terça-feira, 15 de março de 2016

"Velho Chico" estreia com boas atuações e forte assinatura de Luiz Fernando Carvalho

O universo urbano e contemporâneo que vem ocupando o horário nobre há anos saiu de cena, após 14 anos. Justamente o mesmo tempo que Benedito Ruy Barbosa estava afastado da faixa mais importante da Globo ---- ele foi o autor da problemática e fracassada "Esperança", folhetim ambientado na década de 30, exibido em 2002. Agora, sendo apenas supervisor e responsável pela criação da nova obra, o escritor retorna apresentando embates entre donos de terras, famílias rivais, moda de viola e romance proibido. Ou seja, tudo o que sempre exibiu em suas novelas essencialmente rurais.


A atual produção é escrita por Edmara Barbosa, sua filha, e Bruno Luperi, seu neto. As três gerações trabalham juntas no projeto e a ideia de mesclar vivências diferentes no comando da história pode ser benéfica para o conjunto. E o diretor Luiz Fernando Carvalho --- antigo parceiro de Benedito (esteve com ele em "Renascer", "O Rei do Gado", "Esperança" e no remake de "Meu Pedacinho de Chão") --- já conseguiu imprimir sua marca logo na estreia. O toque lírico pôde ser observado o tempo todo e a primeira fase, que terá 24 capítulos, será marcada por esse diferencial. Tanto que ficou impossível não lembrar de "Hoje é Dia de Maria", minissérie dirigida por ele, que teve fotografia bem parecida e essência poética semelhante.

Luiz Fernando Carvalho, inclusive, abusou de lindíssimas imagens e priorizou um tom teatral que destacou a competência do elenco. Tudo combinou com o capricho dos cenários e caracterizações propositalmente exageradas. Assim como fez em "Meu Pedacinho de Chão", por exemplo, o diretor resolveu adotar o escapismo da fantasia para permear essa primeira fase.
Ambientada nos anos 60, o início da trama terá três passagens de tempo: uma por volta do capítulo 10, outra no 14 e a última no 24, quando todo o elenco mudará e a história passará a ser contada nos dias atuais. Ficou perceptível a preocupação com cada detalhe, deixando o conjunto primoroso, pelo menos à primeira vista.

Já a história foi praticamente a mesma já contada por Benedito em suas outras produções: a guerra declarada entre dois proprietários de terras que avançará gerações e prejudicará o futuro romance entre seus herdeiros. Apresentado de forma simples, o enredo logo mostrou a ambição do enérgico Coronel Jacinto (Tarcísio Meira) e o seu primeiro embate com o idealista Capitão Rosa (Rodrigo Lombardi), que é o único homem do lugar que não abaixa a cabeça para os desmandos do todo poderoso. A trama também tem o padre simpático (Romão - Umberto Magnani) que tenta apaziguar os ânimos.

O grande destaque da estreia foi Tarcísio Meira. O ator, que é um dos maiores do país e fazia muita falta na televisão, foi o centro das atenções e brilhou em todas as cenas. Sua participação durou apenas o primeiro capítulo, mas foi grandiosa. Muitas vezes atuando com o olhar, o intérprete se destacou ao lado de Rodrigo Lombardi e Selma Egrei. Uma participação em grande estilo, cujo encerramento foi uma sequência dramática, onde o Coronel pressente a morte chegando e ainda tenta falar pela última vez com o filho, sem sucesso. A cena em que Jacinto cai no chão foi maravilhosa e a interpretação magnífica de Tarcísio se juntou com a fotografia impecável da direção.

Rodrigo Santoro e Carol Castro também merecem menção. Afrânio é o filho bom vivant de Jacinto e aproveita a vida ao lado de Iolanda, seu grande amor. Os dois protagonizaram cenas quentes e transbordaram química. Até uns rápidos momentos de nudez foram mostrados, fazendo jus aos personagens que não conseguem segurar a imensa atração quando estão juntos. Aliás, é justamente Afrânio quem assume o posto do pai assim que o mesmo falece. Obrigado a voltar para cumprir a tradição da família, o rapaz acaba tendo que se separar da mulher de sua vida.

