terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ousada e caprichada, "Justiça" mostra a força de sua história logo no início

"Existe justiça na vingança? Fazer silêncio é fazer justiça? A justiça é mais cega do que a paixão? Se a lei não faz justiça, então ela serve para quê? Falta de justiça tem cura?" Baseada nessas premissas bastante pertinentes, estreou nesta segunda-feira (22/08) a nova minissérie da Globo. "Justiça" ---- escrita por Manuela Dias (responsável pela elogiada "Ligações Perigosas" no início do ano) e dirigida por José Luiz Villamarim (diretor das primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") ---- estava cercada de expectativas em virtude das suas chamadas arrepiante. E o início da produção já honrou toda a ansiedade pela estreia, expondo a força de sua história (ambientada em Recife, fugindo um pouco do eixo RJ/SP) logo na primeira semana.


A minissérie conta o enredo de uma forma bem ousada, já observada nas séries "Sessão de Terapia", no canal a cabo GNT, e "Os Experientes", na Globo. São quatro histórias independentes que se cruzam, mudando a condição de destaque dos personagens de acordo com o dia. O protagonista de segunda é o coadjuvante de terça e quase uma figuração na quinta, servindo ainda de elenco de apoio na sexta, ou vice-versa. Mas todos acabam sempre presentes, independente do episódio. Na estreia, por exemplo, o público foi apresentado ao drama de Elisa (Debora Bloch), mulher que planeja se vingar do homem que matou sua filha.

O primeiro capítulo expôs o conjunto muito bem entrelaçado da minissérie, mesmo contando somente o enredo daquela mãe dilacerada por dentro. Isso porque já foi possível ver o estopim das três outras tramas: Rose (Jéssica Ellen) e Débora (Luisa Arraes) comprando drogas --- perfis centrais das quintas ---, e o pânico de Maurício (Cauã Reymond) --- protagonista das sextas ---, assim que sua esposa (Beatriz - Marjorie Estiano) é atropelada. O chocante atropelamento foi visto por Elisa, que saía de um restaurante com um rapaz mais novo.
E a mesma Elisa é patroa de Fátima (Adriana Esteves), personagem central das terças, que demonstrou preocupação ao ver uma matéria na televisão sobre a greve de ônibus na empresa onde seu marido trabalha. Empresa essa que é do pai de Vicente (Jesuíta Barbosa), noivo de Isabela (Marina Ruy Barbosa), voltando então para o enredo principal das segundas.

Os quatro protagonistas foram presos em 2009 e ficaram sete anos na cadeia. A cena mais emblemática da minissérie é do quarteto sentado, esperando o chamamento para o registro da ficha criminal. A história de segunda começou em 2016 com uma cena de sexo protagonizada por Elisa e Heitor (Cássio Gabus Mendes). Após a transa, ela diz que não pode ficar com ele e explica o motivo: vai matar Vicente, que sai da cadeia no dia seguinte. A personagem se mostra indignada com a pena branda do assassino de sua filha, se negando a escutar qualquer tipo de conselho do seu namorado, o reitor da universidade onde leciona ---- ironicamente, é professora do curso de advocacia. Depois desse término do casal, o enredo volta no tempo sete anos para contar detalhadamente tudo o que ocorreu.

É possível observar o comportamento obsessivo de Vicente, que procura controlar de todas as formas as atitudes bastante 'liberais' de Isabela, principalmente quando a menina está junto do ex-namorado durante uma reunião de amigos. A relação de cumplicidade de mãe e filha também é visto com clareza, assim como o interesse que Isabela tem pelo 'patrimônio' do namorado. Tudo começa a ruir quando Euclydes (Luiz Carlos Vasconcelos) é roubado pelo sócio Antenor (Antônio Calloni) e se vê obrigado a decretar falência na sua empresa de ônibus, em meio ao movimento dos funcionários, revoltados com os atrasos no pagamento. A crise nos negócios do pai de Vicente acende o sinal de alerta em Isabela, que decide adiar o casamento. O rapaz, sempre intempestivo, acaba aceitando, mas, bêbado e levando sempre a sua arma na calça, volta para o apartamento da garota com o intuito de manter a data do casório. Ele acaba flagrando a noiva transando com o ex-namorado no chuveiro e a mata com três tiros, para o desespero de Elisa.

