quarta-feira, 13 de março de 2013

Tipos bizarros e humor politicamente incorreto transformam "Pé na Cova" em um grande acerto de Miguel Falabella

A estreia da nova série de Miguel Falabella despertou algumas desconfianças. Apesar de ter mostrado uma turma totalmente descompensada proferindo frases hilárias, era difícil adivinhar o que estaria por vir nos próximos episódios. A tal funerária mal tinha aparecido e tudo acabou ficando muito superficial. Entretanto, bastou o segundo episódio ir ao ar para o telespectador ter certeza de que a diversão estaria garantida até o final da temporada.


Embora sempre tenha tido o humor ácido como principal característica, com "Pé na Cova" Miguel Falabella conseguiu se superar. Sendo beneficiado pelo horário de exibição (depois das 23h), o autor pôde ousar mais e abusar dos diálogos politicamente incorretos, recheados de frases inspiradas. E um texto cômico sendo dito por uma legião de tipos bizarros transformou a série em um grande acerto.

O principal destaque é Marília Pêra. Mais uma vez ela mostra a grande atriz que é ao viver uma suburbana sem papas na língua. Darlene sempre protagoniza divertidas cenas com Ruço (Miguel Falabella) e o papel não poderia
ser interpretado por outra pessoa. Depois de viver uma vilã rica em "Aquele Beijo" --- do mesmo autor ---, Marília novamente se destaca vivendo um tipo totalmente diferente.

Mas não é só a ex de Ruço que diverte. Todos os personagens são responsáveis por sequências hilárias. Adenóide, por exemplo, é a nova Edileusa (Cláudia Jimenes em "Sai de Baixo") e Bozena (Alessandra Maestrini em "Toma Lá Dá Cá"). Interpretada por Sabrina Korgut --- presença rara na televisão ---, a empregada da família sempre se mete em tudo e não cansa de falar dos costumes do seu bairro. Entre suas pérolas, pode-se destacar a resposta quando perguntada se era rural ou urbana: "Sou urbana, mas o doutor já me passou um remédio!".

Outra atriz que quase nunca aparece na tevê (sua última novela foi "Negócio da China" - 2008) e que tem brilhado na série é Eliana Rocha. Luz Divina é uma carpideira que se julga muito atraente e irresistível. Amiga de Ruço, sempre participa dos velórios, mas ao invés de chorar fica contando obscenidades. Sem dúvida essa personagem já entrou na lista dos melhores tipos criados por Falabella.

Como se não bastasse essa turma já citada, ainda há as gêmeas Giussandra e Soninja, donas da carrocinha "Cachorras-Quentes. Karina Marthin e Karin Hils estão totalmente à vontade vivendo duas periguetes, uma branca e outra negra, que vieram da mesma mãe. Mãe essa que transou com dois homens ao mesmo tempo, daí a 'diferença' nítida entre elas. É preciso mencionar também Marcão (Maurício Xavier): um mecânico contido, mas que quando vira a travesti Marcassa se transforma em uma fábrica de frases engraçadíssimas. Niana Machado tem poucas falas mas os gritos da Bá ficaram indispensáveis na história.
Tamanco (Mart`nália), Abigail (Lorena Comparato), Odete Roitman (Luma Costa), Juscelino (Alexandre Zachia), Floriano (Rubens de Araújo) e Alessanderson (Daniel Torres) fazem parte da turma que não tem tanta graça quanto os demais, no entanto, são presenças que também fazem a diferença na trama.

Apesar de exibir uma leva de cenas cômicas e sarcásticas, o seriado também tem um lado melancólico. No final de cada episódio há uma espécie de mensagem para o telespectador refletir sobre vários problemas e tristezas que acometem qualquer ser humano. Normalmente é Ruço o porta-voz da sábias palavras. Essa característica pode até passar despercebida por parte do público, mas é muito válida e mostra uma preocupação do autor a respeito do que é exibido. Rir é bom mas refletir também é.

"Pé na Cova" tem se mostrado uma excelente opção para as noites de quinta-feira. A cada episódio exibido, Miguel Falabella comprova que não estava brincando quando declarou que seu novo seriado  seria cruel, ácido, crítico e apocalíptico. Uma segunda temporada será mais do que bem-vinda. Ainda há muita história pra ser vivida por essa turma de malucos.

31 comentários:

Thallys Bruno Almeida disse...

Perfeito artigo, Sérgio. Pé na Cova É SENSACIONAL!!!!

Elenco ótimo, especialmente Marília, Eliana, Sabrina e o próprio Falabella. E a presença de críticas a essa coisa de "manias de pobre", "nova classe C", corrupção política, "jeitinho brasileiro", levar vantagem em tudo, etc é o que garante a acidez e a excelência do texto. É tanta cena divertida que é difícil destacar uma só.

