segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ótima em "Justiça", Leandra Leal merecia uma Kellen há tempos

Não há nada pior para um ator do que ser estigmatizado, ou seja, ficar limitado aos mesmos personagens durante a carreira. Tem ator que é o eterno galã e atriz que só interpreta mocinhas puras, entre outras situações bem semelhantes. Leandra Leal, por exemplo, sempre foi caracterizada pelas típicas 'heroínas' politicamente corretas. Ela estreou em 1990, em "Pantanal", ainda criança e cresceu diante do público. Ao longo de pouco mais de 20 anos de carreira foram poucos os perfis diferentes das mocinhas bondosas na televisão. Mas, finalmente, isso mudou em "Justiça".


A periguete Kellen é um perfil que Leandra estava merecendo há tempos. A personagem foi a responsável pela desgraça na vida de Fátima (Adriana Esteves), protagonista da melhor trama da minissérie de Manuela Dias, dirigida por José Luiz Villamarim. Se aproveitando da fragilidade do namorado Douglas (Enrique Diaz), traumatizado com o assassinato de seu cachorro, a mulher mandou ele plantar drogas no terreno para incriminar a vizinha. A armação rendeu sete anos de cadeia para Fátima, que viu ainda o filho virar trombadinha e a filha prostituta.

Ou seja, Leandra Leal ganhou uma vilã muito bem escrita pela autora. E a periguete é um dos perfis secundários de maior destaque do enredo, tendo também um toque cômico delicioso. Kellen é dona de inúmeras pérolas e seu sarcasmo faz do papel um dos melhores da história.
A situação que favorece a atriz é a ligação de interesseira com Celso (Vladimir Brichta), o personagem coringa do enredo. Como o ex-traficante participa de todas as quatro histórias, ela acaba aparecendo tanto quanto ele, mais especificamente nos episódios de terça e sexta, destacando o talento da intérprete.

As suas cenas com Julia Dalavia sempre foram muito boas, havendo sempre o convidativo contexto da vingança de Mayara como pano de fundo. O momento em que Kellen desconfia da garota de programa e a menina se revela, enfrentando a cafetina, foi brilhantemente interpretado pelas atrizes. Leandra também teve uma boa dobradinha com Enrique Diaz e ainda protagonizou um grandioso embate com Adriana Esteves, quando Fátima foi defender a filha e ameaçou a rival com uma garrafa de vidro quebrada. As atrizes, por sinal, já haviam brilhado juntas em duas ocasiões: em "A Indomada" (1997), quando foram mãe e filha, e "O Cravo e a Rosa" (2000), quando viveram as irmãs Bianca e Catarina. A rivalidade da periguete com Rose foi outro ponto alto, valorizando as cenas de Leandra ao lado de Jéssica Ellen.

A carreira da atriz no cinema é bem mais rica (no sentido de papéis variados) do que na tevê. São vários filmes que contaram com o talento de Leandra, sendo necessário uma menção especial ao elogiado "O Lobo atrás da Porta" (2013), onde ganhou dois troféus por sua atuação: o Prêmio Fênix e o Grande Prêmio de Cinema Brasileiro. Ela ainda levou dois prêmios por seu desempenho em "A Ostra e o Vento" (1998) e o Grande Prêmio Cinema Brasil em virtude do ótimo "Cazuza - o tempo não para" (2004). "Zuzu Angel" (2006), "Estamos Juntos" (2011) e "Mato sem Cachorro" (2013) são outros longas que contaram com o seu excelente desempenho, entre mais alguns não citados. Ou seja, enquanto os autores da televisão preferiam fixá-la em um mesmo tipo de papel, na tela grande havia a oportunidade de mostrar versatilidade.

E, mesmo vivendo uma sucessão de heroínas chatas e cansativas, Leandra não fazia feio. Ela sempre teve uma ótima atuação. Entretanto, não conseguia se destacar em meio a outros perfis infinitamente mais cativantes e convidativos. Também havia uma certa ausência de cenas atrativas para a intérprete. Citando apenas os tipos mais 'recentes', a atriz viveu a íntegra e sonhadora italiana Agostina em "Passione" (2010), a correta Rosário em "Cheias de Charme" --- a empreguete mais chatinha --- (2012), a militante Zélia em "Saramandaia" (2013) e a mocinha pedante Cristina em "Império" (2014). As raras vezes em que pôde sair um pouco do mais do mesmo foram em "Senhora do Destino" (2004), onde viveu a gótica Maria Cláudia (inimiga ferrenha de Nazaré) e "Ciranda de Pedra" (2008), quando interpretou a assanhada Elza.

Agora, como Kellen, Leandra Leal brilha desde a estreia de "Justiça" e provou que estava merecendo um tipo diferenciado há tempos. Bastou darem a oportunidade para a atriz mostrar o quanto é boa. A periguete ambiciosa ganhou uma intérprete à sua altura.

15 comentários:

Gabriella disse...

Merecia e está maravilhosa.

Anônimo disse...

Concordo com o texto e a Kellen é uma personagem carismática, apesar de canalha.

Heitor disse...

Parabéns pelo texto!

Sandro disse...

Adorei a postagem. Ela merecia essa personagem e esse seu texto!

William O. disse...

Ela precisava mesmo se livrar dessas mocinhas chatas e pedantes.Que bom que veio numa produção de extrema qualidade.

Bia Hain disse...

Olá, Sérgio, como vai? Na minha opinião Leandra é espetacular, uma das melhores atrizes dessa geração, merece com certeza papéis que valorizem seu talento. Abraços!

Pâmela disse...

Oi querido

Leandra é maravilhosa pena por tantos anos ter sido lembrada apenas para coadjuvantes. Kellen é uma de suas melhores personagens também gostei dela em Senhora do Destino e Cheias de Charme já em Império, a Cristina era muito chata rs

Sérgio Santos disse...

Está sim, Gabriella.

Sérgio Santos disse...

Sem duvida, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Heitor.

Sérgio Santos disse...

Fico feliz, Sandro.

Sérgio Santos disse...

Precisava urgentemente, William!

Sérgio Santos disse...

Merece sempre, Bia! bjssss

Sérgio Santos disse...

C ristina era insuportável, Pâmela. Ey tb adorei a personagem dela em Senhora do Destino justamente pq fugia daquelas mocinhas chatas. Já em Cheias de Charme eu não gostei pq odiava a Rosário.

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Leandra Leal sempre está ótima nas personagens.