Após cinco retrospectivas relembrando os artistas que deixaram saudades, os piores do ano, os melhores casais, as cenas mais marcantes e as melhores atrizes e atores de 2025, chegou a hora de listar os destaques do ano que passou. A última retrô do blog é sobre o que mais marcou ao longo destes doze meses e foram (são) vários trabalhos admiráveis que merecem menção. Vamos a eles.
A primeira novela da HBO Max demorou mais de 2 anos para ir ao ar, mesmo com apenas 40 capítulos. Mas a espera valeu a pena. A trama de Raphael Montes foi um típico novelão repleto de exageros e viradas que prenderam o público do início ao fim. Os personagens eram ótimos, o trio protagonista cativante e a saga da vingança de Sofia (Camila Queiroz) foi muito bem construída, ainda que apoiada em algumas situações absurdas. A direção de Maria de Médicis merece todos os elogios e Camila Pitanga dominou a novela com sua Lola Argento, uma vilã carismática, repleta de deliciosas tiradas e cenas que caíram no gosto popular. A produção furou a bolha e o final foi redondinho, o que desperta dúvidas sobre a segunda parte que foi anunciada no final deste ano. Aguardemos.
A novela das seis de Alessandra Poggi, dirigida por Natália Grimberg, foi deliciosa e fez um merecido sucesso. A repercussão nas redes sociais foi gigantesca e foram vários acertos, entre eles a protagonista Beatriz lindamente interpretada por Duda Santos, a vilania de Juliano, Maristela e Bia, interpretados pelos ótimos Fábio Assunção, Lilia Cabral e Maisa, além dos casais muito bem construídos, incluindo os mocinhos apaixonantes e cheios de química. Vale destacar ainda o grande desempenho de Carol Castro como Clarice e de vários outros bons nomes do elenco. No entanto, a trama também teve problemas visíveis de desenvolvimento, principalmente em cima do favorecimento narrativo em cima de Bia e diminuição da força de Beatriz, o que virou alvo de justas críticas.
Após duas novelas das sete fracas, Cláudia Souto acertou em cheio com a trama que tinha uma empresa de ônibus como pano de fundo e ainda explorou com habilidade o universo do jogo do bicho em um horário considerado muito difícil. A mocinha Madá cativou o público e Jéssica Ellen deu um show do início ao fim, além dos demais nomes do elenco muito bem escalado. Milhem Cortaz também merece uma citação especial porque viveu seu melhor momento na carreira na pele de um sujeito complexo e cheio de contradições. Foi uma história redondinha e que cumpriu sua missão com louvor. Não teve uma boa audiência, mas qualidade teve de sobra.
A melhor novela de 2025. A produção do Globoplay demorou dois anos para ser disponibilizada, mesmo pronta desde 2023. Não deu para entender o planejamento da plataforma, mas a trama de George Moura e Sérgio Goldenberg, dirigida com maestria por Rogério Gomes, foi um primor e de uma coragem pouco vista na teledramaturgia. A trama baseada no livro "Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil", do historiador Frederico Pernambucano de Mello, prendeu do início ao fim com conflitos de intensa carga dramática e muito violência, mas dentro de um contexto da época, muito bem retratada. E que elenco extraordinário. Todos os atores tiveram algum momento de destaque durante a obra, de 45 capítulos, e protagonizaram sequências arrebatadoras. Menção especial aos protagonistas Rosa e Josué, interpretados por Isadora Cruz e Thomás Aquino, ao casal lésbico formado por Jânia e Otília, interpretadas pelas brilhantes Alinne Moraes e Alice Carvalho, e ao grande vilão Arduíno, vivido pelo genial Irandhir Santos. Novelaço.
Em meio a um corte de custos generalizado, que afeta diretamente a sua teledramaturgia, não se pode negar que a emissora gastou na festa de seus 60 anos. Um baita show que reuniu tudo o que foi de mais marcante ao longo de sua história, com apresentações de Xuxa, Roberto Carlos, Lulu Santos cantando o tema de "Malhação", um compilado das várias novelas de sucesso, presença de todo o elenco da casa e até os que saíram de lá, mas fizeram parte da história da empresa, enfim, um espetáculo que honrou o sucesso da Globo. Vale destacar o melhor momento do especial: a reunião de algumas das vilãs mais emblemáticas da dramaturgia, como Carminha (Adriana Esteves), Branca Letícia de Barros Mota (Susana Vieira), Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), Perpétua (Joana Fomm), Cristina (Flávia Alessandra), Raquel (Gloria Pires) e Maristela (Lilia Cabral) e Vanessa (Leticia Colin), que representaram as novelas recentes. É verdade que várias ausências foram sentidas, como a Flora (Patrícia Pillar) e Chayene (Claudia Abreu), mas foi incrível.
Foi a série de maior sucesso do Globoplay de 2025. Criada por Paulo Vieira e baseada nas histórias vividas pelo pai do humorista e pelo melhor amigo dele, a trama é de rolar de rir, o que é um mérito e tanto diante de inúmeras produções de comédias caricatas e sem um pingo de graça que se proliferam, principalmente no Multishow. A sintonia entre Otávio Muller e Ailton Graça, que interpretam Pablo e Luisão, respectivamente, é deliciosa e Dira Paes está sensacional como Conceição, a mãe do humorista. É um trio perfeito e as participações especiais também são escolhidas a dedo. A segunda temporada já foi encomendada com razão.