Arrisco dizer um dos melhores trabalhos do Falabella, ainda melhor que A Vida Alheia que foi outra série excelente. Um seriado perfeito, mostrando a excelência de Miguel nesse formato (se não me engano, em novelas as mais elogiadas dele foram A Lua me Disse e Salsa e Merengue) e que nos fez esquecer a impressão deixada pelo trabalho anterior dele (a mediana Aquele Beijo). Abçs!

Carlos disse...

Não consigo gostar dessa série. Tudo pra mim soa "velho" e repetitivo. Uso os dois adjetivos não em relação a que já teve na TV, pq se for assim, NUNCA mais teremos algo de fato inédito. Usei pelos tipos que Falabella já apresentou em outros trabalhos, como você mesmo citou, nessa série temos a empregada "Edizena", temos também uma nova "ném" como diria Copélia, a personagem de Marília. Temos também a burra, que logo logo deve ficar mais burra ainda (se bem que nesse quesito todos são rsrs).

As interpretações? Sem comentários. Ainda bem que tem Marília, como aliás, elogiei no primeiro episódio. Assisti todos os episódios e ela é a única que salva (forçando dá pra colocar a empregada), mas é tudo muito exagerado, desde as interpretações ao texto.

Traduzindo: tudo já visto nos trabalhos anteriores do Falabella. Pra mim essa série é muito fraca, a mais fraca dele e não vejo uma vida muito longa. Posso estar errado, mas pra mim essa série já nasceu como o próprio título sugere.

Abraços

EDER RIBEIRO disse...

Não assisti "Pé na cova", porém, não gosto das séries do Falabella, por achá-las esterotipadas e preconceituosas. Abçs.

Kellen Bittencourt disse...

Oii amigo, não consegui ver nenhum episódio ainda, durmo antes rsrsr Abraçosss

paulo disse...

A pergunta é: alguem consegue achar graça nisso? Ô coisinha chata essa série, não assisto e nem tenho paciencia pra isso mas os poucos trechos que ví e pelos comentarios na internet parece ser um saco. Aliás não me lembro de NADA que eu assista na TV Globo atualmente, salvo alguns capitulos de GDS, video-cassetadas do Faustão, telejornal local e mais nada mesmo. Parabens a quem tem paciencia.

Felisberto Junior disse...

Olá!
Sérgio
partindo de "Rir é bom mas refletir também é.", vejo que Falabella, do qual não sou muito fã, conseguiu com seu
humor irreverente e profundamente popular direcionar-se às relações sociais, e no lugar de se deter à "receita do bolo", que é igual à todos, busca "encenar" o porquê existem diferenças entre os bolos da mesma receita ...quando estes problemas de preconceitos e discriminações não nos afetam diretamente, o ranço da indiferença é persistente e nos deixa alienados quando não fazemos parte deste "bolo", enquanto muitos tem que lidar com os limites e os preconceitos, numa luta constante de sobrevivência e superação...
Gosto da Marília Pera...
Bom dia de quinta feira
Abraços

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Respeito sua opinião, Sérgio, mas, do pouco que vi, não gostei de nada e não senti vontade de acompanhar a série. Mas não nego o talento de escritor de Miguel Falabella e da grande atriz Marília Pêra .

Rita disse...

Acho que la juntou todos os
cômicos, cada um merece um aplauso
e Falabella pra mim é um swhouuu
Amo esse ator, e todos formam com grande alegria e bom humor
Bjuss
Rita!!!

Rafael Barbosa dos Santos disse...

No começo, eu tinha um pé atrás com a série, acha os personagens ótimos, mas a situações envolvendo a funerária ficaram em segundo plano, pelas cenas loooooongas, e algumas coisas forçadas, com alguns textos reflexivos fora de hora. Mas passados uns três episódios, eu me rendi a série, e tudo isso que incomodava deixou de incomodar. Os episódios foi ganhando mais dinamismo, fui me acostumando com as loucuras dos personagens e as situações ficando cada vez mais engraçadas. É impossível não rir dessa turma, não rir com as pérolas ditas por eles e com as situações cada vez mais engraçadas. A cada semana o seriado melhora e surpreende de alguma forma. Os diálogos reflexivos se mantém no final do episodio, mas agora soa mais natural, trás um pouco de humanidade aquele universo completamente surreal, e é meio que a moral de cada episodio. Acho que o ponto forte de Pé na cova, que dá um diferencial a série, é o diálogo sem dúvida o humor crítico e politicamente incorreto dito pelos personagens fazem toda a diferença e são geniais. Eu adoro todos, mas meus preferidos são preferidas, adoro a Darlene e Luz Divina, com as duas é gargalhada na certa. Enfim, posso dizer que é o melhor trabalho do Miguel como criador/autor que eu pude acompanhar, e uma dos melhores seriados de humor brasileiros que já assisti. Vida longa a Pé na Cova!!

Abraços

Carolina Lima disse...

Gosto das produções do Miguel Falabella.

beijinhos :**
Carol
www.umblogsimples.com

Lulu disse...

Sérgio, eu não consegui rir com esse seriado sabia?
Big Beijos

Lu Nogfer disse...

