sexta-feira, 6 de novembro de 2026

"A Nobreza do Amor" termina com a sensação de que poderia ter sido muito maior do que foi

 Nesta sexta-feira (06/11), chegou ao fim A Nobreza do Amor, após 193 capítulos. A novela de Duca Rachid, Julio Fischer e Elisio Lopes Jr. teve inúmeras qualidades, mas não conseguiu transformar seu potencial em uma história verdadeiramente empolgante. A estrutura narrativa prejudicou bastante o desenvolvimento da obra, que terminou sem provocar o entusiasmo esperado e com repercussão modesta nas redes sociais e no boca a boca.


Curiosamente, a produção apresentou problemas semelhantes aos de Êta Mundo Melhor!, sua antecessora, que também passou em brancas nuvens, sem empolgar e com audiência mediana. Ambas sofreram com uma narrativa que andava em círculos, repetia situações e demorava demais para apresentar acontecimentos realmente relevantes. A última novela das seis a conquistar uma repercussão especialmente expressiva nas redes sociais foi Garota do Momento.

É uma pena, porque A Nobreza do Amor tinha tudo para ser muito maior. Os autores foram corajosos ao apresentar uma história protagonizada por uma realeza africana, com um reino fictício claramente inspirado em Pantera Negra.

Não por acaso, a sonoridade de Batanga remete imediatamente a Wakanda. Foi um prazer ver uma produção com essa proposta na televisão aberta, valorizando referências africanas, tradições culturais e religiões de matriz africana. Havia ali uma identidade visual e temática que merecia ser explorada com muito mais profundidade.

O problema é que a novela parecia ter receio de desenvolver a própria premissa. O golpe de Estado aconteceu cedo demais, ainda no início da trama, e provocou a fuga da princesa Alika (Duda Santos) para o Brasil, onde passou a viver como Lúcia, na fictícia Barro Preto. Com isso, a protagonista e o grande vilão Jendal (Lázaro Ramos) foram separados logo na segunda semana, permanecendo praticamente toda a novela sem dividir cenas. Os dois só voltaram a se encontrar na reta final.


Foi um erro crasso de estrutura narrativa. Separar o principal antagonista da mocinha durante praticamente toda a história esvaziou a força de ambos. Jendal perdeu a oportunidade de estabelecer um confronto constante com Alika, enquanto a princesa ficou sem um conflito central à altura de sua importância. O embate entre os dois deveria ter sido a espinha dorsal da novela, mas acabou reduzido a encontros esporádicos e a uma resolução tardia.


No Brasil, Alika passou boa parte dos capítulos envolvida em situações repetitivas com Mirinho (Nicolas Prattes) e Virginia (Theresa Fonseca), o casal de vilões obcecado pela protagonista. Ele, por um amor doentio; ela, por um ciúme cego. A mocinha, que tinha sido apresentada como uma princesa guerreira, passou a enfrentar armações relativamente banais em uma cidade pacata, sem grandes desafios e sem oportunidades suficientes para demonstrar suas habilidades.


Também incomodou a maneira como Virginia praticava sucessivos ataques racistas contra Lúcia sem que a protagonista pudesse reagir à altura. A personagem de Duda Santos novamente ficou presa a uma posição excessivamente passiva diante das agressões da antagonista, algo que já havia acontecido em Garota do Momento. Faltou permitir que a mocinha enfrentasse essas situações com mais contundência. 


A princesa guerreira acabou desperdiçada em Barro Preto. Suas habilidades foram pouco exploradas, e uma das raras situações em que precisou demonstrá-las aconteceu durante o ataque dos cangaceiros. Mesmo assim, Tonho (Ronald Sotto) precisou assumir o protagonismo da ação ao se jogar na frente dela e levar um tiro, ficando entre a vida e a morte.

O casal principal tinha química de sobra e era muito bonito de acompanhar, mas houve um excesso de heroísmo por parte de Tonho. Alika poderia ter resolvido diversas situações sozinha, especialmente considerando tudo o que havia sido apresentado sobre sua formação e suas capacidades. Além disso, desde cedo ficou evidente que Tonho era o príncipe de Batanga, herdeiro que acabaria ao lado da princesa e participaria da libertação do reino. A previsibilidade não seria necessariamente um problema se o caminho até esse desfecho tivesse sido mais interessante.