A cena da mãe abraçando o corpo nu e ensanguentado da filha no box do banheiro, enquanto cai a água do chuveiro, foi impactante. Débora Bloch está simplesmente magistral e ganhou um excelente papel. Já Jesuíta Barbosa também merece elogios por mais um bom trabalho, desta vez vivendo um sujeito ciumento e passional. Quem também se destacou, apesar da curta participação, foi Marina Ruy Barbosa na pele da sensual Isabela. Vale mencionar, ainda, o capricho no detalhe do jornal impresso noticiando todas as prisões do enredo. E o gancho do primeiro capítulo fechou esse início de minissérie de forma primorosa: o momento em que Elisa vai para a porta do presídio e aponta sua arma para Vicente foi de tirar o fôlego, principalmente quando ensaia um recuo ao ver a aproximação da filhinha e da esposa do ex-presidiário, que nem sabia que existiam. A continuação dessa trama, aliás, só irá ao ar na próxima segunda.

Já o segundo capítulo contou a história mais forte de todas, protagonizada por uma entregue Adriana Esteves. O interessante foi ver a mesma cena exibida na estreia (com empregada preocupada com o marido vendo a matéria na televisão) sob o ângulo de Fátima, tendo Elisa e Isabela como figurantes. E o enredo da personagem é repleto de tragédias, justamente para sensibilizar o telespectador, uma vez que ela mata o cachorro do vizinho com vários tiros. Antes de chegar a esse ponto, a batalhadora mulher enfrenta uma sucessão de problemas. A chegada dos vizinhos ---- o policial Douglas (Enrique Diaz) e a periguete Kellen (Leandra Leal) ---- arruína a vida de sua família, que vivia bem até então. O agressivo cachorro do casal passa a invadir o terreno de Fátima e chega a matar quatro galinhas dela, aborrecendo o seu marido, Waldir (Ângelo Antônio), que trabalha como motorista de ônibus.

O motorista sempre foi um pai presente e um esposo amoroso. Ele, por sinal, é quem liga pedindo uma ambulância para Beatriz, pois estava guiando seu ônibus quando foi ultrapassado por Antenor (fugindo, após dar o golpe em Euclydes) e acabou vendo o homem atropelando a esposa de Maurício. Pouco depois de prestar essa ajuda, já estressado por tudo o que vinha acontecendo, Waldir se envolve em uma briga de bar e é atingido com uma facada. O chocante momento é presenciado por Fátima e pelos dois filhos do casal. Para culminar, após internar o marido no hospital público, a empregada vê o filho Jesus (Bernardo Berruzo) sendo atacado pelo cachorro dos vizinhos, ficando com o braço ensanguentado. É nesse instante que a personagem mata o animal, provocando um inferno ainda maior na sua vida. O policial se vinga plantando drogas em sua casa, implicando na prisão da vizinha. Ao contrário da estreia, não houve uma volta no tempo e sim uma passagem de sete anos, mostrando Fátima saindo da prisão e se deparando com sua casa abandonada, tomada por mato. O gancho, com ela ameaçando o bêbado Douglas com um facão, foi ótimo. Adriana está irretocável.

"Justiça" estava prometendo bastante com as suas chamadas e já vem cumprindo logo na primeira semana de exibição. A força de suas histórias foi exposta rapidamente, sem enrolação. O formato inovador instiga o público e exige uma maior atenção, pois todas as histórias são bem detalhadas e entrelaçadas. Uma outra ousadia que merece menção, aliás, é a estratégia da Globo em exibir os quatro primeiros episódios na Globo Play para os assinantes da Globo.com. Uma atitude corajosa que faz jus ao capricho do produto. A trilha sonora é mais uma êxito da produção, sendo necessário destacar a tocante música "Hallelujah", cantada por Jeff Buckley, tema de todos os personagens centrais. A autora Manuela Dias e o diretor José Luiz Villamarim começaram esse novo trabalho com o pé direito e a minissérie tem tudo para manter essa visível qualidade até o final. Que assim seja.