Ola Sergio

Quase não assisto a série mas o pouco que vi a Marília continua dando um show de artista "Monstro Consagrado". E o Miguel, eu tenho que reconhecer que ele me faz rir mas nessa série acho que ele esta mais compenetrado. Sei lá. Nao da pra falar muito.
Quanto a você ja se consagrou por aqui, hein! Te dou nota 1000 em teus textos tao bem elaborados! Parabéns!


PS:
Querido,
Sei que ando sumida e hoje estou passando para avisar que vou ficar um pouquinho mais sumida ainda. Mas só por um tempo necessário. Em breve estarei de volta! Em meio a ausência eu apareço pra matar as saudades.

Muito obrigada pelo carinho de sua amizade!

Beijos e até!

Paty Michele disse...

Ah, essa eu adoro!
Não é sempre que eu assisto, mas das poucas vezes que vi, amei!
Engraçadíssimo, as situações são surreais demais, os personagens amorais e o texto impagável.
Eu recomendo!

Bjs, Sérgio.

Anônimo disse...

Miguel voltou a acertar a mão, e conhece os subúrbios do Rio como ninguém. Se alguém for a Madureira, Cascadura, vai encontrar esses personagens. E no final, a reflexão do personagem Ruço é bem interessante.

Anônimo disse...

Miguel voltou a acertar a mão, e conhece os subúrbios do Rio como ninguém. Se alguém for a Madureira, Cascadura, vai encontrar esses personagens. E no final, a reflexão do personagem Ruço é bem interessante.

Sérgio Santos disse...

Thallys, como também adorei A Vida Alheia não consigo estipular uma melhor. Mas Pé na Cova foi um grande acerto e a segunda temporada é merecida.

Adorei A Lua me Disse. Merecia ser reprisada. Aquele Beijo começou promissora mas decepcionou. Abraços!

Sérgio Santos disse...

Carlos, eu gosto muito da série. Mas sei que é um estilo que desagrada a muitos. Muitas vezes há mais ênfase nos diálogos do que nas ações. Eu gosto mas admito que abre margem para críticas.

Não vejo problema na empregada ser parecida com essas anteriores. Achei que o autor fez uma boa união do subúrbio com uma cenário fúnebre. Abraços!

Sérgio Santos disse...

Oi Eder. Respeito sua opinião. Abraços.

Sérgio Santos disse...

O horário é bem tardio pra vc mesmo, Kellen. bjs

Sérgio Santos disse...

Eu consigo, Paulo. Sim, percebo que sua paciência para a programação atual é quase nula. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Oi Felis. Obrigado pelo comentário. Considero essa reflexão final um dos acertos da série. Não soa piegas e faz parte do contexto. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Oi Elvira. Sem problemas, também respeito sua concepção. Bjssss

Sérgio Santos disse...

Oi Rita. A turma é muito boa. rs Bjs!

Sérgio Santos disse...

Rafael, também tive desconfianças iniciais. Achei o primeiro episódio equivocado na apresentação dos personagens, mas vi futuro. E confirmei minhas esperanças. É muito bom. Também considero Luz Divina e Darlene as melhores personagens. Uma segunda temporada virá. Abraços.

Sérgio Santos disse...

Oi Carolina, obrigado pelo comentário. bj

Sérgio Santos disse...

Acredito sim, Lulu. Muita gente não gosta desse estilo do Falabella. Bjs!

Sérgio Santos disse...

Oi Lu. Muito obrigado pelo carinho e elogio. Bom descanso e até a volta. bjs

Sérgio Santos disse...

Oi Paty! Também recomendo! rsrs A turma é bizarra e as situações hilárias. Bjs!

Sérgio Santos disse...

"Anônimo", concordo com vc. Abraços!

Carlos disse...

Antes fosse preguiça só na personagem da empregada. Não, tem vários personagens nessa série que são um "copia e cola" de alguma série dele anterior. Problema nenhum se fosse a segunda repetição, mas terceira? Muito batido.

E ta aí, interessante vc falar nos diálogos, que nem tinha mencionado. Pode reparar que sempre é algo referido ao passado: "uma vez tava passando na rua..."," uma amiga minha dizia...", "poxa lembra daquele dia..." e no final vem a piadinha. Miguel não sabe fazer um humor no "presente", com diálogos baseados na situação dos personagens, quando faz tem uma apelação no meio ou alguma piada já antiga, fora o uso dos bordões, que por enquanto ele está cauteloso.

O tema morte nem vejo como problema, o ruim mesmo é a fraqueza do programa que está entupido de personagens, sendo que se trata de uma série. Abraços!

Sérgio Santos disse...

Exato, Carlos. Falei dos diálogos justamente por isso. Percebo que é muito no passado mesmo e que as ações são poucas. Vejo aí um motivo para críticas, mas não me incomoda porque acho o texto genial. Só que compreendo quem não gosta.

Hoje já foi confirmado que haverá mesmo uma segunda temporada. Abraços!