terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Haja Coração" tinha todos os ingredientes de uma ótima novela das sete, mas deixou a desejar

Foram apenas cinco meses no ar e 139 capítulos. "Haja Coração" estreou em 31 de maio, excepcionalmente uma terça-feira, e chegou ao fim (também excepcionalmente) nesta terça, dia 8 de novembro ---- o caso da estreia houve a justificativa plausível de adiar o fim de "Totalmente Demais" para não enfrentar um feriado prolongado, mas no caso da trama atual foi algo gratuito e desnecessário mesmo. A segunda novela de Daniel Ortiz foi um remake de "Sassaricando" (1987), grande sucesso de Silvio de Abreu, e cumpriu sua missão no quesito audiência: teve média de 27,5 pontos, empatada tecnicamente com o fenômeno anterior de Rosane Svartman e Paulo Halm (27,4). Excelentes números. Porém, a produção poderia ter sido muito melhor do que foi.


Após seu bom trabalho como estreante em "Alto Astral" (2014), o autor apresentou um início promissor de seu segundo folhetim. Havia ali todos os ingredientes de uma deliciosa novela das sete. E o primeiro mês foi animador, onde a dupla formada por Fedora (Tatá Werneck) e Teodora (Grace Gianoukas) logo se destacou, assim como o trio impagável de amigas interesseiras formado por Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Roche). A composição de Mariana Ximenes como Tancinha também agradou e parecia uma ótima protagonista, tendo ainda a rivalidade com Fedora como um dos atrativos. Os erros observados em alguns núcleos paralelos deslocados e na história cansativa do mocinho Apolo (Malvino Salvador) pareciam pequenos diante dos acertos.

Entretanto, ao longo dos meses, Ortiz começou a dar claros sinais de falta de domínio de seu enredo. Os problemas começaram a crescer e até mesmo os pontos positivos começaram a ficar negativos. A falsa morte de Teodora foi um dos mais graves equívocos do autor, que preferiu seguir o roteiro original de "Sassaricando", ignorando a diferença do contexto atual. O resultado foi catastrófico para o núcleo Abdala, que era o melhor da novela. Com a saída da melhor personagem da família, todos os perfis ficaram sem função e perdidos na história.
O romance de Fedora e Leozinho (Gabriel Godoy) ficou repetitivo, Lucrécia (Cláudia Jimenez) passou a protagonizar situações cansativas indo atrás do seu marido, que a rejeitava, e até mesmo a vilania de Gigi (Marcelo Médici) se esvaziou depois que fez seu discípulo Leozinho se casar com Fedora. Já Aparício (Alexandre Borges) começou a protagonizar cenas de armações bobocas para conquistar Rebeca se fingindo de faxineiro.


A trama de Tancinha se mostrou rasa para protagonizar a novela. A personagem começou a história investigando o desaparecimento do seu pai (Guido - Wenner Schunemann) e até invadiu a festa de aniversário de Fedora para cobrar satisfações. Mas, pouco depois de um mês, não tocou mais no assunto. A situação parece ter sido esquecida pelo autor. Ela passou a ficar 'divididinha' entre Apolo e Beto (João Baldasserini) e seguiu assim até o final. Uma protagonista cujo único conflito é ter que se decidir com quem ficar não condiz com a atualidade. Vale lembrar que esse era o enredo de "Sassaricando" porque o triângulo fazia parte do núcleo secundário do folhetim. Agora, virando o principal, novas situações e dramas precisavam ter sido criados para a dita mocinha. Até mesmo as aulas de balé que passou a fazer por volta da metade de trama não era fruto de seu sonho, ou objetivo de vida, e sim de sua mãe. E a rivalidade inicial com Fedora foi desprezada ao longo dos meses. Elas mal contracenaram, mesmo tendo rendido cenas ótimas juntas. A inimizade da patricinha rica com a feirante pobre tinha tudo para render bastante, o que não ocorreu.


O roteiro do trio de amigas, juntamente com a empregada Dinalda (Renata Augusto), se mostrou limitado para tantos meses no ar.  O resultado foi a perda de destaque delas, incluindo a inserção de Rebeca em repetitivas idas e vindas com Aparício, a separando sutilmente das demais. A única que conseguiu manter situações atrativas foi Leonora, que passou a formar uma dupla com Dinalda, protagonizando divertidas cenas em busca da fama. A participação da ex-bbb Ana Paula acabou dando um gás para o contexto que cercava a fictícia ex-Casa de Vidro. Já Penélope formou um lindo casal com Henrique (Nando Rodrigues), mas o autor não criou bons conflitos para o par, que acabou deixado de lado, lamentavelmente. Só nas semanas finais houve a entrada da mãe esnobe do rapaz (vivida pela ótima Sônia Lima), proporcionando boas cenas com a futura nora. Mas era tarde e a falta de aproveitamento de um casal que havia funcionado ficou claro.


