segunda-feira, 16 de julho de 2018

Trama densa e entrega do elenco foram as marcas de "Onde Nascem os Fortes"

A supersérie da Globo (nomenclatura adotada pela emissora ano passado para classificar produções das onze) estreou no dia 23 de abril e marcou a volta da bem-sucedida parceria dos talentosos George Moura e Sérgio Goldenberg. Os autores das aclamadas minisséries "O Canto da Sereia" (2013) e "Amores Roubados" (2014) e do primoroso remake de "O Rebu" (2014) retornaram em grande estilo na faixa que os consagraram. "Onde Nascem os Fortes", dirigida brilhantemente por José Luiz Villamarim e Walter Carvalho (outros grandes parceiros dos escritores nos três trabalhos anteriores), esbanjou qualidades do início ao fim.


A história em torno do misterioso desaparecimento de Nonato (Marco Pigossi), irmão gêmeo da protagonista Maria (Alice Wegmann), na fictícia Sertão ----- local repleto de figuras obscuras e complexas ----- foi desmembrado habilmente ao longo dos meses e os escritores presentearam o público com uma produção refinada, onde a entrega do elenco e o enredo denso foram as principais marcas. Aos poucos, foi possível observar que o sumiço do rapaz que provocou uma briga com o poderoso Pedro Gouveia (Alexandre Nero) era apenas a ponta do fio de um novelo bem mais espesso e embaraçado.

Logo no primeiro capítulo ficou claro que o juiz Ramiro (Fábio Assunção) tinha relação no desaparecimento do rapaz em virtude da sua rivalidade com Pedro. No entanto, os escritores resolveram desenvolver a trama em etapas. A primeira foi voltada para a incansável saga de Maria em busca dos responsáveis pelo sumiço de Nonato, declarando guerra a Pedro e deixando a mãe, Cássia (Patrícia Pillar), desesperada.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Capítulo 100 de "Orgulho e Paixão" promove uma sucessão de ótimas cenas

A atual trama das seis da Globo faz por merecer todos os elogios e segue com um impressionante fôlego. "Orgulho e Paixão", dirigida por Fred Mayrink, vem sendo conduzida com habilidade por Marcos Berstein, que parece saber de todo o potencial de seu enredo e não poupa história. Tanto que o capítulo 100, exibido nesta sexta-feira (13/07), apresentou uma nova sucessão de acontecimentos e presenteou o público com cenas ótimas.


E todos os recentes conflitos acabaram ocasionados por Lady Margareth, uma vilã deliciosamente odiável e brilhantemente defendida por Natália do Vale. A sua entrada deixou a novela ainda melhor. O momento em que Olegário (Joaquim Lopes) desmascarou Susana (Alessandra Negrini) e Petúlia (Grace Gianoukas) diante de Julieta (Gabriela Duarte), Darcy (Thiago Lacerda), Charlotte (Isabella Santoni) e Aurélio (Marcelo Faria) primou pela entrega dos atores, promovendo uma nova virada no enredo.

Além de ter revelado todas as armações da vilã, Olegário ainda confirmou todo o seu passado de falcatruas, rompendo de vez a parceria com a ex-mulher. Alessandra Negrini protagonizou sua melhor cena na trama até agora e Gabriela Duarte novamente brilhou quando Julieta expulsou a antiga amiga de sua casa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Canal Viva acerta ao homenagear os 30 anos de "Vale Tudo"

Recentemente, o Viva gerou a indignação dos telespectadores quando retalhou "Bebê a Bordo" por causa da baixa audiência. A maior identidade do canal a cabo era a reprise na íntegra de todas as novelas. A promessa foi quebrada na trama de Carlos Lombardi. Com o claro objetivo de "compensar" essa atitude lamentável, a emissora resolveu reprisar pela segunda vez o fenômeno "Vale Tudo", um dos folhetins mais aclamados da teledramaturgia, em comemoração aos 30 anos da produção.


