terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Flagra de Zenilda destacou Andreia Horta e proporcionou aguardada catarse em "Três Graças"

 O capítulo de Três Graças desta terça-feira (10/02) foi um dos mais fortes da novela até aqui, começando com uma sequência de grande impacto dramático e muito aguardada pelo público. Bem estruturado e emocionalmente consistente, o enredo encontrou seu ponto alto no momento em que Zenilda (Andreia Horta) flagrou Ferette (Murilo Benício) com  Arminda (Grazi Massafera). A virada exigia precisão e entrega total de sua intérprete, o que aconteceu lindamente.


A atuação de Andreia Horta nessa sequência confirma pela enésima vez o quão talentosa é. A cena não se sustentou apenas pelo choque da revelação, mas pela construção emocional cuidadosa que a atriz apresentou, conduzindo a personagem até uma catarse convincente e dolorosa. 

Desde os primeiros segundos, chamou atenção a forma como Andreia trabalha o silêncio. Antes mesmo de qualquer fala, o olhar de Zenilda já traduzia a mistura de incredulidade e percepção gradual do que estava acontecendo.

A pausa significativa, ainda que curta, representou um instante em que a personagem tentou organizar o que via,  e foi nesse tempo interno bem administrado que a atriz deu profundidade à cena. A personagem até confessou que no fundo já sabia, mas se fazia de cega, surda e muda.

Quando a reação veio, ela foi intensa e com direito a muitos tapas, tanto no marido quanto na amante. É um clichê irresistível. O povo gosta. Andreia mergulhou nos excessos necessários para a catarse, mas privilegiou a verdade emocional. Cada fala carregou frustração e decepção, mas também a consciência de uma relação que se rompeu ali, diante dela. O texto de Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva foi corajoso, com direito a um palavrão quase nunca usado em novelas da Globo: 'Puta'. Normalmente, há um medo tolo da cúpula da emissora e o xingamento é comum apenas em produções do streaming. Parece pouco, mas não é. E fez toda diferença para aumentar a veracidade da cena. Já o momento final, quando a personagem chorou sozinha em seu apartamento e se deitou no chão em posição fetal, destacou a solidão e o desamparo que aquela mulher enfrentava naquele instante. Nota dez para a direção de Luiz Henrique Rios.

Outro ponto importante foi a preparação para essa catarse. A sequência funcionou porque foi construída ao longo dos capítulos anteriores, e Andreia soube incorporar essa trajetória com sutileza. Pequenos gestos, mudanças de expressão e momentos de hesitação foram preparando o terreno para o confronto. Assim, o desfecho não soou abrupto ou atropelado, mas consequência natural de um desgaste já insinuado. Antes do flagrante da traição, Zenilda tinha acabado de descobrir que Ferette fornece remédios de farinha em sua Fundação. E vale lembrar o choque da personagem quando o marido transbordou homofobia diante da relação de Lorena (Alanis Guillen) com Eduarda (Gabi Medvedovski) e cuspiu transfobia quando soube do namoro de Leonardo (Pedro Novaes) e Viviane (Gabriela Loran). Foi um acúmulo que explodiu com a deslealdade.

Vale até destacar também os demais acontecimentos do capítulo, que prenderam o público do início ao fim, vide o término entre Viviane e Leonardo diante da descoberta a respeito da cumplicidade do rapaz com os crimes do pai, e o gancho final com Gerluce (Sophie Charlotte) chegando na delegacia para prestar depoimento ao lado de Rogério (Eduardo Moscovis), para o choque de Paulinho (Romulo Estrela). Mais uma relação perto do rompimento. 

"Três Graças" está na semana do seu centésimo capítulo e antes dele já está presenteando os telespectadores com várias excelentes sequências, como o flagrante de Zenilda  nos vilões. O resultado foi uma cena forte, coerente com o arco da personagem e bem executada do ponto de vista dramático. Andreia Horta entregou uma interpretação segura e sensível, contribuindo decisivamente para que o capítulo se destacasse como um dos melhores momentos da trama até agora.

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