O triângulo envolvendo Camila (Agatha Moreira), Giovanni (Jayme Matarazzo) e Bruna (Fernanda Vasconcellos) foi outro ponto que Ortiz desperdiçou. O casal "Gimila" emplacou logo no início, mas a demora no desenvolvimento de todo o contexto da explosão do Gran Bazar, o mal aproveitamento da psicopatia de Bruna e as constantes perdas de memória de Camila deixaram a situação cansativa. O que era visto como um dos trunfos da novela acabou virando uma das muitas falhas de desenvolvimento. Até mesmo a cena mais aguardada, quando Bruna tentou matar Camila, foi frustrante em virtude da equivocada direção de Fred Mayrink, que tirou todo o impacto do embate das rivais com um trilha não condizente. A cegueira de Giovanni em cima dos surtos de Bruna também pecou pela falta de verossimilhança, assim como os apagões de memória que Camila sempre tinha ---- conveniente para a enrolação do enredo.


Já o núcleo do Apolo desde o início foi fraco e se manteve assim ao longo da trama. A paixão do personagem pelas corridas implicava em cenas desinteressantes e o conflito entre Nair (Ana Carbati) e Adônis (José Loreto) ---- o filho que sentia vergonha da mãe ---- era exatamente o mesmo vivido pela mesma atriz em "Alto Astral". Para culminar, só no penúltimo capítulo a mãe soube que o rapaz não usou o seu dinheiro para pagar a faculdade e sim curtir a vida ---- uma situação forçada, por sinal, foi Adônis descobrir que, ao contrário dos irmãos, não era adotado e sim o filho renegado pela mãe (isso só serviu para inverter os papéis, o transformando em vítima, sendo que sempre foi um filho racista e ingrato). Outro equívoco que merece ser citado foi o péssimo personagem dado a Conrado Caputo, depois do sucesso do Pepito em "Alto Astral". O ator ficou avulso o tempo todo na pele de Renan (inicialmente um vlogger fracassado e depois ajudante da cantina de Tancinha), assim como Marcella Valente, intérprete da Larissa, irmã de Apolo e Adônis.


Ainda citando perfis avulsos, vale mencionar o drama dos irmãos Carol (Bruna Griphao), Nicolas (Henry Fiuka) e Bia (Melissa Nóbrega). O núcleo sempre ficou deslocado na história e parecia pertencer a uma novela paralela. O absurdo da situação também abusava da inteligência do telespectador, afinal, não tinha como acreditar que os três conseguiram esconder dos vizinhos por meses a morte do pai. Já na reta final, a adoção do trio serviu para mexer no triângulo formado por Tancinha, Beto e Apolo, uma vez que todos quiseram adotá-los. Apesar de tarde, essa movimentação acabou sendo benéfica. O trio amoroso, por sinal, virou quadrado com meses de atraso. A entrada de Tamara nessa situação deveria ter ocorrido desde o começo, mas o autor preferiu enrolar bastante, deixando Cleo Pires apagada e sem função boa parte do tempo. A prova foi que a personagem cresceu assim que seu romance com Apolo engrenou, valorizando a química dos atores, vista no filme "Qualquer Gato Vira Lata".


Entretanto, em meio a tantos problemas de desenvolvimento, Daniel Ortiz acertou em cheio na condução do romance de Shirlei (Sabrina Petraglia) e Felipe (Marcos Pitombo), virando o melhor casal da história. A personagem caiu no gosto popular e se transformou no maior sucesso da novela. Curiosamente, foi o único perfil que não veio de "Sassaricando" e sim de outra novela de Silvio de Abreu: "Torre de Babel", reprisada atualmente pelo Canal Viva. A menina que tinha uma deficiência na perna foi a Cinderela da trama das sete e formou o melhor casal da história junto de Felipe, praticamente a reencarnação do príncipe encantado. O par era tão bom que teve três vilãs para separá-lo: a patricinha Jéssica (Karen Junqueira), a invejosa Carmela (Chandelly Braz) e a arrogante Vitória (Betty Gofman). A ex-namorada e a mãe de Felipe, juntamente com a irmã de Shirlei, atrapalharam muito o romance, movimentando o núcleo, que virou o melhor do enredo de longe, ofuscando o triângulo central. Foi a única parte da produção que se manteve atrativa ao longo dos meses, no melhor estilo conto de fadas. Sabrina deu um show em cena e viveu um grande momento na carreira. Foi o maior destaque do folhetim, esbanjando química com Marcos Pitombo.


O elenco, inclusive, teve bons nomes e alguns se sobressaíram, embora nem todos tenham tido o destaque merecido. Marisa Orth pôde exercer uma faceta dramática pouco explorada através da batalhadora Francesca; Grace Gianoukas foi a grata surpresa da novela e deu um show na pele da arrogante Teodora (até um spin-off na Globo Play ganhou); Chandelly Braz brilhou vivendo a complexa Carmela (cuja vilania teve explicação na hora que sua culpa pelo problema na perna de Shirlei foi revelada); Agatha Moreira se destacou vivendo a Camila "boa" e a Camila "má"; Fernanda Vasconcellos convenceu vivendo a sua primeira vilã; Karen Junqueira fez uma Jéssica odiável; Bruna Griphao emocionou com o drama de Carol; Malu Mader, Carolina Ferraz, Ellen Roche e Renata Augusto formaram um ótimo quarteto; Tatá Werneck e Gabriel Godoy tiveram uma evidente sintonia; João Baldasserini se destacou vivendo o seu primeiro perfil cômico na carreira; e a participação de Cristina Pereira interpretando a tia Safira engrandeceu o núcleo Abdala. Já Mariana Ximenes, apesar do enredo fraco, conseguiu compor uma Tancinha carismática. Pena que Cláudia Jimenez, Conrado Caputo e Marcelo Médici não foram valorizados como mereciam.