A falta de conflitos relevantes para Alika foi tão evidente que Kênia (Nikolly Fernandes) acabou assumindo, em determinados momentos, o verdadeiro posto de protagonista dos acontecimentos em Batanga. Sua rebeldia contra o próprio pai por amor a Dumi (Licinio Januário), guarda real que traiu o rei golpista para liderar a resistência, rendeu conflitos muito mais interessantes. Kênia passou a enfrentar diretamente as crueldades de Jendal, que se tornaram ainda mais intensas com a chegada de Binta (Lesliana Pereira), transformada em rainha e madrasta má.


Enquanto isso, a princesa guerreira enfrentava mais uma armação de Virginia em Barro Preto. Não fazia sentido que a personagem central da história africana tivesse tão pouco espaço para protagonizar os acontecimentos mais importantes de seu próprio reino. Uma pena que Duda Santos tenha passado novamente por uma situação semelhante à de sua novela anterior, embora tenha brilhado mais uma vez e demonstrado que nasceu para protagonizar grandes histórias.


Outro problema bastante evidente foi a falta de figuração. Uma produção que apresenta um reino, uma corte, um povo submetido a uma ditadura e uma resistência organizada precisa de escala. Não basta colocar meia dúzia de guardas em cena e concentrar praticamente todas as sequências do castelo na mesma sala ou no mesmo quarto. A limitação orçamentária da Globo ficou perceptível em diversos momentos.


Jendal tinha poucos soldados à disposição, os ambientes do palácio eram excessivamente restritos e raramente havia planos abertos capazes de transmitir a dimensão de Batanga. O povo do reino demorou mais da metade da novela para aparecer de maneira efetiva e, quando finalmente surgiu, ainda parecia muito menor do que a história exigia.


O mesmo problema se repetia em Barro Preto. A cidade parecia deserta em várias sequências, com pouquíssimas pessoas circulando pelas ruas. A Globo chegou a responder às críticas alegando que se tratava de uma cidade interiorana pacata, mas a justificativa não convenceu. Uma cidade do interior pode ser tranquila sem parecer abandonada. Nos tempos áureos da teledramaturgia, as produções investiam muito mais em figurantes, independentemente de a história se passar em uma grande capital ou em um pequeno município.


Depois de tantas reclamações, a emissora chegou a aumentar discretamente a quantidade de figurantes em algumas cenas. Ainda assim, a impressão de economia excessiva permaneceu até o fim. E isso prejudicou a credibilidade da narrativa. Como acreditar na dimensão de um reino inteiro quando quase nunca se vê seu povo? Como sentir o cotidiano de uma cidade quando suas ruas estão constantemente vazias?

A deficiência ficou ainda mais evidente no núcleo de Batanga, justamente aquele que deveria conferir grandiosidade à produção. Faltaram cerimônias, movimentações populares, manifestações de resistência, encontros coletivos e acontecimentos capazes de transmitir a sensação de que havia uma sociedade inteira vivendo sob o domínio de Jendal.


Também faltaram conflitos mais atraentes nos núcleos paralelos brasileiros. Tudo o que envolvia o prefeito de Barro Preto pouco divertia ou despertava interesse. E não se trata de responsabilizar os atores. Fabio Lago é um excelente profissional e fez o que pôde com o material que recebeu, chegando a forçar a voz para remeter ao icônico Odorico Paraguaçu, de O Bem-Amado. Entretanto, as situações envolvendo o prefeito e a estátua de sua mãe se tornaram cansativas.


O núcleo da pensão de Dona Geralda também não emplacou, apesar do talento de Carol Badra. Os personagens ficaram deslocados e as situações apresentadas raramente tinham graça. O destaque positivo foi Marcelo Médici como padre Viriato, papel que permitiu ao ator explorar uma faceta menos conhecida pelo público. Sua oportunidade de transitar pelo humor também apareceu com o cangaceiro Carrapato, irmão gêmeo do religioso.