A série do Globoplay, baseada na obra homônima de Raphael Montes, não teve muita repercussão, mas foi repleta de qualidade e teve um final muito melhor que os dois desfechos do livro do autor. Com roteiro adaptado por Claudia Jouvin, a produção prendeu em todos os episódios e as atuações do elenco merecem muitos elogios. Jaffar Bambirra viveu seu melhor momento na carreira na pele do psicopata Teo, Julia Dalavia transborda talento como Clarice e outros nomes também se destacam, como Fabiula Nascimento, Felipe Camargo, Debora Bloch e Clarisse Pinheiro.
A série, baseada no universo do jogo do bicho e claramente inspirada em várias situações apresentadas no documentário do Globoplay "Vale o Escrito", foi uma grata surpresa da Netflix. Dirigida por Heitor Dhalia, Matias Mariani e Rafael Miranda Fejes, a trama foi um novelão dos bons com excelente viradas, um enredo envolvente e excelentes atuações de um ótimo elenco, vide Juliana Paes, Chico Diaz, Xamã, André Lamoglia, Giullia Buscacio, Mel Maia, Otávio Muller, entre tantos outros. A segunda temporada já está garantida.
A série da Prime Video foi a que mais repercutiu em 2025. Baseada nos livros "Suzane - assassina e manipuladora", "Elize - a mulher que esquartejou o marido" e "Tremembé - a prisão dos famosos", a trama, dirigida por Vera Egito, que também assina o roteiro com Ulisses Campbell, conseguiu prender o público através de um elenco muito bem escalado e com uma caracterização impressionante, que deixou quase todos os atores idênticos com os criminosos. Já o roteiro deixou bastante a desejar, mas o show dos atores compensou, como Marina Ruy Barbosa, Letícia Rodrigues, Bianca Comparato, Kelner Macêdo, Lucas Oradovschi, Anselmo Vasconcelos, Felipe Simas, Carol Garcia, entre tantos mais.
Quarta temporada de "Arcanjo Renegado":
A série é o maior sucesso da parceria do Globoplay com o AfroReggae Audiovisual. E manteve o fôlego e a adrenalina em sua quarta leva de episódios. José Júnior sabe bem como desdobrar toda a podridão que envolve o Rio de Janeiro que a série impressiona pelo realismo das situações e também pelas ótimas cenas de ação. Uma quinta temporada está a caminho.
"Sem Censura":
O clássico programa da TV Brasil, antiga TVE, foi criado em 1985 e era um dos produtos mais longevos da história da televisão brasileira. Sempre funcionou como um gostoso bate-papo entre a entrevistadora e seus vários convidados ao mesmo tempo. Diversas apresentadoras estiveram no comando das rodas de conversa. Em 2019, foi retirado do ar pelo governo Bolsonaro e pouco tempo depois voltou sem ser ao vivo e com um novo formato. Em fevereiro do ano passado, o programa voltou às origens e sob o comando de Cissa Guimarães, que tinha sido desligada da Globo, após 40 anos na emissora. E agora o programa está ainda melhor do que já foi um dia. Totalmente à vontade, Cissa se diverte e conduz com competência todas as conversas. Também gera boa repercussão nas redes sociais. Ainda há um time de debatedores que se revezam durante a semana, como Milton Cunha, Rodrigo França, Dadá Coelho, Murilo Ribeiro (Muka), entre outros.
Não havia escolha melhor nos 60 anos de Globo. O fenômeno espírita da saudosa Ivani Ribeiro fez sucesso em todas as suas sete reprises e o público fez questão de acompanhar mais uma vez a saga de Diná (Christiane Torloni) e Otávio (Antônio Fagundes), além das maldades de Alexandre (Guilherme Fontes), da sensibilidade de Alberto (Claudio Cavalcanti) e das trapalhadas da pensão de Cininha (Nair Bello). Um novelão atemporal.
A novela marcou a volta de Aguinaldo Silva à Globo, após o fiasco de "O Sétimo Guardião", e o autor agora assina a nova trama com Virgilio Silva e Ze Dassilva. A trama ainda não chegou nem na metade, mas até agora vem se mostrando um novelão e não teve um capítulo ruim sequer. Todas as tramas vêm sendo desenvolvidas sem pressa, mas sem enrolação e com muitos conflitos atrativos que vão se desenrolando com verossimilhança e um elenco repleto de talentos, com destaque para Sophie Charlotte, Romulo Estrela, Alana Cabral, Murilo Benício, Grazi Massafera, Arlete Salles, Fernanda Vasconcellos e Dira Paes. O enredo ainda tem casais apaixonantes, como os mocinhos Gerluce e Paulinho, Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes), Junior (Guthierry Sotero) e Maggye (Mell Muzillo), e Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski), que furou a bolha e faz sucesso internacional. Que siga assim até o final.
Foram seis retrospectivas até aqui e nada melhor do que terminar o ano relembrando tudo o que foi bom no mundo televisivo e do streaming. Todas as produções esbanjaram qualidade e conquistaram o público. Esta é a última postagem do blog em 2025 e desejo aos leitores (tanto os que comentam quando os que apenas leem os textos) um 2026 com muita saúde, paz, realizações e prosperidade. Que ano que vem mais novelas, séries e programas atrativos sejam produzidos para o bem dos telespectadores e do audiovisual brasileiro. Feliz Ano Novo!
Um comentário:
Três Graças gostei, porque é melhor do que as novelas que foram exibidas no horário antes da novela
Feliz Ano Novo Sérgio
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