A reta final da novela expôs com maior nitidez a barriga da produção. O autor quis guardar tudo para o fim, resultando em uma correria que comprometeu todo o conjunto, deixando vários desfechos superficiais e decepcionantes. A entrada de Guido no último mês foi um erro grave, implicando em resoluções forçadas. O público não teve tempo de acompanhar os possíveis embates entre ele e Francesca, muito menos a reaproximação do pai com os filhos. Para piorar, uma das revelações mais aguardadas não teve impacto algum: a cena em que Guido conta para Shirlei que é seu pai verdadeiro não chocou ninguém, nem Felipe, que é enteado do sogro. A situação foi resolvida em poucos minutos, ficando nisso. E nem deu para ver a reação de Carmela porque foi a única filha que nem soube da volta dele. Ao menos Chandelly Braz e Sabrina Petraglia protagonizaram boas cenas nos últimos momentos, depois da revelação sobre a culpa da vilã na deficiência da irmã.


E toda a resolução do triângulo Bruna, Camila e Giovanni foi feita de forma primária. O último embate entre a filha de Gigi e a psicopata foi muito mal dirigido, implicando em cenas sem qualquer impacto. Após ter mantido Giovanni preso, a víbora levou um golpe de Camila e acabou morrendo queimada em uma explosão. Cenas que poderiam ter sido empolgantes, mas decepcionaram. O mesmo vale para o corrido desfecho de Jéssica e Vitória, que sofreram um acidente de carro depois que sequestraram Carmela em um tempo recorde ---- Carmela ligou para avisar que contaria tudo para a polícia (sobre a armação contra Shirlei) e em menos de 30 segundos foi pega pela vilã. As cenas pareceram simplesmente jogadas na cara do telespectador, sem cuidado algum. Um atropelo de acontecimentos que poderia ter sido facilmente evitado se Ortiz não tivesse enrolado tanto, se preocupando em fechar os núcleos aos poucos --- como fez em "Alto Astral", inclusive.


O ponto positivo do final foi a sequência do casamento de Shirlei e Felipe, repleta de clichês, fazendo jus ao que o casal representou. A delicadeza esteve presente e os atores emocionaram. A reconciliação de Shirlei e Carmela também merece menção, comprovando que o enredo da menina com um problema na perna foi realmente o mais rico da trama ---- e claramente copiado de "Torre de Babel". Já a dúvida de Tancinha se arrastou até o final, dominando todo o último capítulo. Como já estava claro no roteiro, ela ficou com Apolo, dispensando Beto. O atrapalhado filho de Penélope, por sinal, acabou se apaixonando por uma ativista interpretada por Paolla Oliveira. E Teodora abriu mão de sua fortuna, indo morar com Tarzan na ilha onde se conheceram. A melhor cena do desfecho foi a reconciliação de Tancinha e Fedora, sendo necessário destacar Tatá Werneck e Mariana Ximenes.


"Haja Coração" foi um sucesso de audiência, mas os números altos não refletiram a qualidade da mesma. Não foi uma novela ruim. O saldo geral é mediano, levando em consideração os erros e os acertos da mesma. Entretanto, tinha tudo para ter sido um folhetim excelente, pois apresentou todos os ingredientes necessários de uma deliciosa trama das sete ---- até por isso os índices corresponderam, vale ressaltar. Só que o desenvolvimento equivocado de vários personagens e núcleos prejudicou muito o conjunto. A decepção acabou se fazendo presente, causando a sensação de que tudo poderia ter sido infinitamente melhor do que foi. E realmente poderia.

50 comentários:

Décio Lucas Pereira Rodrigues disse...

Como sempre, Sérgio, sua resenha final ficou ótima. Realmente, o problema de Haja Coração foi o seu desenvolvimento equivocado. Uma pena. Parabéns por mais um ótimo texto!

Anônimo disse...

As suas resenhas finais são as melhore de todos, incluindo os ditos especializados.

Giovany Gdss disse...

Meus pais amaram essa novela, mas eu achei bem fraquinha. Além dos personagens do Conrado Caputo e da Marcella Valente, teve outra personagem completamente sem função, que foi a irmã do Felipe; que de forma inexplicável, terminou com o Enéas. Eu adorei a participação de Paolla Oliveira, e ela provou que também poderia ter feito uma ótima tancinha (já que primeiramente a personagem ficaria com a Paolla). A maior revelação do elenco pra mim foi o João Baldasserini, que nunca vi atuar e conseguiu mostrar que tem talento. O destaque foi Sabrina Petraglia, que convenceu como Itália e brilhou como Shirlei. Haja Coração foi uma novela bem mediana, que não vai deixar saudades; Agora é esperar e ver o que rock story nos reserva, até agora estou gostando do que foi apresentado. Abraços Sérgio, gosto muito de seus textos!

Gisela disse...

Onde assino???

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Achei a novela leve, divertida, romântica, de alto astral. Gostei do último capítulo, especialmente pela concretização dos sonhos dos personagens do bem e punição aos maus. Preferia Beto com Tancinha, porque ela o transformou num homem de bem, enquanto ele a amou perdidamente. Sobrou química entre Apolo e Tamara. Mas o autor preferiu finais tradicionais.Também torci pelo casal Shirlei e Felipe. Minha nota para a novela é 8.

