segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rosi Campos foi valorizada como merecia em "Êta Mundo Bom!"

Uma das qualidades de Walcyr Carrasco é a valorização dos atores experientes. Eles são destacados em todas as suas novelas e o autor sempre faz questão de presenteá-los com bons papéis. Tanto que os casais de 'veteranos' costumam ter uma boa importância nas suas histórias, protagonizando cenas sensíveis e bem escritas. Baseado, então, no histórico mencionado, a escalação de Rosi Campos para "Êta Mundo Bom!" foi uma ótima notícia. E, assim que o folhetim estreou, ficou perceptível que a intérprete seria valorizada como merecia.


A atriz ganhou a carismática Eponina ---- que havia sido escrita para a também talentosa Jandira Martini (que não pôde aceitar em virtude de compromissos com o teatro) ----, praticamente uma Cinderela que passou da idade de viver o primeiro amor e encontrar seu príncipe. Ingênua, atrapalhada e com um forte sotaque caipira, a personagem é uma das principais do ótimo núcleo da fazenda e um dos grandes destaques da novela. Considerada um estorvo na família, a irmã de Quinzinho (Arty Fontoura) não tem uma relação amistosa com a cunhada Cunegundes (Elizabeth Savalla), mas foi praticamente a mãe postiça de Candinho (Sérgio Guizé) e Mafalda (Camila Queiroz), tendo ainda um imenso carinho por Filó (Débora Nascimento) e Quincas (Miguel Rômulo).

A virginal senhora ainda é apaixonada pelas rádio-novelas e tem uma autoestima bastante elevada, pois sempre achava que os homens que iam à fazenda estavam interessados em seu decote e suas 'ancas'. Rosi Campos sempre foi uma ótima comediante e incorporou uma caipira pura brilhantemente, se adaptando perfeitamente ao texto do autor, com quem trabalha pela primeira vez.
A Eponina é cativante e a atriz foi um dos trunfos da trama das seis. Sua química com os colegas, inclusive, é maravilhosa e todas as cenas protagonizadas ao lado de Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Flávio Migliaccio, Mauro Mendonça, Marco Nanini, Miguel Rômulo, Anderson Di Rizzi, Jeniffer Nascimento e Dhu Moraes são ótimas e muito divertidas.

A personagem cresceu ainda mais quando formou uma dupla dinâmica com Mafalda. A tia e a sobrinha passaram a nutrir uma curiosidade avassaladora sobre o 'cegonho' e todos os diálogos das caipiras proporcionaram momentos impagáveis. A sintonia entre Rosi e Camila é impressionante e Walcyr sabe aproveitar isso com competência, sempre escrevendo e criando situações cômicas para as duas. A trama de Eponina, aliás, sofreu uma virada com a chegada de Pandolfo (Marco Nanini), o irmão gêmeo de Pancrácio, por quem ela sempre foi apaixonada. Após sofrer uma forte decepção ao constatar que seu amor estava interessado em Anastácia (Eliane Giardini), a caipira encontrou uma luz no fim do túnel quando se deparou com um homem idêntico ao professor de filosofia.

O início do romance dos dois primou pela pureza, parecendo um namoro infanto-juvenil. Porém, não demorou para a relação mergulhar por completo na comicidade, principalmente quando o assunto 'cegonho' voltou a entrar em pauta. Afinal, assim que o casamento foi marcado, o medo da personagem começou a aumentar. E as situações ficaram ainda mais engraçadas depois do casório, pois Pandolfo não se interessou em 'estreitar' a intimidade do casal, deixando Eponina desesperada e cada dia mais impaciente. A 'saga' atrás do 'cegonho' escondido foi divertidíssima ---- tendo gemada, ovo de codorna e promessas para o Santo Expedido como componentes principais ----, proporcionando hilários momentos para a atriz, que soube aproveitá-los expondo o seu conhecido talento.

Entretanto, apesar de interpretar um perfil essencialmente cômico, é importante ressaltar que Rosi também viveu algumas situações dramáticas na novela, como a linda cena do primeiro capítulo, por exemplo, quando Eponina dá para Candinho o medalhão de sua mãe e o incentiva a procurá-la. Foi uma sequência emocionante, assim como o instante que a caipira percebe que Pancrácio não ficará com ela. É muito gratificante poder assistir a tantas cenas boas protagonizadas pela atriz, que estava merecendo um papel como esse há tempos.

