso de Sexo e as Negas, a gritaria começou antes da estreia, baseada apenas no título.
Que se critique o programa, mas pelas razões certas (as que você citou). Criticar por algo que não se conhece, apenas porque ouviu falar, além de injusto é de uma estupidez estarrecedora.

Ana Carolina disse...

Essa série foi chata demais. Só consegui ver dois capítulos. Mas não teve nada de racista mesmo. Concordo com seu preciso texto, Sérgio.

Anônimo disse...

Repetiu todos os problemas do Falabella, inclusive nessa superestimada Pé na Cova. Texto bom mas personagens ruins e trama sem conflito algum. Só não vê quem não quer.

Ulisses disse...

A série foi um erro e só pelas chamadas já deu pra ver que seria ruim. E discordo de vc sobre as atrizes. Elas são ótimas cantoras mas atuando não dá. Fora que não tem carisma algum. E não teve trama nessa série, não deu vontade de acompanhar nada. Coitada da Claudia Jimenez que voltou com um papel tão mal feito.

Gustavo Nogueira disse...

Assisti muito pouco essa série Sérgio, mas do pouco que vi não me prendeu.E concordo com o anônimo acima, também não vi nada demais naquela série Pé na Cova aliás não costumo gostar muito das produções do Miguel Falabella.

Anônimo disse...

Foi uma série péssima e deu sono. O texto era bom mas só isso não é suficiente.

Raíssa disse...

Eu achei a série preconceituosa com os gaúchos porque aquela personagem Gaudéria era uma gaúcha tão caricata que me dava vergonha. E foi mesmo uma história muito besta. Não prendeu a atenção em nada. Já foi tarde.

Andressa Mattos M. disse...

Sérgio, só vi um episódio e não me interessei. Tive a mesma impressão que vc. Foi uma história enfadonha e que não conseguiu entreter. Aliás, era uma comédia ou um drama? Acho que não foi nenhuma das duas.

Gabriella disse...

Pensei que essa série fosse ser boa mas foi uma decepção. Uma paródia muito mal feita de Sexy and the city e personagens chaaaaatos... Não deixará saudade.

juliana s disse...

Não gostei também só assistir o primeiro episódio, achei chata. bjssss

Sérgio Santos disse...

Perfeito, Amanda. Miguel é um autor que sempre valorizou os atores negros e chamá-lo de racista é um despautério. A série não mereceu esses ataques. Mas foi ruim. Não teve uma trama atraente, não prendeu e os personagens não foram atrativos. Uma produção desinteressante. Eu gosto de Pé na Cova mas acho que a série tá se desgastando. Beijão.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Ana.

Sérgio Santos disse...

Anônimo, eu gosto de Pé na Cova, mas a série tb peca pela falta de uma boa trama. O que sustenta mais é o texto, além dos personagens ótimos.

Sérgio Santos disse...

Entendo, Ulisses. Achei as atrizes bem, mas respeito sua opinião. E Cláudia realmente teve um papel mt apagado.

Sérgio Santos disse...

Entendo, Gustavo. Eu amava Pé na Cova, mas já venho observando sinais de desgaste nela. abçssss

Sérgio Santos disse...

Verdade, anônimo.

Sérgio Santos disse...

Raíssa, essa gaúcha era uma caricatura mesmo, tanto que ressaltei isso no texto. Não fará falta msm. bjs

Sérgio Santos disse...

Andressa, teoricamente misturava comédia com drama. Mas não deu certo mesmo nem em uma coisa e nem na outra. Bjsss

Sérgio Santos disse...

Não deixará, Gabriella.

Sérgio Santos disse...

Verdade, Juliana. bjssss

Thallys Bruno Almeida disse...

A série simplesmente não me atraiu. Com ou sem polêmica. O primeiro episódio não me animou a acompanhar o resto, apesar do talento das quatro protagonistas e do elenco coadjuvante, com destaque pra volta da Cláudia Jimenez. O tema não me chamou atenção (a série original americana inclusive tb nunca fez meu estilo). Criou-se um circo desnecessário com acusações ridículas de uma coisa que não tinha absolutamente nada demais.

Mas não nego que gostei de saber da volta de Pé na Cova, que segundo li no Ricco vai ter mais duas temporadas. Adoro essa série, mesmo a terceira temporada ter sido um pouco inferior sem a Marília.

Alexandra disse...

Sérgio, concordo. A única repercussão que a série causou foi antes de estrear, com a polêmica. Valeu pelo texto sempre inspirado do autor, e pelas presenças de Maria Gladys e Débora Duarte. as protagonistas pouco convenceram. Realmente, passou batida. Do Falabella, prefiro ''Pé na Cova'', ''Toma Lá da Cá'' e as novelas ''Salsa e Merengue'' e ''A Lua me disse''.

Claudio Aparecido Reis Reis disse...

Em termos Dramaturgicos, o maior acerto do Miguel foi Salsa e Merengue.

Sérgio Santos disse...

A série foi fraca, Thallys. E desinteressante.

Sérgio Santos disse...

Foi uma série ruim, Alexandra. E A Lua me Disse eu adorei. Foi uma novela deliciosa.

Sérgio Santos disse...

Salsa e Merengue eu não acompanhei, Claudio, mas fez sucesso mesmo.

Anônimo disse...

Acho que o talento de miguel Falabela se encaixa melhor em Zorra Total que é de altíssimo nível assim como ele. a série foi muiiiito fora do contexto! Um episódio bastava!

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelo comentário, anônimo.