Não por acaso, a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brasseres fez um grande sucesso no Viva em 2010, época da primeira reexibição. O intuito é reerguer a audiência e tentar se redimir com o público, prometendo nunca mais cortar a reprise de qualquer folhetim. O telespectador, claro, segue desconfiado, mas a missão de elevar os índices já foi realizada. Desde 18 de junho, dia da estreia, a novela é líder entre os canais a cabo na faixa de 00h30, conseguindo atingir bem mais pessoas, uma vez que a quantidade de assinantes atualmente é muito maior. E o êxito não surpreende em nada.

"Vale Tudo" é uma produção atemporal, infelizmente, e repetirá o sucesso sempre que for reprisada. Poucas novelas conseguem esse feito. A história retrata com maestria a corrupção do Brasil e a hipocrisia da sociedade diante de um mal que parece imortal. A própria música de abertura ---- "Brasil" ---- virou um marco na voz de Gal Costa, embora a versão original de Cazuza também seja lembrada.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Após destaque em "Gabriela", Giovanna Lancellotti volta a ser valorizada em "Segundo Sol"

Quando estreou na televisão, em 2011, na fraca "Insensato Coração", em pleno horário nobre da Globo, Giovanna Lancellotti demonstrou potencial de sobra para voos maiores. Ela convenceu na pele da doce Cecília em uma novela cujos defeitos foram bem maiores que os acertos. Era um papel pequeno, mas foi uma ótima estreia. Um ano depois, ironicamente, a atriz interpretou o que viria a ser a melhor personagem de sua carreira até então: a sofrida Lindinalva, no remake de "Gabriela". E estava apenas em seu segundo trabalho. Mas bastou para provar que tinha chegado para ficar.


O sucesso foi tanto que a personagem ---- inexistente na obra de Jorge Amado ---- virou a mocinha da adaptação de Walcyr Carrasco, formando um lindo par com Marco Pigossi (Juvenal), e ofuscou a própria Gabriela (Juliana Paes). Giovanna protagonizou uma sucessão de cenas dramáticas e muito pesadas, expondo uma entrega admirável. Após esse intenso trabalho, portanto, a intérprete seria ainda mais valorizada nas próximas novelas ou séries, seguindo a lógica. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Giovanna ganhou a promissora Bélgica em "Alto Astral" (2014), mas a vilã não teve grande relevância no enredo de Daniel Ortiz, embora seu núcleo tenha rendido alguns bons momentos.

No ano seguinte, então, o caso foi ainda pior. João Emanuel Carneiro a escalou para viver Luana na controversa "A Regra do Jogo". A personagem pertencia a um dos piores núcleos do folhetim, pois a família falida de Feliciano (Marcos Caruso) era uma tentativa fracassada de repetir o sucesso da família de Tufão (Murilo Benício) em "Avenida Brasil".

domingo, 8 de julho de 2018

Apesar dos exageros, "Show dos Famosos" virou um bom quadro do "Domingão do Faustão"

Baseado no formato original "Your Face Sounds Familiar", o "Domingão do Faustão" estreou o "Show dos Famosos" em  2017 e ficou claro que o quadro era uma boa ideia mal executada. Apesar das várias críticas a respeito das caracterizações exageradas e muitas vezes nada parecidas com os artistas homenageados, o programa insistiu na proposta e exibiu a segunda temporada em 2018, que chegou ao fim neste domingo (08/07). E pode-se constatar que, entre erros e acertos, o show funciona como entretenimento e apresentou uma sensível melhora.


Basicamente, todo o esquema da primeira temporada foi mantido. Oito participantes participaram da disputa e quatro se apresentaram em cada domingo. Porém, ao contrário do ano passado, não houve vencedor em cada rodada. Ou seja, quem se saía melhor e ocupava o primeiro lugar no dia da sua apresentação não levava troféu. A não eliminação, todavia, se manteve, implicando em uma acumulação de pontos. Silvero Pereira, Naiara Azevedo, Sandra de Sá, Paulo Ricardo, Helga Nemeczyk, Mumuzinho, Tiago Abravanel e Alessandra Maestrini foram os selecionados da segunda edição e vários deles fizeram bonito.