Isso porque Rosi Campos estava fazendo figuração de luxo há praticamente seis anos. Após o imenso sucesso da Edilásia Sardinha (a Mamuska) em "Da Cor do Pecado" (2004), a intérprete foi uma coadjuvante sem importância em "América" (2005), mas ganhou uma ótima personagem um ano depois, no remake de "O Profeta" (2006), quando viveu a vidente charlatã Madame Rúbia. Já em "A Favorita" (2008) era apenas uma figurante, interpretando a jornalista Tereza, amiga de Zé Bob (Carmo Dalla Vechia). Em "Cama de Gato" (2009), ela teve mais sorte e viveu a engraçada Genoveva, dona de uma pensão, ganhando um destaque interessante. Porém, depois da sequência de três ótimos perfis e dois péssimos, não havia mais recebido um bom papel sequer desde então.

A atriz foi uma mera figurante sem história em "Insensato Coração" (2011), "Salve Jorge" (2012), "Joia Rara" (2013) e "Babilônia" (2015). Coincidentemente, foram quatro novelas fracas e muito mal desenvolvidas. A respeitada profissional que fez sua carreira no teatro e na televisão parecia esquecida pelos autores, que não a valorizavam como merecia. Até que, finalmente, veio a Eponina de "Êta Mundo Bom!", encerrando esse ciclo que aparentava ser eterno. Walcyr Carrasco foi uma espécie de 'salvador', colocando a intérprete no lugar de onde ela nunca deveria ter saído: o de destaque.

Rosi Campos é um dos pontos fortes do atual fenômeno das seis e a caipira tem sido a responsável por alguns dos momentos mais engraçados da novela, que prima pelo humor pueril. A atriz merecia uma personagem como essa há muito tempo e a querida Eponina veio em boa hora.

16 comentários:

Décio Lucas Pereira Rodrigues disse...

Mais um ótimo texto. Rosi Campos foi ótima em Êta Mundo Bom!. Finalmente foi valorizada.

Gabriella disse...

Adorei a observação de que todas as novelas que não aproveitaram o talento dela foram péssimas. Foram mesmo.

Anônimo disse...

Rosi Campos é excelente e sua personagem realmente faz a diferença no núcleo caipira de Eta Mundo Bom. Ela consegue emocionar em cenas dramáticas ao mesmo tempo em que faz um humor muito bom sem precisar de berros em cenas.

Uma obs: Não tem como ver Epônina e não imaginar Neusa Maria Faro no papel. Aliás a personagem lhe cairia como uma luva.
Uma pena ela ter tido problemas de saúde e não ter feito Olimpia Castelar (Acho que a importância da personagem foi bem diminuída por conta de sua saída da novela).

Fabiana disse...

Ela esteve maravilhosa e foi mt bom vê-la valorizada como merece.

Anônimo disse...

Quando essa novela acabar a Globo vai entrar numa crise braba porque só teremos novelas ruins no ar. Só salvará Justiça que nem novela é.

Bell disse...

Sempre admirei ela.

bjokas e um ótimo dia =)

Pâmela disse...

Adorei o texto, como sempre.
Rosi é maravilhosa e seu último grande papel foi a inesquecível Mamuska de Da Cor do Pecado. Achei um absurdo ela ser mera figuração em Salve Jorge agora finalmente sendo valorizada, isso é ótimo, que continue assim!

Ed Taborda Assunção disse...

Ela é ótima mesmo e realmente tava apagada por que só pegava papel ruim. Eu até curtia Babilônia, mas mal lembro dela lá. Não assisto Eta Mundo Bom, mas a repercussão do cegonho é inegável.
Abraços

Sérgio Santos disse...

Finalmente, Décio!

Sérgio Santos disse...

Foram sim, Gabriella!

Sérgio Santos disse...

Anonimo, eu wsou um grande fã da Neusa e vc deve saber se me acompanha.l A sua saída da novela me deixou mt triste pq só Walcyr a valoriza. E nem soube mais nada da saúde dela. To preocupado com isso. Ela como Olimpia seria maravilhoso!

Sérgio Santos disse...

Foi sim, Fabiana!

Sérgio Santos disse...

Verdade, anonimo...

Sérgio Santos disse...

Eu tb, Bell!

Sérgio Santos disse...

Nossa, foi mt absurdo, Pâmela. E as outras novelas que eu citei fizeram a mesma sacanagem com ela. Ainda bem que isso foi quebrado. bjsssss

Sérgio Santos disse...

O cegonho virou um personagem à parte, Ed. Abçs