Vale mencionar ainda o destaque da talentosa Selma Egrei, que vive a amargurada Encarnação. Sua caracterização faz lembrar as poderosas rainhas más e loucas dos contos de fadas ou até mesmo a Lady Macbeth, de William Shakespeare. Inconformada com a perda do primogênito (afogado no Rio São Francisco), a esposa de Jacinto está sempre com cara amarrada e é extremamente autoritária. A atriz merecia um papel com essa importância, após não ter sido devidamente valorizada como deveria em "Sete Vidas". Além dos nomes já citados, Cyria Coentro, Chico Diaz e Fabiula Nascimento foram outros que abrilhantaram a estreia.

A novela tem o Nordeste como cenário e o Rio São Francisco serve como pano de fundo para toda a narrativa em torno do amor pela terra, da ambição desenfreada, do coronelismo arcaico, da seca e das relações amorosas que serão eternas vítimas de todo esse conjunto. É um folhetim que representa exatamente o oposto de tudo o que a Globo vinha exibindo no horário nobre. É uma espécie de volta às origens, uma vez que colocaram uma obra de um autor que nunca saiu do universo ruralista e sempre priorizou basicamente o mesmo tipo de história. Não deixa de ser um 'respiro', após várias novelas ambientadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

"Velho Chico teve uma estreia caprichada e a assinatura de Luiz Fernando Carvalho promete fazer toda a diferença, assim como fez no remake de "Meu Pedacinho de Chão". Com trilha bem selecionada, imagens deslumbrantes e bom elenco, a novela promete boas emoções, ao menos na primeira fase, que será toda de época. Há uma preocupação em apresentar um produto de qualidade para o telespectador e a audiência correspondeu ---- média de 34 pontos. Agora, se o enredo se sustentará por quase sete meses, só o tempo dirá.

38 comentários:

Clara disse...

Pelo visto esse diretor vai salvar o autor limitado de novo depois do que fez com Pedacinho de Chão.

Ernane disse...

Achei ok. Se não fosse pelo tom lúdico do diretor não se aproveitava muita coisa pq era tudo o que ele já contou em todas as suas novelas.Parece que tô vendo Vale a Pena Ver de Novo.

Daniela disse...

Tava cheia de expectativa, mas a poesia linda que vimos não se sustenta por tantos meses. É bom pra minissérie. Novela não.

✿ chica disse...

O primeiro foi bom, mas confesso, não gosto das cores tão escuras de quase todas as cenas... Vamos ver! Muito cedo ainda! abraços, chica

Bell disse...

Vacilei esqueci e perdi, gosto de novelas de época.

bjokas =)

Pâmela disse...

Gostei bastante da estréia e amo o Luiz Fernando, ele sem dúvdas é um dos melhores diretores que temos. No elenco impossível não amar o Tarcisão, fiquei feliz em saber que ele logo estará de volta as telinhas. Rodrigo Santoro deu show, fazia muita falta nas novelas. Comentei do Lombardi no outro tópico ele realmente não lembra em nada o Alex e está ótimo só que continuo da opinião que ele tem que descansar a imagem por um tempo, apenas pelo impacto que teve seu personagem em VS (O mesmo vale pra Camila Queiróz que foi direto pra EMB) Quanto a Carol Castro: Linda, simpática, excelente atriz e pouco valorizada. Sempre disse que se caso houvesse uma terceira versão de Mulheres de Areia ela seria a Ruthinha\ Raquel, perfeita!

Sissym Mascarenhas disse...



Adoro vc Sergio. E agora? acabou a Regra do Jogo e jurei não ver mais novelas... rsss...
esta nova dever ser algo assim de bom e bonito, mas vou tentar não assistir, porque no final todos nós ficamos nervosos rsss.... decepcionados ou satisfeitos.

Bjs

Lucas disse...

Sabe uma coisa que eu acho engraçada, é que em Esperança, uma novela que segundo vc foi fracassada, tu ressaltaste que a novela era de Benedito Ruy Barbosa, Meu pedacinho de chão, vc diz que só foi boa por a direção era de Luiz Fernando e agora o primeiro capítulo vc diz que foi bonito também por que a direção era de Luiz Fernando. Na boa, é possível ver dois caminhos: 1º se a novela for um sucesso tu vai tagarelar que foi por causa da ótima direção. 2º se a novela for um fracasso tu vai encher a boca pra falar que a culpa foi do autor.
To ligado que tu usa um peso uma medida para os autores que tu curte e outro peso com outra medida para autores que vc não curte. Foi assim com Manoel Carlos, vc lascou lenha em cima dele, e agora com JMC com essa novela chata, que ficou dando voltas tu foi beeeem sutil nas criticas.