44 comentários:

Flávia disse...

Estou impactada com essa estreia. E endosso todo o texto!

Anônimo disse...

Que minissérie MARAVILHOSA!!!!!!!!!!!!!

Ulisses disse...

Que grande produção. Promete muito.Não tinha visto no Globo Play e fui impactado com esse excelente enredo.Muito boa a sua crítica.

Clara disse...

Uma minissérie que tem tudo para ser a produção mais rica de 2016.O elenco é fantástico e a trama muito bem amarrada.Achei essa estreia perfeita.

Giovany Gdss disse...

QUE ESTRÉIA!!! Eu só pude assistir ao primeiro episódio por não ser assinante do globo play; mas foi muito bom. Todas as cenas com entrega de todos os atores, as histórias entrelaçadas, a cena triste e muito bem produzida da morte de Isabela, enfim, foi tudo ótimo. Débora Bloch está maravilhosa em seu papel, assim como o Jesuíta Barbosa, que até então não conhecia, mas parece ter talento.
A série é ousada em todos os sentidos, e muito caprichada. Aguardando ansiosamente os próximos capítulos!

Felisberto N. Junior disse...

Olá,Sérgio....sim, essa minissérie, 'Justiça' veio com tudo e promete bastante, principalmente com esse formato inovador, protagonista de segunda é o coadjuvante de terça etc etc e pelo menos, até então, as histórias bem entrelaçadas, a grande Adriana Esteves e a produção ótima.
Parabéns pela análise!Feliz semana, belos dias,abraços!

Fernanda disse...

Espetáculo de produção. E esse José Luiz Villamarim é mestre. Dirigiu impecavelmente as igualmente impecáveis O Cato da Sereia, Amores Roubados e O Rebu. Agora essa beleza de Justiça.

Gabriel disse...

Estreia primorosa. O argumento da série é bom, a trilha sonora é foda e a estética de documentário casa mt bem com a proposta da minisérie. Fiquei um pouco decepcionado com "Liberdade,liberdade", mas Justiça deu de volta o brilho ao fim de noite da Globo.

Adorei a ideia desse formato diferente em que cada dia da semana vai contar uma história diferente mas q se cruzam. Já no primeiro capitulo foi mt legal ver essas cenas cruzadas, com personagens q a gente ja sabe q vão aparecer nos outros dias da semana como protagonistas, sendo codjuvantes. Já quero ver essas mesmas cenas sobre óticas diferentes ao longo da semana, vai ser demais!

Gosto de ver a Globo testando novos formatos, esse ano eles ainda vão estrear a série "Supermax" com tema se sobrenatural e terror que apesar de não querer assistir (não gosto de terror), torço mt pelo sucesso tbm, quero ver a emissora inovando cada vez mais, apesentando formatos diferentes, mostrando q no Brasil da para fazer várias coisas além das novelas.


Ps: A minissérie ja é carregada de cena dramática ainda botam Hallelujah de fundo... querem acabar com a gente.
PS 2: No final do capitulo uma invejinha da galera q assina a globo.com q já pode ver todos os episódios da semana, com essa ação a lá netflix da Globo.

Izabel Ramos disse...

Se o objetivo era deixar o telespectador sem fôlego e prendê-lo com uma história incrível que só vai ter continuidade uma semana depois, missão realizada com sucesso! O primeiro episódio de ‪mostrou a história de Elisa, uma professora que não é capaz de perdoar e se conformar com a morte da filha, Isabela, assassinada à queima roupa (em uma sequência impactante) depois de flagrada em uma traição... pelo noivo Vicente.

Lulu on the sky disse...

Gostei muito das interpretações do Jesuita Barbosa, Débora Bloch e Marina Ruy Barbosa. Prestei bem atenção nos detalhes com outras histórias como por exemplo, a Debora Bloch viu o Cauã socorrendo a Marjorie Estiano, enquanto um carro de quem atropelou fugiu.
big beijos

Pamela disse...