Flávia disse...

Uma decepção. Só Shirlipe e a Teodora salvaram. O resto enterra.

Anônimo disse...

Aê Zamenza, pelo visto temos um novo Walcyr Carrasco chegando, Daniel Ortiz se encaixa muito bem no perfil desse autor, audiência nas altura e história fraca misturada com pastelão. Não duvido nada colocarem o Ortiz no horário nobre só porque dá audiência.

Anônimo disse...

Oi Sérgio,
A novela realmente prometia muito mas não foi desenvolvida com competência
Comecei a assistir sem compromisso mas logo me apaixonei pelo casal Penrique.
Pena que o autor não deu valor ao casal, ficaram inúmeros capitulos sem aparecer. Deviam ter colocado a mae do Henrique antes, deixaram para o final e nem mostraram ela descobrindo que ia ter um neto, achei um absurdo já que ela justamente implicou com a Penelope por não poder dar filhos.
Podiam ter colocado o marido da Penelope para dar uma movimentada mas simplesmente esqueceram. Adorei Carolina nessa novela, pena que não aproveitaram mais a personagem.
Adorava o quarteto tbm, elas estavam em plena sintonia e demonstravam que estavam se divertindo.
O autor deixou muitas coisas para o final e, uma pena, não aproveitou tantos casais shippaveis.
Gostei de Shirlipe, lindos mas a meu ver, exageraram com essa história de contos de fadas, e deixaram a trama muito açucarada. (desculpe fãs do casal) .
Gostava de Gimilia tbm mas essa historia de Camila boa, camila mã atrapalhou a construção da trama.
Aliás não mostraram mas ela com a mãe, Claudia Gimenez foi jogada para escanteio assim como vários atores sub-aproveitados.
Como pegar Malu Mader e dar uma história tão sem pé nem cabeça.
Sobre o final, tudo corrido, sem emoção.
Fazer aquela cena do Beto indo levar um fora para Tancinha e ficar com Apolo foi o gran finale péssimo.
Apesar da trama arrastada e texto infantil, muitos atores conseguiram se destacar.
Mariana

Anônimo disse...

Sérgio, meu querido,

Acho que "Haja Coração" foi a primeira novela da Televisa a passar na Globo. Que trama horrenda, de dar inveja a qualquer uma do México. Se duvidar, logo reprisa no SBT, entre a sétima exibição de "Usurpadora" e a 21ª de "Maria do Bairro".

Eu sempre achei as tramas do Walcyr Carrasco exageradas, no nível altíssimo do clichê e da cafonice, com um texto carregado, Mas o Daniel Ortiz se superou. Foi ruim ao cubo!!!

Acho que Shirlipe exemplifica bem: na tentativa de promover seu conto de fadas inesperado, o autor fez um açúcar com mel enjoativo, de difícil digestão. A extrema bondade da Shirlei me cansou. Não vi graça no casal e nem no trabalho dos atores.

Achei triste uma Mariana Ximenes com uma protagonista tão chata e tão sem enredo. A coitada precisou cavar fundo em uma personagem tão rasa. A Tatá Werneck também não teve sorte com uma personagem cuja única preocupação era ganhar seguidor. Não dá, né?

O penúltimo e último capítulos já entram pra história dos piores exibidos. As cenas duraram 10, 15 seg. Vc não conseguia se envolver com nada, porque já entrava outro núcleo na sequência.

Falou-se a novela inteira do Guido, vimos a dor da família Di Marino, pra tudo ser atropelado no final. Não houve uma emoção sequer. Nem parecia um dos grandes mistérios da novela.

O núcleo Gimila, pra mim o melhor da trama, aliás, o único interessante, foi também atropelado. A família, que tanto venerou a Bruna, nem soube de todos os podres dela, da morte. Não houve também um pedido de desculpas a tudo q fizeram com a Camila. E o que foram aquelas cenas toscas no chalé? Direção nível "Os 10 Mandamentos" da ruindade.

Enfim, daria pra escrever quatro vezes mais do que já escrevi sobre os problemas da novela. ;) No fundo, acho que a novela valeu mesmo pra Sabrina Petraglia, Marcos Pitombo, Grace, Cristina Pereira, Agatha MOreira, Ellen Roche, João Balda.. A maioria teve um papel bem aquém do potencial!

Ramon Siqueira disse...