Andressa Mattos M. disse...

Gostei da estreia, mas a história é muito chata. Espero que melhore. Lucas, Meu Pedacinho de Chão só foi boa pela direção lúdica do LFC SIM. O mundo mágico fez toda a diferença naquela história cansativa que não saída do lugar. E agora a direção na estreia também fez toda diferença., Ou vc vai dizer que o que valeu foi aquela história de guerra de terras plagiada de O Rei do Gado???? E ele criticou mt A Regra do Jogo, se informe melhor. E não é segundo ele que Esperança foi fracassada, foi segundo TODOS!

Anônimo disse...

O BENEDITO RUY BARBOSA QUE ODEIA NOVELA DE SACANAGEM E DE BICHA COLOCOU PEITOS E BUNDA DA CAROL CASTRO NA ESTREIA E PATRÃO ASSEDIANDO EMPREGADA! HIPÓCRITA BABACA!!!!!!!!

Adriana Helena disse...

Oi Sérgio, boa noite!
Eu simplesmente adorei a estreia da novela, cenas fantásticas, fotografia impecável, parece que estávamos em uma tela de cinema!
Cenas tristes e de brilhante interpretação do Tarcísio Meira: realmente ele fala com o olhar... incrível!!!
Difícil não acompanhar uma obra grandiosa assim... vou seguir..rsrs
Beijos amigo!!!

mineiro disse...

Agora além da imagem desbotada cheia de filtro e escura a globo resolveu esticar a imagem da sua programação, que merda! Já não tinha paciência pra essas novelas chatissimas, agora então... Novela pra mim são as que a globo fazia antigamente, que prendiam a gente na frente da TV, que tinham trama, etc. As de hoje são um LIXO!
E esse senhor homofobico não merece meu ibope.

Vinícius disse...

Me assusta ter gente com a cara de pau de dizer que o motivo da qualidade de Meu Pedacinho de Chão e agora da estreia de Velho Chico não seja só do Luiz Fernando Carvalho e sim do Benedito que só escreve a mesma história modorrenta plagiando a si mesmo.

William O. disse...

O capricho do diretor é nítido e adorei a estreia. Mas a trama arrastada do autor não se sustenta. Hoje mesmo já deu cansaço de ficar vendo.

Felisberto N. Junior disse...

Olá, Sérgio...verdade, mesmo que com a vertente essencialmente rural de Benedito, não deixa de ser um 'respiro', após várias novelas ambientadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.Como destacado,a atuação de Selma Egrey me chamou a atenção, além claro do grande Tarcísio. Foi uma estréia com uma beleza estética, fotografia e grande lirismo...vamos aguardar!
Obrigado pelo carinho, belos dias, abraços!

Lucas disse...

CARALEO.... Ninguém pode discordar aqui não? Só vale comentários que elogiem e concordem com o autor dos textos ?(que apesar de bem escritos são bem parciais também)
E aqui não foi criticado A regra do jogo, só se via um morde e assopra, sempre que criticava algo havia uns cinco poréns. Minha opinião.

Yasmin disse...

Discordo, Sérgio. Achei a novela muito ruim e nem o diretor conseguiu alvar. Acho o Luiz bem pretensioso e essa linguagem teatral dele já cansou.Ele tá se repetindo também.Eu já abandonei.Volto a ver em outubro quando estrear a nova.

Sérgio Santos disse...

A primeira fase é praticamente dele, Clara. Fica nítido.

Sérgio Santos disse...

Entendo, Ernane.

Sérgio Santos disse...

Aguardemos, Daniela.

Sérgio Santos disse...

Ah, entendo, Chica. Eu acho que fica um diferencial bom.

Sérgio Santos disse...

Aproveita que é só a primeira fase, Bell. bj

Sérgio Santos disse...

É verdade, Pâmela. Mas pelo menos o Rodrigo só fica na primeira fase. E Tarcísio é genial. Que participação grandiosa ele fez. Honrou o capítulo de estreia. Carol Castro é outro bom nome mesmo.E a primeira fase tá mt bonita. Bjs

Sérgio Santos disse...

Conheço esses juramentos, Sissym... rsrs bjsss

Sérgio Santos disse...