Oi Sérgio.
Eu amei o seriado (pode chamar assim? rs) tenso, com cenas impactantes, com um elenco afiado, uma primorosa e uma história de tirar o fôlego. Débora ontem deu um dos maiores shows de sua carreira, jamais vou esquecer a cena em que a mãe vê a filha morta, é forte demais. E nesse seriado volta também um dos atores que mais admiro (junto com o Mateus Solano e o Murilo Benício) : Cássio Gabus Mendes que como você bem citou é o reitor da universidade, casado com Elisa. Ele terá um caso com Sarah, aluna dele na universidade, ninfeta vivida pela Priscila Steinman (lindíssima, por sinal). Promete!

Zilani Célia disse...

OI SÉRGIO!
AINDA NÃO VI NENHUM CAPÍTULO MAS, PRETENDO COMEÇAR ASSIM QUE DER.
MAS LENDO TEU TEXTO, JÁ ME INTEREI UM BOM POUCO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Izabel Ramos disse...

Roteiro, atuações e direção cinematográfica apresentados neste primeiro capitulo, não foram os elementos que realmente prenderam a atenção e audiência do grande público. Foi a personagem Marina Ruy Barbosa que fez o clima esquentar ao protagonizar cenas de sexo
As redes sociais, consumidores e ibope alopraram com sequencia de sexo com direito a nudez, tapinas no bumbum e muita pegação. Com um enredo e grandiosa estrutura desse tipo, é preciso apelar para teor sexual quando é horário de 23h?
O contexto pode até conter um apelo sexual, mas deixa de descaradamente intencional e desnecessário. Antes de verdades Secretas, as produções da globo eram mais que isso.

Izabel Ramos disse...

Nudez esta que nunca se viu tanto na Rede Globo. Um festival de bundas femininas e, surpreendentemente, masculinas com Verdades Secretas. Depois de Danny Bond (Paolla Oliveira) na minissérie Felizes para Sempre?, a bunda tornou-se fetiche da emissora. Fetiche e sinônimo de uma suposta ousadia. Uma ousadia atrasadíssima. O furor causado pelas cenas de nudez é constrangedor para um país que já exibiu justamente o glúteo da Marina Ruy Barbosa em abertura de novela (!).

Adriana Helena disse...

Bravo, bravo Sérgio!!!! clap, clap, clap!
Aplaudo de pé a estreia desta primorosa minissérie que agora foi coroada com seu riquíssimo texto!!
Que espetáculo de criação e direção amigo!
Talentos precoces e revelados que nos fazem delirar!

Ambos os capítulos apresentados foram de tirar o fôlego e muito bem apresentados!!
Destaco a atuação de Adriana Esteves que está incrivelmente magistral!!
Realmente é um marco esse entrelaçamento de estórias e personagens!
Ah, a trilha sonora, de arrepiar!!!

Obrigada amigo, por essa análise impecável!
Faz tempo que não vinha aqui, tirei umas férias e ao voltar me surpreendi!!
Tenha um maravilhoso fim de semana!!
Beijos!! :))))

Ed Taborda Assunção disse...

Sérgio essa série é tão boa que não tenho nem o que falar, só concordar com o seu texto. O elenco é maravilhoso e todas as histórias também. As tramas da Adriana Esteves e da Marjorie Estiano foram as que mais me conquistaram, mas todas são envolventes. Essa série merece muitos prêmios.
Abraços

Anônimo disse...

Um historia intrigante, um elencaco, uma direção caprichada e uma autora inspirada. Todo o sucesso de crítica e público e merecido a "Justiça"!!! E como é bom ver todas as noites Débora Bloch, Drica Moraes, Marjorie Estiano e Adriana Esteves. Só o melhor do melhor do melhor!!

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Flavia!

Sérgio Santos disse...

Demais, anonimo!

Sérgio Santos disse...

Valeu, Ulisses.