Nem mesmo os pais de Virginia, Diógenes e Marta, conseguiram ter uma função mais interessante ao longo da novela. Danton Mello e Emanuelle Araújo são excelentes, mas passaram boa parte da trama dando broncas na filha. Até o caso extraconjugal do banqueiro, que originou a existência de Ritinha (Julia Salarini), poderia ter rendido muito mais. O grande acerto desse núcleo foi Aurelinda, vivida pela carismática Antonelle Benvenutti. A menina tinha tiradas sarcásticas e roubava a cena sempre que aparecia.


A família de Salma (Rayssa Bratillieri) também sofreu com a repetição. A personagem passou praticamente a novela inteira refém dos pais libaneses, que insistiam em organizar seu casamento com Fuad (João Fernandes). A talentosa Rayssa ficou presa a situações muito semelhantes durante meses, assim como Eduardo Mossri e Kika Kalache, intérpretes de Miguel e Fátima, que mereciam conflitos mais variados.


A demora na chegada de Omar (Rodrigo Simas) ao Brasil também prejudicou o desenvolvimento do romance com Salma. Os dois tinham química de sobra e poderiam ter protagonizado uma relação muito mais aprofundada, mas os autores demoraram demais para colocar o casal em uma trajetória realmente interessante.

Outro desperdício foi a história de Manoel (Daniel Rangel) e Ana Maria (Julia Lemos). A jovem tímida, com baixa autoestima, nutria uma paixão platônica pelo melhor amigo do irmão. Quando finalmente começaram a namorar, ele demonstrou vergonha de assumir o relacionamento em público. O problema é que o par romântico de Ana Maria era Januário (Italo Martins), personagem que passou boa parte da novela sem função definida. O ator chegou a reclamar publicamente, com razão, da rejeição e do lamentável racismo velado de parte do público que não torcia pelo casal, mas os próprios autores também contribuíram para a falta de adesão ao relacionamento ao desenvolverem a história somente perto da reta final.


Quando Manoel humilhou Ana Maria publicamente, ela finalmente decidiu terminar tudo. Foi uma situação que poderia ter sido construída com muito mais cuidado, permitindo que a personagem ganhasse autonomia e que Januário tivesse participação efetiva na história.

Maria Helena (Quitéria Kelly) e o delegado Fortunato (Cesar Ferrario) também mereciam um desenvolvimento melhor. Ela era constantemente humilhada pelo marido e, quando decidiu buscar a felicidade ao lado do pianista que representava seu amor de infância, simplesmente saiu da novela. Depois, retornou apenas para sofrer uma tentativa de feminicídio praticada pelo ex-marido. Faltou continuidade e, principalmente, um desfecho que fizesse justiça à trajetória da personagem.


O desperdício de personagens não parou por aí. A rainha Niara, vivida por Erika Januza, passou boa parte da história sem uma função realmente relevante, aparecendo esporadicamente como professora das crianças de Barro Preto. Uma atriz como Erika merecia muito mais. O mesmo vale para a grandiosa Zezé Motta, que brilhou como Dona Menina, mas teve menos espaço do que deveria. Levi Asaf, que havia encantado como Marcelino em Amor Perfeito, dos mesmos autores, também apareceu pouco.


Apesar de tantos problemas, seria injusto ignorar as qualidades da produção. O texto era muito bem escrito, o elenco estava repleto de talentos, os personagens tinham boas construções individuais e a direção de Gustavo Fernández e equipe entregou momentos visualmente muito bonitos. Havia competência artística de sobra, mas faltou uma estrutura narrativa capaz de aproveitar tudo isso.

Fabiana Karla brilhou como a amargurada e deslumbrada Graça, formando uma boa dupla com Cássio Gabus Mendes, que conquistou o público como o íntegro Casemiro. A morte do personagem proporcionou uma das cenas mais emocionantes da novela.