Discordo, Lucas. A questão é que o Luiz Fernando Carvalho (que também dirigiu O Rei do Gado que foi um fenômeno) ainda não tinha sua marca forte naquela época. Então ele era um ótimo diretor, mas sem uma linguagem própria. Foi a partir de Hoje é Dia de Maria que isso mudou na carreira dele televisiva. E é inegável, sim, que ele está fazendo milagres nessa primeira fase, transformando tudo em pura arte visual. Até porque os acontecimentos tão sim lentos e a história é a mesma já contada 'n' vezes pelo autor. Nada contra se repetir, todo autor faz isso. Mas ele abusa pq repete absolutamente tudo. Só que a novela tá linda sim, por enquanto. E a primeira fase tem tudo pra ser impecável. A segunda é que será a prova dos nove pq não terá mais o elemento de épico pro diretor se apoiar. Aí será necessária a força da história.

O remake de Meu Pedacinho de Chão foi um dos maiores fracassos das seis, portanto nem o diretor salvou nesse quesito. Mas é um fato incontestável que a novela só foi linda por causa dele. Se não fosse o diferencial do conto de fadas, do colorido e do lúdico, seria um mais do mesmo tedioso pq o enredo era modorrento e raramente acontecia algo.

Eu tenho mesmo meus autores preferidos e nunca escondi. Mas se fosse mesmo 100% parcial, teria achado A Regra do Jogo perfeita. Mas fiz questão de criticar tudo o que não gostei. E não achei críticas sutis não. Fiz um texto só para expor todos os problemas da novela e no balanço final fiz questão de enfatizar que prometeu mt e cumpriu pouco. Mas não achei péssima, achei mediana.

E eu critiquei o Maneco pq achei Em Família horrível. O admiro muito e fui fã de Laços de Família, Por Amor, História de Amor e Mulheres Apaixonadas, além de Presença de Anita, por ex. Mas as últimas novelas dele foram fracas. Mt por culpa dele e tb por culpa da direção de Jayme que não casou com o enredo dele.

Sérgio Santos disse...

Vamos ver como será, Andressa. A trama é lenta, mas a primeira fase promete mt capricho. Depois é que é a prova dos nove. bjs

Sérgio Santos disse...

Isso foi um contradição irônica msm, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Tá lindo, né Adriana? bjs

Sérgio Santos disse...

Tô achando as imagens lindas, mineiro.

Sérgio Santos disse...

O remake foi mt mérito do diretor msm, Vinicius.

Sérgio Santos disse...

Entendo, William.

Sérgio Santos disse...

Aguardemos, Felis. Bom o seu comentário. abçs

Sérgio Santos disse...

Obrigado pelos bem escritos, Lucas. E eu tento ser imparcial sempre que posso, porém, a partir do momento que vc expõe sua opinião automaticamente vc já mostra parcialidade. Faz parte.

Sérgio Santos disse...

Respeito sua concepção, Yasmin!bj

Vera Lúcia disse...


Oi Sérgio,

Li suas considerações, muito bem formuladas. Vi a estréia e outros capítulos, todavia, ainda não me apaixonei pela novela. Por isso mesmo, por ora, estou assistindo apenas a algumas partes para não perder o 'fio da meada'. Aguardemos.

Abraço.

Elaine De Paula disse...

Não entendi porque os personagens de velho Chico usam figurinos de epoca ,como se estivessem no século 19 se a trama se passa na década de 60 e depois na década de 80.Porque a história não pode se passar como se os personagens realmente estivessem nas decadas de 60 e depois de 80,com roupas dessas épocas?

Elaine De Paula disse...

Não entendi porque os personagens de velho Chico usam figurinos de epoca ,como se estivessem no século 19 se a trama se passa na década de 60 e depois na década de 80.Porque a história não pode se passar como se os personagens realmente estivessem nas decadas de 60 e depois de 80,com roupas dessas épocas?

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Tentei assistir aos primeiros capítulos, mas achei a narrativa lenta demais e as cenas, bem violentas. Esse tipo de novela não faz meu gênero, apesar de eu reconhecer qualidades na direção, produção e atuações. Preferi as novelas anteriores do Benedito Ruy Barbosa: Pantanal, Renascer (principalmente), O Rei do Gado, Terra Nostra, Paraíso (original e remake).