Sérgio Santos disse...

Eu tb, Clara!

Sérgio Santos disse...

Endosso seu comentário, Giovany!

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Felis. Promete mesmo!

Sérgio Santos disse...

O José é um baita diretor, Fernanda!

Sérgio Santos disse...

Tb não gosto de terror, Gabriel, mas Supermax tá prometendo mesmo. E Justiça é um espetáculo. Concordo com tudo o que vc escreveu.

Sérgio Santos disse...

Concordo, Izabel. E a imprensa costuma repercutir mesmo a nudez nessas tramas das onze, mas o conteúdo também foi muito elogiado. O mesmo ocorreu com Verdades Secretas. Mas a Marina nem ficou nua mesmo, pois não apareceu nada.

Sérgio Santos disse...

Exatamente, Lulu. bjs

Sérgio Santos disse...

Claro que pode, Pãmela. E é mt bom ver o Cássio em uma produção boa de verdade, depois de Babilônia. A Debora está magistral e o elenco é mt bem escalado. Esse envolvimento do reitor com a aluna promete também! bjssss

Sérgio Santos disse...

Veja, Zilani, vale mt a pena!

Sérgio Santos disse...

Adriana, vc sempre carinhosa. Mt obrigado. =) bjão

Sérgio Santos disse...

E como merece, Ed! Abraços!!!!!

Sérgio Santos disse...

Melhor do melhor mesmo, anonimo!

Sérgio Santos disse...

A Marina com bunda de fora em abertura de novela, Izabel? Não lembro disso.

Izabel Ramos disse...

Devemos nos lembrar que o Brasil ainda é um país racista, mas que o faz de forma velada. Existe um abismo na forma como um negro e um branco são enxergados em determinados ambientes e o roteiro da competente Manuela Dias explorou perfeitamente isso em uma das melhores abordagens sobre o assunto na nossa teledramaturgia, assim como o abismo existente entre Rose e Débora.
Todo mundo já ouviu alguém dizer "Fulano é praticamente da família". Notem que a ação da polícia em cena é bem clara ao separar negros e revistar apenas estes, como se sua cor já denunciasse seu caráter. Eis aqui, o primeiro dedo na ferida, que a gente finge não enxergar, mas faz parte do nosso cotidiano. O texto foi explícito sobre as diferenças raciais até nas falas da mãe de Rose, ao se fazer valer do passado histórico de sua avó como escrava. E o melhor de tudo: sem cair no didatismo.

Izabel Ramos disse...

Débora, fez da sua justiça o silêncio, numa mistura de apatia e autoproteção. O verdadeiro traficante, Celso, que era namorado de Rose, também se manteve imóvel. E este silêncio custou à garota, mais que sua liberdade, mas a não concretização de seu grande sonho: se tornar jornalista... o que restou de Rose foram cacos despedaçados do sonho não realizado. Agora, além de negra, ela é uma ex-presidiária, o que por si só já serve para arrastar consigo diversos preconceitos e estereótipos e isso ficou claramente apontado por Marcelo. Suas chances não são mais as mesmas, nem sua vida. E ela procura Débora e, numa conversa franca, diz o que em minha opinião foi a síntese do episódio: "Eu só fui entender que eu era preta e pobre na cadeia". Até então, ela nunca havia sido apontada, humilhada ou colocada numa situação de interioridade perante os outros.

Izabel Ramos disse...

O ponto mais sofrível, porém, do episódio foi a desconstrução do tempo cronológico da série, ainda no enredo de 2009, pois vimos a decisão de Beatriz em morrer e Maurício sendo preso após atender ao pedido da amada logo no início para só depois ("três dias antes") vermos o acidente acontecer, a relação do casal e a cena onde Maurício consegue os remédios com Celso. Isso acabou estragando o grande clímax do episódio e jogou foi um balde de água fria na cabeça do telespectador. Também houve um erro de cronologia na delegacia. O Maurício não poderia estar junto dos outros três presos dos outros episódios (Fátima, Rose e Vicente) porque o caso dele é bem mais complexo e demorado. A cirurgia da Beatriz depois do acidente de carro duraria, no mínimo, umas seis horas. Até acordar, diagnosticar a tetraplegia, ela pedir pra morrer, ele conseguir comprar os remédios para matá-la e ser preso, daria uns três dias. Agora tudo isso acontecer na mesma noite, ficou estranho e corrido demais.