Da história como um todo não tenho opinião concreta, pois só vi alguns capítulos e cenas. Mas meu saldo no elenco ficou assim:
Sabrina Petraglia realmente foi o maior destaque da novela e para mim, a coadjuvante de 2016 pela Shirlei apaixonante que ela compôs. Foi alçada ao posto de protagonista com méritos;
Marcos Pitombo foi o maior príncipe das 7 (desde do maravilhoso Elano do Humberto Carrão em CDC) e sua química com a Sabrina foi linda de se ver. O casal que teve base na atemporal história da Cinderela foi um fenômeno e Shirlipe é um dos casais do ano;
Mariana Ximenes realmente é uma das melhores atrizes do Brasil e não é exagero, encarar a protagonista mais rasa do ano e se destacar mesmo com poucas cenas relevantes não é pra qualquer uma não. A Tancinha tinha um grande carisma e potencial para ser uma das grandes protagonistas da década no horário, mas o autor esqueceu de criar uma história realmente boa para a personagem. Mas mesmo assim, Mari fez um grande trabalho e estava belíssima nesta novela;
João Baldasserini caminhou com seu Beto por transições, começou inconsequente, passou pela "vilania" e se transformou no mocinho pela transformação do amor com maestria e com a comicidade sendo uma grande aliada para ele brilhar, mereceu todo o destaque;
Chandelly Braz é poderosa mesmo, incrível como a Brunessa nos mostrou que ela veio para ficar e a Carmela é a consolidação forte dessa promessa que virou realidade, ela brilhou de verdade e não por acaso protagonizou a melhor cena da novela junto com a Sabrina e a Marisa Orth;
E por falar em Marisa, ela mostrou uma dramaticidade rara e brilhou lindamente como a doce Francesca;
Grace Gianouskas foi o céu e o inferno desse folhetim, era o fenômeno dessa novela e se não fosse a sua "morte", ela continuaria sendo até o fim, poderia até que Shirlei e Felipe não tivessem o destaque que tiveram, verdade seja dita. O inferno foi posto de verdade quando a Teodora saiu, apesar de já ter tido a queda de qualidade antes da falsa morte ocorrer;
Fê Vasconcellos e Karen Junqueira me deram ódio e nojo pelas fdps Bruna e Jéssica;
Eu preferia Betancinha, por que odiei o Apolo babaca e machista e tenho sono do Malvino, inexpressividade reina nele e o considero o segundo maior ponto negativo, só perdendo pro enredo fraco.
Mas pelo menos uma das cenas do ano está em HC: o confronto entre a Shirlei e a Carmela e depois a revelação do ódio, foi emocionante ao cubo e elevou ainda mais o brilho de Sabrina e Chandelly, com atuação da Marisa. Sempre lembrarei dessa cena!!!
HC realmente tinha tudo para ter formado uma linda dupla com TD+, mas o Ortiz fudeu com 90% de tudo. Infelizmente entrará na lista de piores do ano aqui no blog, mas teve seus pontos positivos. Que venha Rock Story e foi mal pela redação que escrevi, Serginho! Tmj

Felisberto N. Junior disse...

Olá,Sérgio...pura verdade, nível geral mediano e uma pena ,pois possuía grandes atores/atrizes , rasa com muita enrolação durante toda a trama e uma correria desenfreada no final e muito banal para a nossa atualidade, a protagonista ,do núcleo principal,com apenas um único conflito... belos dias,abraços!

Anônimo disse...

Sergio, ficou sabendo que a novela A Regra do Jogo fracassou na Argentina e foi tirada do ar? isso nem me espanta, aqui também fracassou e olha que os argentinos idolatraram Avenida Brasil e a expectativa com A Regra era grande. E ainda colocam essa novela para concorrer no EMMY, torço para Verdades Secretas levar a melhor

Kika disse...

Parabéns pela sua sensatez. Muito cricritico dito especialista ficou babando nessa novela só pq deu audiência, mas teve inúmeros problemas.

Ramon Siqueira disse...

Ah e apesar da Tatá Werneck ter ficado avulsa depois da saída da Grace, ela segurou como pode e destaco a reta final, ela calou a boca dos haters e emocionou fortemente ao lado do Gabriel Godoy na cena que o Leozinho conta tudo para a Fedora, chorei com essa cena.
E destaco os casamentos dos protagonistas iniciais e finais, por um lado a tristeza dominou Betancinha e foi difícil não chorar e por outro a felicidade tradicional que dominou Shirlipe e que foi visto numa delicada e bonita cena;

Raquel disse...

Sérgio, eu acho que vc foi até político com Haja Coração. A novela, na minha opinião, foi bem ruim. Ortiz conseguiu estragar até o casal sensação Shirlipe com a overdose de cenas melosas e situações forçadas. O que foi a prisão da Shirlei????? Algumas coisas que gostei: redenção da Carmela, a trajetória do Beto e o fato da Camila ter continuado “má”, seria melhor se ela nunca tivesse perdido essa memória. O resto, totalmente desnecessário e esquecível.

Você fez muito bem em não se apegar à novela, não valeu nada a pena. Considero Haja Coração uma fanfiction mal-sucedida de Sassaricando; se eu fosse o Sílvio de Abreu eu estaria mordida. E o fato de que a novela tinha muito potencial não traz nem um pingo de conforto, só mais decepção mesmo pelo fato do Ortiz ter tido a faca e o queijo na mão e ter feito uma verdadeira lambança.

Como vc disse, sempre esteve claro desde o começo que o Ortiz escreveu Haja Coração para Apolo e Tancinha, eles eram os mocinhos. Mas nem com todo o amor reprimido pelo casal desde os anos 80 (ele mesmo confessou que torcia por Apolo e foi tombado em Sassaricando), ele conseguiu fazer uma história interessante pra esses dois. O casal era muito sem-sal, Malvino deixou a desejar na atuação e as brigas muito irritantes. Tanto que o casal, por mais que o Ortiz negue, foi sim ofuscado por Shirlipe. E isso se viu desde o começo, mas o Ortiz resolveu insistir até o fim no seu shipper insípido. Deu no que deu.

Cortei o Ortiz da minha lista de autores assistíveis. E Haja Coração já vai tarde... Muita sensação de tempo perdido!

Rita Sperchi disse...