Nicolas Prattes também merece um elogio especial. Depois de um momento pouco feliz em Mania de Você, o ator saiu fortalecido como Mirinho, demonstrando uma faceta até então pouco explorada de sua carreira: a vilania. Além de construir um personagem de caráter duvidoso, conseguiu inserir momentos de humor que tornaram o antagonista ainda mais interessante.


Theresa Fonseca estreou na vilania como Virginia e também saiu fortalecida. Nikolly Fernandes, por sua vez, deu um passo importante na carreira como Kênia, mostrando personalidade e talento em seus embates com Jendal.


E o que dizer de Lázaro Ramos? O ator entregou um de seus grandes trabalhos na televisão como o cruel e egocêntrico Jendal. O personagem tinha momentos de comicidade involuntária, especialmente diante de sua arrogância e de sua própria falta de inteligência, mas nunca perdia a ameaça que representava. Lázaro construiu um vilão marcante, daqueles que mereciam muito mais tempo de confronto com a protagonista.


Lesliana Pereira foi outra grata surpresa como Binta. Sua entrada engrandeceu a novela e trouxe uma nova energia para os conflitos de Batanga. Também merece elogio especial a representação das religiões de matriz africana, com cerimônias belíssimas, respeitosas e emocionantes. Foram momentos de grande beleza, que justificaram parte da importância cultural da proposta.


Ronald Sotto segurou bem o protagonismo e merece novos voos. Duda Santos, mais uma vez, comprovou sua força como protagonista e já poderia receber a oportunidade de viver uma grande vilã. Rayssa Bratillieri também se destacou, enquanto João Fontenele merece reconhecimento pelo sonso Sebastião, personagem que foi crescendo gradativamente ao longo da história.


André Luiz Miranda (Akin), Luciano Quirino (Pascoal), Ana Cecília Costa (Teresa), Bukassa Kabengele (José), Raissa Xavier (Belmira) e Michel Blois (Mr. Campbell) também contribuíram para a qualidade do elenco. E houve ainda a participação luxuosa de Taís Araújo nas últimas semanas, como a rainha Menemi.


Mas o maior problema de A Nobreza do Amor ficou evidente justamente em seu encerramento. O melhor capítulo da novela foi, sem dúvida, aquele exibido na última terça-feira, com a grande batalha entre a resistência e os soldados de Jendal, culminando na derrubada do ditador.

Finalmente, a produção entregou aquilo que o público esperava havia meses: uma sequência grandiosa, com movimentação, enfrentamentos, soldados, resistência popular e a dimensão de um reino inteiro em conflito. Era exatamente esse tipo de acontecimento que poderia ter aparecido muito antes. A batalha deu a Batanga a escala que sempre deveria ter tido e mostrou, ainda que tardiamente, o potencial da história.


Foi uma catarse que demorou demais para acontecer. Durante meses, o telespectador acompanhou situações repetitivas, conflitos que pouco avançavam e personagens presos aos mesmos problemas. Era possível deixar de assistir à novela por semanas e retornar sem sentir que havia perdido algo realmente importante. Quando finalmente vieram os acontecimentos de maior impacto, a sensação foi de que a produção poderia ter oferecido muito mais.

Faltaram grandes batalhas, confrontos políticos, movimentações populares e acontecimentos capazes de justificar a existência de uma história sobre um reino africano submetido a uma ditadura. A queda de Jendal deveria ter sido o resultado de uma trajetória longa, cheia de reviravoltas e enfrentamentos, e não uma grande explosão concentrada tão perto do final.


O penúltimo capítulo se mostrou corrido demais, o que incluindo o casamento apressado de Salma e Omar, que mereciam ter um desenvolvimento mais cuidadoso, além do triplo casamento de casais que mal foram construídos: Mundica e Ciço (Lukete), Manoel e Rosa (Isadora Gondim) e os já citados Ana Maria e Januário. Até mesmo Caetana (Cyria Coentro) surgiu com um homem do lado, após terem flertado brevemente capítulos atrás. Também ficou jogada a autoaceitação de Dôra (Vitória Rodrigues), que finalmente parou de alisar seu cabelo e o deixou natural. Esse era um dos dramas promissores da obra, mas os autores adiaram tanto que deixaram pro final e sem a presença de Alika, que tinha sido a responsável pelo conselho dado para a primeira dama da cidade. Todos esses fatores reforçaram os problemas do núcleos paralelos. O ponto positivo foi a fuga de Mirinho, depois que roubou todo o dinheiro que Virginia ganhou de Jendal, por ter denunciado Alika. 