Alessandra foi a que mais se destacou na voz, fazendo jus ao seu reconhecido trabalho em musicais. Sua potência vocal impressionou, mas infelizmente não conseguiu ser finalista. Tiago honrou o que se esperava dele e chegou à final com méritos, embora tenha tropeçado em algumas apresentações. Mumuzinho foi outro grande competidor e a imitação da maravilhosa Alcione o transformou em favorito.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Globo abusa da imagem de Tiago Leifert

A Globo parece gostar bastante do Tiago Leifert. A emissora o presenteou simplesmente com quatro programas e só não conseguiu emplacá-lo em cinco porque não havia possibilidade de conciliação do trabalho. Atualmente, o apresentador pode ser visto quase diariamente no "Central da Copa", iniciado em 14 de junho, junto com a Copa do Mundo de 2018. O jornalista tem um incontestável carisma e sabe comandar um programa ao vivo como poucos, mas a pergunta é: essa "overdose" é realmente necessária?


Tiago estreou no canal a cabo SporTV em 2006, como repórter, e migrou definitivamente para a Globo em 2009, onde passou a apresentar o "Globo Esporte SP". Ficou na atração esportiva até 2015 e inseriu um novo jeito de comandar um programa de esportes. O tom mais sério e sóbrio foi deixado de lado, enquanto a descontração virou a protagonista. Deu tão certo que virou uma espécie de "regra" em todo formato, se estendendo para outros estados. Não por acaso, deixou de vez o jornalismo, indo para o entretenimento em 2012. Virou o apresentador do "The Voice Brasil", que iniciava sua primeira temporada.

Sua desenvoltura caiu como uma luva na competição musical e de lá não saiu mais. Leifert acabou virando peça fundamental no comando da disputa de vozes, sempre interagindo bem com os jurados e público. Em 2015, chegou a substituir Fátima Bernardes durante suas férias, fazendo dupla com Ana Furtado no "Encontro".

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Alice Wegmann vive seu melhor momento em "Onde Nascem os Fortes"

Que "Malhação" é um celeiro de talentos já é sabido há tempos. O seriado adolescente lançou muito ator talentoso no mercado e segue apresentando novos rostos que emplacam na carreira. A recém-terminada "Viva a Diferença", por exemplo, foi protagonizada por cinco meninas ótimas. Toda temporada revela bons nomes. Algumas mais e outras menos. Alice Wegmann é uma dessas gratas revelações e atualmente protagoniza com extremo brilhantismo "Onde Nascem os Fortes", trama das 23h, classificada pela Globo como supersérie.


A atriz é até um caso "atípico". Isso porque sua primeira aparição foi na fase de 2010, escrita por Emanuel Jacobina, onde interpretou a simpática Andréia, uma menina que entrou na metade da história e não teve muita importância. Em 2011, por sua vez, Alice conseguiu mostrar um pouco mais do seu talento na primorosa "A Vida da Gente", novela das seis de Lícia Manzo. Ela emocionou vivendo a tenista Sofia. Também era um perfil secundário, mas proporcionou bons momentos para a intérprete. Até que, em 2012, Alice voltou para "Malhação", interpretando Lia, uma das protagonistas do enredo de Rosane Svartman e Glória Barreto. Ou seja, esteve duas vezes no seriado adolescente.

A marrenta roqueira foi defendida com muita competência pela atriz, que ainda fez uma deliciosa parceria com Agatha Moreira, intérprete da doce Ju, outra boa revelação da fase e que atualmente se destaca como Ema em "Orgulho e Paixão". Lia foi o divisor de águas na carreira de Alice. A personagem era um dos trunfos da "Malhação Intensa" e o sucesso dessa temporada ajudou a projetá-la para voos mais altos.

terça-feira, 3 de julho de 2018

"Malhação - Vidas Brasileiras" falha na construção de todos os casais

A atual temporada de "Malhação" já merece ser considerada uma das piores da história do seriado adolescente. A tentativa de copiar o esquema da trama canadense "30 Vies", que apresentava um novo enredo a cada quinze capítulos, não deu certo e fica impossível o público ter qualquer empatia pelos personagens. O resultado é uma história rasa, forçada e desinteressante. Para culminar, a autora ainda fracassou na construção de absolutamente todos os casais de "Vidas Brasileiras".