Serginho querido apesar de altos e baixos
coisas boas e coisas ruins até que gostei
da novela, mas náo sei se sou do contra
confesso que torci pra Beto, achei que ela ia
ficar com ele, mas no finalzinho ele gostar de outra barraqueira
foi um luxo
Bjuss
Rita!!

Adriana Helena disse...

Olá Sérgio, boa tarde querido!
Puxa, lendo a sua resenha da novela, consegui captar o cerne da questão!
Que maravilha, como você entende de televisão amigo, fico admirada!

Não acompanhei a novela, mas minha mãe gostou muito dos capítulos finais, principalmente pelo conto de fadas de um casamento que teve no final, a dos atores Sabrina Petraglia (Shirlei )e Felipe (Marcos Pitombo).Realmente foi emocionante e encantador!!

Parabenizo por mais uma incrível análise de uma obra televisiva amigo!
Desejo uma ótima semana!
Beijos!!

Vanessa Volpato disse...

Concordo, mas para a mim a melhor cena foi quando Tancinha escolheu Apolo.

Rafaela Rafaela Mesquita disse...

Olá Sergio. Ortiz estragou (ainda mais) novela nos últimos capítulos,foi muita correria. O final por exemplo só agradou aos fãs de Aponcinha (tem fã disso???) Gimila praticamente não apareceram. Penrique o autor deixou em banho maria boa parte da novela. Betancinha é até desnecessário comentar porque foi uma palhaçada. Shirlipe (Protagonista SIM) teve uma sequência linda e delicada no #CasamentoShirlipe mas no último capítulo não tiveram o merecido destaque, na verdade não tiveram nenhum, gostaria de ter visto a reação de Felipe ao saber que seria pai, certamente seria mais cena delicada pra galeria de Marcos Pitombo e Sabrina Petraglia. Haja se algum dia for lembrada será apenas por ter criado um dos melhores romances da ficção atualmente e SÓ. Pra piorar a cota de inacreditaveis bizarrices, a Glibo não renovou o contrato de Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo, enquanto isso Malvino, Loreto, Eriberto Leão, R.Tozzi seguem com sua cabastrice, quer saber, senta lá, Globo.

Anônimo disse...

pôxa, fiquei estarrecida que a globo não renovou o contrato de Sabrina Petraglia, eu já esperava que não fossem renovar com Pitombo (a globo tbm não deu importância pro Bruno Ferrari depois de liberdade liberdade), mas acho que eles deviam ao menos segurar Sabrina, ela foi excelente em todas as cenas que exigiram muito da personagem, ela era promissora, agora com certeza só veremos a atriz outra vez em outra novela do Daniel Ortiz. Enquanto isso temos que aguentar atrizes fracas fazendo protagonistas, o mesmo vale para alguns canastrões que são exclusivos da casa.

Kauanny disse...

Que final mais #$*%, com o perdão da palavra! Ortiz mais uma vez decepciona: enrola a novela inteira, deixa tudo pro fim pra dar os desfechos de maneira corrida, sem o menor planejamento.
Eu não me preocuparia com a não renovação do contrato de Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo. Ele terá trabalhos garantidos porque a Globo tá carente de galãs nessa faixa etária. Ela certamente estará na próxima novela que o Ortiz escrever.
Quem teve a infeliz ideia de colocar Fred Mayrink como diretor??? O cara é horrível, já no trailer da novela dava pra sacar a desgraceira que é a edição dele. Estragou muitas cenas que poderiam ter sido antológicas. E o congelamento no final, que só começou praticamente na metade da trama? Isso sem contar no chroma-key das cenas da Tancinha na praia. Não aprenderam nada com a cena final de Totalmente Demais?
Por isso essa novela foi merecidamente ignorada pela crítica especializada e certamente ganhará pouquíssimos prêmios. Abertura espalhafatosa, situações mexicanizadas e excelentes atrizes subaproveitadas. Eu digo atrizes porque a maioria dos atores eram de medianos pra ruins mesmo. Mas faço menções honrosas para João Baldasserini, o melhor ator masculino da novela, segurou o primeiro papel de destaque em novelas como ninguém, fez a garotada se encantar pelo Beto e torcer para que ele ficasse com a Tancinha, mesmo tendo feito o que fez. Eu diria que a maior injustiçada da trama é Cléo Pires. Divulgaram aos quatro ventos que ela seria co-protagonista, mas nem teve direito a aparecer nas chamadas, que priorizavam Tancinha vs. Fedora. Era praticamente figurante até a metade da novela, quando colocaram Tamara pra se envolver com Apolo. E isso só pra ele não ficar sozinho enquanto Tancinha ficava com Beto. Aí, no final, Tamara fica sozinha e é despachada pra longe...
Leu a coluna da Patrícia Kogut de hoje? Olha a desculpa esfarrapada que deram para Apolo ficar com Tancinha: "O cenário político do país pesou na decisão sobre o final de “Haja coração”. A alta cúpula da Globo, em reunião a portas fechadas, achou que não pegaria bem Tancinha (Mariana Ximenes) ficar com Beto (João Baldasserini). O público poderia interpretar isso como uma premiação ao personagem, que fez várias armações e cometeu um crime na novela". Ah, vá se #@$%*§!!! Leozinho e Gigi fizeram coisas muito piores e puderam ficar com suas amadas! Isso só confirma minha tese de que Daniel Ortiz só fez esse remake pra colocar Tancinha e Apolo juntos no final, outra explicação não há.
Perdoem-me pelo palavreado, é que essa desculpinha não me desce

Sérgio Santos disse...