Izabel Ramos disse...

Deixa esclarecer estava referindo a cena em que Elisa esta no chuveiro com o antigo namorado, que passou no 1 episodio de Justiça
Depois de Verdades Secretas a globo deu preferencia a nudes... Em liberdade, Liberdade e Ligações Perigosas não houve tanto assim só insinuações, e não afeta uma excelente dramaturgia...
O problema, não é as cenas de sexo, mas elas serem tratadas de forma banal e serem usadas sem precisão. Querem um grande exemplo de obra dramatúrgica? Até a trilogia de "O Poderoso Chefão", que é um filme de gangster, paradoxalmente, pelo que me lembro, não tinha nenhuma cena de sexo. No máximo, insinuações

Izabel Ramos disse...

O problema é a banalização dele... Ao invés do conjunto da obra se destacar, ele que acaba se destacando. Quando eu procuro uma série ou vou no cinema, eu quero ver uma história de verdade, com bom roteiro, boas atuações, boa direção, boa trilha sonora como O Rebu, A Teia, A Cura, Dupla Identidade;
E sem apelação pra compulsivos sexuais como fizeram em Verdades Secretas.
Quanto a série: Elenco, direção, trilha sonora muito bem sincronizados. Trama empolgante, inteligente, articulada... Palmas para Manuela Dias! E só tem a crescer como escritora como ficou demonstrado em Ligações Perigosas.

Izabel Ramos disse...

No segundo episodio: a TV era em HD e a filha da Adriana já fazia selfie kkkkk. Percebi tbm os modelos dos celulares.

Sérgio Santos disse...

Izabel, excelentes comentários. Concordo com quase tudo. Somente a questão dos 'nudes' mesmo que discordo porque não vejo problema em usá-los se o horário permite. E a questão da selfie, já existia em 2009. Só não tinha esse nome ainda.

Izabel Ramos disse...

A novela "Verdades Secretas" Imprimiu o padrão de "causar" entre o público com a exibição das cenas de sexo entre os casais Angel e Alex e Visky e Lourderca movimentarem a internet, foi chegado a vez de Grazi Massafera ficar entre os assuntos mais comentados nessa trama. O que pode esperar dessa manobra de Walcyr? Por audiência, Globo apelou na estreia da novela 'Velho Chico', não se lembra? o personagem Afrânio, com Rodrigo Santoro, apenas faria uma declaração de amor para Iolanda, de Carol Castro. Mas a equipe de produção da Rede Globo, como sempre, para ganhar audiência e criar muita polêmica nas redes sociais, aumentou a dose de atuação dos atores na cama.A novidade da Globo desse ano, são as cenas de "nudes" para garantir pelo menos a audiência.

Izabel Ramos disse...

Mas cá entre nós, o que achei absurdamente fora de todo o contexto foi a Fátima chegar em sua casa depois de sete anos e encontrar um facão novinho e muito brilhante na casinha das galinhas! E logo em seguida o mesmo facão aparece com aspecto velho, no pescoço do seu inimigo Douglas!!?? Será que foi so eu que vi esse detalhe!

Izabel Ramos disse...

Está provado que histórias mais curtas e boas + elenco afiado = sucesso de público e crítica. Excelente. Se a diretora e a qualidade com que fizeram em ligações perigosas então sera muito melhor que Verdades secretas. espero que o final seja muito melhor que em verdades secretas. Walcyr fez uma ousada novela mas o final foi com pontas soltas, argh.

Sérgio Santos disse...

Izabel, não vi problema no facão pq quem roubaria? Só se fosse o Douglas msm pq ali é quase um terreno distante de tudo. E eu achei o final de Verdades Secretas tão excelente quanto toda a novela.