Na verdade, a ausência de romances bem construídos é consequência de um roteiro limitado. Não há qualquer personagem carismático na trama, o que nunca aconteceu em 26 temporadas. Mesmo nas fases mais fracas, havia pelo menos um casal atrativo ou um perfil que roubava a cena. Não há nada disso agora. Então, é até compreensível a inexistência de pares que despertem algum tipo de torcida ou empatia.

Os protagonistas, por exemplo, formam um casal que provoca tédio. A intrometida professora Gabriela (Camila Morgado) e o apático Rafael (Carmo Dalla Vechia) sempre foram apaixonados, mas nunca conseguiram firmar a relação por conta de imprevistos do cotidiano. Os dois seguiram suas vidas e se reencontraram no início da história.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

"Orgulho e Paixão" fica ainda melhor com a entrada de Natália do Vale

Uma das muitas qualidades de "Orgulho e Paixão" é o seu bom ritmo. O autor está sempre promovendo conflitos e acontecimentos na trama, evitando qualquer barriga ---- período onde nada de relevante ocorre. Como há vários casais atrativos no enredo e muitos personagens bem construídos, Marcos Bernstein consegue extrair o melhor desse bom conjunto até com certa facilidade. E agora o escritor inseriu uma grande vilã na história, o que resultou em uma ótima virada.


Lady Margareth Williamson é a irmã de Lorde Williamson (Tarcísio Meira) e a escolhida para representá-la foi Natália do Vale. A personagem chegou para tumultuar a relação de Darcy (Thiago Lacerda) e Elisabeta (Nathalia Dill), que estava até então harmoniosa em virtude da descoberta das cartas falsas usadas por Susana (Alessandra Negrini) para separá-los. A arrogante mulher trouxe sua filha, Briana (Bruna Spínola), para oficializar o casamento com o sobrinho, se aproveitando de um "acordo familiar" feito anos atrás. 

A tia do mocinho mal chegou e já movimentou a novela com sua empáfia, recheada de frases preconceituosas sobre o Brasil. Não esperou para intimar Darcy a casar com Briana e nem se preocupou em desprezar Charlotte (Isabella Santoni), lembrando da má reputação da sobrinha por causa do relacionamento com Uirapuru (Bruno Gissoni).

quinta-feira, 28 de junho de 2018

"Lia" é uma boa produção da Record

"Apocalipse" foi um dos maiores fracassos da Record. Repleta de problemas, incluindo a intervenção da filha de Edir Macedo no roteiro (desagradando a autora Vivian de Oliveira), a novela fez jus ao seu título. Realmente representou um cataclismo na programação da emissora, perdendo constantemente de "Carinha de Anjo" e depois de "As Aventuras de Poliana", do SBT, amargando um incômodo terceiro lugar de audiência. Foi o folhetim bíblico menos visto do canal, que demorou demais para escolher uma trama substituta, expondo a surpresa com o fiasco da história que custou uma fortuna em efeitos especiais e escalação de mais de 100 atores. A saída, então, foi a produção de uma minissérie.


A Record resolveu produzir apressadamente "Lia", que terá apenas 15 capítulos, servindo como tapa-buraco da grade enquanto as gravações iniciais da novela "Jesus" não são concluídas. A trama estreou nesta terça-feira (26/06), na mesma faixa de "Apocalipse". Escrita por Paula Richard e dirigida por Juan Pablo Pires, a trama conta a vida da bondosa Lia (Bruna Pazinato), jovem batalhadora que nunca deixou de acreditar no amor, mesmo diante de todos os percalços. É a primeira história bíblica da emissora vista sob o ponto de vista de uma mulher, embora se passe 2000 anos antes de Cristo.

A protagonista cresceu cuidando da irmã Raquel (Graziela Schmitt), desde a morte da mãe, e sofreu várias humilhações da madrasta Laila (Suzana Alves). Lia se apaixona por Jacó (Felipe Cardoso), mas o rapaz só tem olhos para sua irmã, que só se preocupa com riquezas e ama seduzir homens. No entanto, Raquel cede aos cortejos de Jacó somente para fazer a irmã sofrer e a relação das duas fica cada vez mais conturbada.