Muito obrigado, Décio. Fico feliz!

Sérgio Santos disse...

Fico honrado, anonimo.

Sérgio Santos disse...

E eu gosto mt de te ver aqui sempre, Giovany. E achei a novela mediana e olhe lá. Endosso seu comentário!

Sérgio Santos disse...

Embaixo, Gisela. rs

Sérgio Santos disse...

A minha nota é 6, Elvira. bjsss

Sérgio Santos disse...

Decepcionante msm, Flavia!

Sérgio Santos disse...

Não vejo semelhança entre eles, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Mariana, obrigado pelo seu ótimo comentário.

Sérgio Santos disse...

Anonimo, concordo com quase todo o seu comentário e também achei os capítulos finais péssimos, sem emoção e muita correria.

Sérgio Santos disse...

Pode escrever o quanto quiser, Ramon. O espaço é pra isso. E endosso plenamente o seu excelente comentário, assinando embaixo.

Sérgio Santos disse...

Exatamente, Felis!

Sérgio Santos disse...

Fiquei sabendo sim, anonimo. E tb torço para Verdades Secretas que foi primorosa.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Kika!

Sérgio Santos disse...

É verdade, Ramon!

Sérgio Santos disse...

Raquel, tentei ser justo. E achei mediana no máximo. Não acho péssima pq teve Shirlipe, o sucesso da Grace e Cristina Pereira e alguns bons momentos. Mas foi uma decepção no saldo geral, sendo que tinha todos os ingredientes para ter sido maravilhosa. Mas passou longe disso por culpa do autor que não soube desenvolver o próprio roteiro. Concordo plenamente com seu comentário.

Sérgio Santos disse...

Bjs, Rita!

Sérgio Santos disse...

E eu agradeço o seu imenso carinho de sempre, Adriana. A sua mãe gostou justamente da única cena que valeu a pena no final: o casamento de Shirlipe. Pq o resto... bjão!

Sérgio Santos disse...

Não achei, Vanessa, mas respeito sua opinião.

Sérgio Santos disse...

Gostei do teu desabafo, Rafaella. Concordo, inclusive.

Sérgio Santos disse...

Anonimo, infelizmente a Globo não faz mais contrato longo com vários atores, só os medalhões mesmo e alguns poucos. Tb lamento isso e torço para escalarem os dois o quanto antes.

Sérgio Santos disse...

Kauanny, essa desculpa é estapafúrdia. Tava claro desde o início que o final seria Apolo e Tancinha. O roteiro deixou explícito o tempo todo. Não tem nada a ver com o momento político e Leozinho e Gigi foram mt piores mesmo. O final foi esse pq era o que o autor planejava desde o início. Apenas isso.

Raquel disse...

Fala Sérgio!

Eu só queria comentar tb com vc essa nota da Kogut falando sobre o final da novela ter sido influenciado pelo “cenário político atual”.

Você, eu (mesmo sendo Betancinha) e muita gente, já sabia, depois rápida análise dos acontecimentos da novela, da clara e inabalável preferência do autor Daniel Ortiz a Apolo e Tancinha. Eles sempre foram os mocinhos dele. E isso sempre esteve na cara. Mas por que se dar ao trabalho de fabricar uma justificativa dessas pro público ao invés de falar a verdade? Resposta: por não querer admitir o papelão do autor no mês anterior ao final da novela, se dizendo “divididinho” mesmo tendo claramente já feito a sua escolha antes mesmo da novela estreiar. Todos os autores da Globo atualmente recorrem ao mesmo discurso: não sei com quem vai ficar, escrevi dois finais, etc... Mas Ortiz foi além e não apenas escreveu, como GRAVOU os dois finais para garantir o “mistério” do final da novela. Uma hora esse mimimi ia parar de colar, e eu acho que essa foi a gota d’água.

Não dá pra Globo continuar enganando o povo, fingindo que se importa com a vontade do público, enquanto tenta proteger a “liberdade artística” dos seus autores. Ou uma coisa, ou outra. Vamos ver mais quantas vezes vão querer usar a ingenuidade do público para aumentar a repercussão de suas retas finais, antes de perceberem que isso pega muito mal.

Os tais grupos de discussão são outra coisa que “Meu Deus do Céu”. Pra uma empresa que se diz tão à frente em várias áreas, a forma de conceber e avaliar produtos mostra que em certos aspectos a Globo ainda é a mesma dos anos 80 e não vai mudar tão cedo.

Puxado.

Izabel Ramos disse...

Haja Coração teve audiência mas nas redes sociais, era tida como uma piada super produzida. Apelar para Sequestro, vilã doida colocando fogo, atriz convidada aparecendo com o mesmo tipo de outro personagem só pra ser um consolo para aquele que não ganhou a mocinha… Receita típica de um novelão dos anos 80, o que não significa que seja bom só porque dizemos que é um “novelão dos anos 80”. E um didatismo que novelas mexicanas sustentam até hoje pode ser uma saída fácil para sustentar a hipnose em frente a TV, mas não fazem nada de bom pela teledramaturgia do nosso país. As séries mudaram quando resolveram ser arte, além de uma planilha de números. As novelas também podem fazer a mesma síntese e temos ótimos exemplos disso. Olhar para trás com reverência é uma questão de respeito, mas bombear fórmulas ultrapassadas não é homenagem, é oportunismo.

