sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alana Cabral é uma grata surpresa em "Três Graças"

 A estreia de Alana Cabral como uma das protagonistas em "Três Graças" tem sido um dos pontos mais interessantes da atual safra de novelas. Em seu primeiro papel à frente de uma trama, e ainda tão jovem, a atriz demonstra uma segurança que chama atenção na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva, dirigida por Luiz Henrique Rios.


Desde os primeiros capítulos, Alana construiu Joelly com delicadeza, evitando exageros. Sua interpretação aposta no naturalismo, o que faz com que os conflitos da personagem pareçam orgânicos. Para alguém em seu primeiro protagonismo, é notável a forma como ela sustenta cenas longas e emocionalmente exigentes sem perder o tom. Claro que dividir o protagonismo com Sophie Charlotte (Gerluce) e Dira Paes (Lígia) serve como ponto de apoio importante, mas seu bom desempenho merece reconhecimento.

Há ainda um desafio adicional em sua composição: Joelly é uma adolescente impulsiva, que muitas vezes faz o que quer, toma decisões precipitadas e contraria conselhos. Um perfil assim facilmente poderia irritar o público ou gerar rejeição. Ainda mais diante da relação com outra figura irresponsável, o instável Raul (Paulo Mendes).

No entanto, Alana consegue driblar esse risco ao revelar as fragilidades por trás das atitudes intempestivas. Em vez de apresentar apenas teimosia, ela deixa transparecer insegurança, medo e desejo de afirmação, o que humaniza a personagem e torna compreensíveis até mesmo suas escolhas mais questionáveis.

Esse amadurecimento ficou ainda mais evidente nas cenas recentes que envolvem a tensão do parto de Joelly. A sequência marcada pelo medo de ter a filha roubada por Samira (Fernanda Vasconcellos) exigia um equilíbrio delicado entre fragilidade e instinto de proteção, mas a atriz encontrou esse ponto com precisão. Sua expressão corporal transmitia exaustão e vulnerabilidade, enquanto a voz trêmula revelava o pânico crescente diante da ameaça. Não houve exagero; houve verdade. E o pânico diante da vilã, em uma sala de parto isolada, expôs toda a tensão necessária daquele instante de terror.

É especialmente louvável que, mesmo com pouca idade, Alana não se apoie apenas na intensidade emocional. Ela demonstra compreensão do ritmo dramático, sabendo quando conter e quando expandir a emoção. Essa maturidade artística sugere um futuro promissor, caso continue escolhendo projetos que desafiem suas capacidades. Vale lembrar que não é seu primeiro trabalho na televisão. Ano passado, a atriz brilhou mesmo com um pequeno papel na irretocável "Guerreiros do Sol", novela do Globoplay. A sofrida Damiana foi bem defendida por ela. "Assédio" (2018), "Verão 90" (2019), "Nos Tempos do Imperador" (2021) e "Eleita" (2022) foram outros trabalhos em que Alana teve pequenas participações e que serviram como preparação para seu atual momento. 

Em "Três Graças", sua estreia como protagonista, aos 18 anos, não soa como aposta arriscada, mas como um passo coerente de uma jovem atriz que demonstra preparo e sensibilidade. Talento, quando aliado a dedicação e inteligência cênica, realmente independe da idade.

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