Já a beleza do final do penúltimo capítulo, que reservou um encerramento especial para Alika e Tonho, merece uma menção honrosa. O casamento dos protagonistas foi uma sequência belíssima, com uma celebração grandiosa e repleta de convidados ilustres, escolhidos a dedo para representar diferentes realezas e personalidades da cultura brasileira. A presença de nomes como o cantor Péricles, a escritora Conceição Evaristo, a ginasta Daiane dos Santos, Elisa Lucinda, Paulo Lins, Tony Tornado, Lincoln Tornado, Zebrinha, MC Cabelinho, Leda Maria Martins, Bruna Black, Tasha & Tracie, Júnior Maestro, Kabengele Munanga e o próprio autor Elísio Lopes Jr. conferiu um significado especial à cerimônia. Foi uma escolha de participações muito feliz, que valorizou a diversidade, a representatividade e a contribuição de artistas, intelectuais e personalidades negras para a cultura brasileira. A sequência também reforçou a proposta de valorização da ancestralidade e das referências africanas que sempre estiveram no DNA da novela, vide a cena linda de Dona Menina cantando diante dos convidados. Visualmente bonita e carregada de simbolismo, a celebração foi um presente para o público e uma maneira digna de coroar a trajetória do casal protagonista. Depois de tantos problemas no desenvolvimento da história, foi gratificante ver a novela reservar um momento tão especial para seus mocinhos.


O último capítulo ficou abaixo das expectativas. A morte de Jendal, picado por uma cobra e caindo da falésia, foi fria, sem impacto e aquém de um vilão de seu tamanho. Um suicídio seria no mínimo mais contundente. Mirinho merecia um final mais trabalhado e menos atropelado. Teria sido muito melhor o desfecho com o canalha roubando Virginia e se dando bem. Ser assassinado por um marido traído que flagrou sua esposa com ele foi uma punição jogada sem construção, incluindo o corte brusco da cena pro velório, sem nem ter mostrado as reações de Graça e Virgínia. Aliás, o último embate entre Virgínia e Alika mais uma vez ficou aquém, até porque a vilã racista terminou a história sem levar um tapa sequer da mocinha e ainda ao lado de Sebastião, com o filho, e rica. Graça também passou a gostar de Ana Maria, a filha por quem sempre nutriu desprezo, sem qualquer evolução crível. O ponto alto foi apenas a última cena, com uma passagem de tempo de cem anos, que lembrou bastante "Além do Tempo", de Elizabeth Jhin. A descendente de Alika, também vivida por Duda Santos, em uma Batanga tecnológica e moderna, que lembrou Wakanda, falando da riqueza da tecnologia de sua terra e sentindo um aperto no peito, quando a câmera foca na reencarnação de Jendal, com um penteado igual ao Erik Kilmonger, de "Pantera Negra" . 


No saldo final, A Nobreza do Amor sai de cena com uma audiência mediana, repercussão modesta e a sensação incômoda de que cumpriu muito menos do que prometeu. Ainda assim, suas qualidades artísticas e sua proposta temática podem favorecer uma boa comercialização no mercado internacional e até uma eventual candidatura ao Emmy Internacional.


O grande mérito da novela foi apostar em uma história diferente, valorizar a cultura africana, reunir um elenco precioso e apresentar personagens que, em mãos mais bem aproveitadas, poderiam ter marcado época. O grande pecado foi não saber o que fazer com tudo isso durante boa parte de seus 193 capítulos.

A trama tinha uma premissa excelente, um texto competente, direção cuidadosa e intérpretes capazes de entregar grandes momentos. Faltaram ritmo, conflitos realmente relevantes, figuração e, sobretudo, coragem para desenvolver o confronto central entre a mocinha e o grande vilão.