Izabel Ramos disse...

Haja Coração teve alguma audiência, mas nas redes sociais, era tida como uma piada super produzida. Sequestro, vilã doida colocando fogo, atriz convidada aparecendo com o mesmo tipo de outro personagem só pra ser um consolo para aquele que não ganhou a mocinha… Receita típica de um novelão dos anos 80, o que não significa que seja bom só porque dizemos que é um “novelão dos anos 80”. Apelar para um didatismo que novelas mexicanas sustentam até hoje pode ser uma saída fácil para sustentar a hipnose em frente a TV, mas não fazem nada de bom pela teledramaturgia do nosso país. As séries mudaram quando resolveram ser arte, além de uma planilha de números. As novelas também podem fazer a mesma síntese e temos ótimos exemplos disso. Olhar para trás com reverência é uma questão de respeito, mas bombear fórmulas ultrapassadas não é homenagem, é oportunismo.

Izabel Ramos disse...

Mariana Ximenescriou sua própria Tancinha e o fez com muita verdade, imprimindo seu carisma ao papel, fazendo uma personagem mais romântica, mas problema foi a falta de um enredo mais consistente para a feirante ao transformá-la em protagonista. Para piorar, o caminhoneiro Apolo mostrou-se, logo de cara, um sujeito insuportável, marrento e machista, cuja inexpressividade de seu intérprete, Malvino Salvador, só piorou a situação. Enquanto isso, João Baldasserine, com todo seu talento e carisma, fez Beto cair nas graças do público com seu humor involuntário, em face de suas atitudes inicialmente inconsequentes e do sentimento que alimentou ao se apaixonar de verdade. Ainda assim, o grupo de discussão da novela revelou algo surpreendentemente inacreditável: Apolo era o personagem mais querido da novela. Desde então, o autor fez de tudo para forçar sua aceitação, proporcionando um excessivo destaque e prejudicando o enredo de Tancinha. A armação de Beto, que culminou na separação da feirante com o caminhoneiro, foi um golpe baixíssimo para favorecer Apolo!

Izabel Ramos disse...

Além disto, a procura da protagonista pelo pai, Guido, foi abandonada sem qualquer explicação, sendo retomada apenas na reta final. A inimizade da patricinha rica com a feirante pobre tinha tudo para render bastante, o que não ocorreu.
Outra trama porcamente desenvolvida foi a de Nair e Adônis, com um plot já manjado na nossa teledramaturgia: o filho que sente vergonha da mãe. Para culminar, só no penúltimo capítulo que Nair soube que o rapaz não usou o seu dinheiro para pagar a faculdade e sim curtir a vida.
Outro equívoco foi o péssimo personagem dado a Conrado Caputo, depois do sucesso do Pepito em Alto Astral.
sem, falar o excesso de bondade da Camila pós-acidente a transformou numa completa idiota. Isso sem falar na facilidade com que ela perdia e recuperava a memória e na cegueira de Giovanni em cima dos surtos de Bruna. Destaque para a atuação de Fernanda Vasconcellos, que driblou o fraco desenvolvimento do roteiro e chamou atenção pela versatilidade, vivendo uma vilã psicopata após várias mocinhas seguidas.
Alem disso, roteiro do trio de amigas (Penelópe, Leonora, Rebeca), juntamente com a empregada Dinalda, se mostrou limitado para tantos meses no ar.

Izabel Ramos disse...

A história mais bem-conduzida da trama foi a do casal Shirlei e Felipe, esbanjaram química, gerando uma enorme torcida e se tornando o maior destaque da novela, com direito a duas vilãs perversas: Jéssica e Carmela (Karen Junqueira e Chandelly Braz ótimas). Marisa Orth, se saiu muitíssimo bem no drama.
Deve-se lamentar também o pífio desenvolvimento de Tamara (Cleo Pires), que sofria com transtornos de personalidade. Pouco depois, se envolveu com Apolo, em um relacionamento atraente e repleto de química, tornando o piloto mais tragável. Porém, tudo se esvaiu quando a fraca condução do autor prejudicou um dos tipos mais promissores da novela.

Sérgio Santos disse...

Raquel, essa desculpa foi estúpida. Até pq Leozinho tentou matar Fedora e ainda assim ficaram juntos. Então nada a ver. Sempre ficou claro no roteiro que seria Aponcinha, tava claro e evidente. O autor foi riddículo em falar que estava em dúvida. Nunca esteve. Claro que ele não tinha que contar o final antes, mas bastava dizer que já estava decidido e pronto. Aliás, não são todos os autores que se prestam a isso. Rosane e Paulo, por ex, nunca dizem que estão em dúvida. Até pq o roteiro deles tb deixa claro como será o final. Eles simplesmente dizem para acomapanhar a trama e fim. É o certo. Walcyr tb nunca disse que estava em duvida sobre Mafalda, disse que já tinha escrito e pronto. E nesse caso a opinião do tal pavoroso grupo de discussão em nada influenciaria, pq, como disse, sempre esteve óbvio.

Sérgio Santos disse...

Ótimos comentários, Izabel. Endosso todos eles. É isso.