Com uma estrutura mais enxuta e mais investimento, a história poderia ter sido infinitamente mais dinâmica e empolgante. É difícil não imaginar que A Nobreza do Amor teria funcionado muito melhor em aproximadamente 60 capítulos, sem tantos rodeios, repetições e núcleos que pouco acrescentaram ao conjunto.


Uma novela que tinha tudo para ser grandiosa, mas acabou sendo apenas uma boa ideia desperdiçada em uma narrativa excessivamente arrastada. O saldo é de frustração, principalmente porque havia talento de sobra diante e atrás das câmeras. E talvez essa seja a maior pena: A Nobreza do Amor poderia ter sido muito maior do que realmente foi.

5 comentários:

Teresa Isabel SIlva disse...

Gostei de ler!

Bjxxx,
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Anônimo disse...

Gustavo Fernández nas 21h para ontem, não se sim na mão do Aguinaldo (aliás faria sentido se tem uma melhor sinopse) ou de Lupéri ou Gloria, ou sei lá Ele não pode ficar relegado.

Anônimo disse...

Acho que estamos num caso particular de novela baseada nos figurinos e locações. Não é de hoje o estilo da Duca de fazer novela, Cordel, a primeira novela só das duas tinha uma proposta de mocinhos e vilões brincando de gato e rato o tempo todo. Depois as duas se sentiram tão cômodas que continuaram com o estilo, só que no Cordel se sentia coerente pelo fato de ser uma trama baseada nos contos de fadas, difícil sustentar o mesmo estilo traducido nos secostro nas tramas históricas "Joia" o reporte realista "Órfãos". E uma coisa comum nas novelas de Duca, só novelas de proposta que parecem rompedoras mais não estão desenhadas para o formato de 150 capítulos ou mais, tudo o que fica é recheio. No pessoal, acho que se fossem novelas dos anos 80 a maioria seria lembrada como clássicos, mas hoje o povo anda mais exigente, estou com pavor de que a Globo aprove propostas tão simples. Olha a próxima de Aguinaldo numa cidade do interior - esquecemos o parecer de que as propostas e a competência são maiores e todo mundo faz qualquer coisa por atenção. Durante muito tempo, as autoras ficaram marcadas pelo papo do sequestro, ouviram o povo e os sequestros saíram, mas agora se percebe como eles serviram para fazer de recheio apenas e tudo o resto da elegância ficou por conta da direção de arte e a direção de núcleo aproveitando a corajosa proposta. Uma novela já não pode viver apenas de proposta, aliás, nunca deviam, mas hoje na competência menos que nunca.
Gabriel

Anônimo disse...

Um detalhe na "competência" me refiro sobretudo ao caso de competir contra streaming, TikTok e Youtube.

Anônimo disse...

Muita pompa e poucas circunstâncias. O que quero dizer é que a novela parece esses carros de carnaval que você olha e são belíssimos, e você fica grudado com todas as cores e decoração, mas no quesito de enredo aí a coisa muda. Acho que num carnaval o formato tem força, já que não se exige muito nos cinco minutos de viagem, mas as novelas são mais de 100 dias de vida e você tem que virar. Se avaliou isso aqui, acho que como novela das 18h é correta, estas se voltaram novelas que os espectadores assistem por pura inércia. Boas para deixar a tevê  ligada enquanto você passa o café ou faz faxina. Um som de fundo agradável. Agora, como a produção é legal, mas como novelao não tinha como conseguir, os autores dispensaram uma trama para uns 30 capítulos e rechearam com uma novela paralela. A direção deito e rolo com um universo quase místico na África, com passagem e lugares que não se vê todos os dias nas novelas que falam do destaque da produção e da necessidade de Gustavo nas 21h, mas chega, até ali, a lembrança ficará com essas imagens, mas não com uma história empolgante e memorável. E isso a Globo fez bem e a história no horário correto, mais perigoso seria proposta feita "O Tempo Não Para" que já após a proposta fico sem história, só que às 19h é quando você tem que ser mais exigente e às 21h é para não ficar com sono e botar sonífero e talvez por isso não sou tão duro. Foi bonito.
Daniel