sexta-feira, 5 de maio de 2017

"A Força do Querer" vem apresentando um ótimo início

A nova novela das nove estreou no dia 3 de abril, ou seja, está há pouco mais de um mês no ar, bem no comecinho. O primeiro capítulo de "A Força do Querer" foi morno e sem grandes acontecimentos. Parecia um capítulo qualquer e não o número um. Isso não foi um mérito nem um defeito, apenas uma opção da autora. E Glória Perez parece ter plena consciência do que está fazendo, pois está inserindo os dramas cuidadosamente, despertando a atenção do público e agradando a Globo ---- a média até então está em torno dos 31 pontos, melhor início desde "Império".


A história é simples e com poucos personagens, o que é uma novidade e tanto levando em consideração o histórico de Glória. Ela sempre foi uma escritora que encheu suas produções de atores, muitas vezes não conseguindo destacar todos, deixando vários deles avulsos em enredos desinteressantes. Sua última novela, por exemplo, sofreu merecidas críticas em virtude do excesso de gente. "Salve Jorge" foi uma produção problemática em vários aspectos, tendo a quantidade exagerada de intérpretes como um dos principais erros. Agora, a autora parece ter aprendido a lição e resolveu preencher sua nova trama com tipos apenas essenciais para o contexto.

O fato de ter deixado de lado as culturas estrangeiras, que já tinham virado uma espécie de marca, também merece menção. A sua última novela que não teve isso foi o remake de "Pecado Capital", em 1998. Isso porque "América" (2005), querendo ou não, teve os Estados Unidos como uma das temáticas (em virtude da abordagem dos imigrantes ilegais).
E a escritora só conseguiu um êxito completo tendo essa premissa em "O Clone" (2001), pois em todas as demais cometeu equívocos ao longo do desenvolvimento. A única ambientação 'distante' do eixo Rio-São Paulo no atual enredo é a fictícia Parazinho, que tem como referência, claro, o Pará. Ainda assim só nesse começo, pois aos poucos, todos os personagens do local estão vindo para Niterói (onde o enredo é contado). E mesmo que não viessem, seria válido explorar outros estados do Brasil.

O foco inicial tem sido a vida de Ritinha (Isis Valverde), uma das três protagonistas. A inconsequência da menina que ama se vestir de sereia e tem paixão pelos botos vem sendo mostrada através de suas atitudes deslumbradas e egoístas. Apesar dos primeiros capítulos terem sido mais lentos, Glória já apresentou boas viradas na vida da personagem, vide a fuga da garota logo depois de ter se casado com Zeca (Marco Pigossi). Além de ter traído o noivo com o galinha Ruy (inexpressivo Fiuk), a 'sereia' veio para o Rio de Janeiro como tanto queria e grávida do ex-noivo. A trama tem despertado interesse, mas a aproximação de Zeca e Jeiza (Paolla Oliveira) é o maior ponto positivo até então. A relação de gato e rato do caminhoneiro machista com a policial independente tem proporcionado ótimos momentos, valorizando a boa química dos atores. Aliás, Jeiza se mostra a mais convidativa protagonista ---- até porque a trama de Bibi Perigosa (Juliana Paes) ainda não engrenou, embora já comece a se desenhar.

Já o núcleo que vem se mostrando a melhor do folhetim é a da Ivana (Carol Duarte). A menina que não se sente à vontade com seu corpo e sofre com as cobranças da mãe envolve com facilidade. O cuidado com que a autora está abordando o tema do transgênero merece elogios. Tudo está sendo explorado com cuidado e sem pressa, enfatizando cada incômodo da personagem através de ótimos desabafos com a prima Simone (Juliana Paiva). Carol Duarte está com um papel desafiador nas mãos e sua estreia na televisão tem tudo para ser a melhor possível. Maria Fernanda Cândido também está perfeita na pele da perua Joyce, assim como Dan Stulbach, que brilha como Eugênio, um marido cada vez mais cansado da futilidade da esposa e que se mostra atencioso com a filha, ao mesmo tempo que inicia um envolvimento com a interesseira Irene (Débora Falabella) ---- outro contexto que ainda não engrenou, mas que promete, embora seja quase igual ao de Ivone (Letícia Sabatella) em "Caminho das Índias". Cláudia Mello vivendo a governanta Zuleide é outro bom nome.

A história em torno do vício em jogo também se mostra um atrativo e tanto do enredo. Principalmente porque a atriz que interpreta a viciada Silvana é Lília Cabral, que engrandece qualquer elenco. A personagem é apaixonante e está sendo vivida com brilhantismo pela intérprete, que está em plena sintonia com Humberto Martins, que vive o marido rabugento Eurico. A cumplicidade da jogadora de poker com a empregada Dita (Karla Karenina) é outro acerto. A recente situação envolvendo a falsa compra de uma bolsa que valia 50 mil reais (para disfarçar a perda da fortuna em uma jogatina) proporcionou boas cenas e resta torcer para que a trama não se esgote, pois o conjunto se mostra animador. Há uma mescla de drama e humor em torno da vida de Silvana.

"A Força do Querer" ainda tem muitos meses pela frente. Ou seja, é impossível prever o que acontecerá. Mas que esse começo da trama está animador é um fato evidente. A direção de Rogério Gomes (que peca na trilha incidental repetitiva, mas acerta em todo resto) também tem sido fundamental para o êxito da produção até agora. A história vem fluindo muito bem e tem sido bastante gostoso acompanhar a novela. Que tudo continue assim até o final, previsto para outubro.

30 comentários:

Anônimo disse...

Concordo. O inicio foi chato, mas agora tá boa. Sónão tolero Fiuk num papel tão importante. Isso broxa.

Natália Santiago disse...

Concordo. Suas críticas são ótimas.

Só não estou satisfeita com o papel da Juliana Paiva. A atriz merece um enredo melhor, ter vida, sonhos, paixões, conflitos. Até então só a vejo como escada pro papel da Carol Duarte, que está ótima por sinal.
Acho q o mais destoante é o Fiuk. Infelizmente, ao meu ver, ele nao está pronto pra um papel desses.
Silvana e Eurico estão ótimos.
Ritinha está mais pra vilã q pra mocinha. Mas a Isis Valverde é tão boa atriz q passa carisma pra Ritinha.

Gabriella disse...

Parabéns. Crítica precisa. E ainda expõe sua imparcialidade, pois vc nunca escondeu que não curte as tramas da Glória.

✿ chica disse...

Sempre legais teus comentários e críticas das novelas! Estou gostando dessa! Tomara continue bem,rs... abração, lindo fds! chica

Oathkeeper disse...

O desempenho de Paolla nas cenas apresentadas não lembra em nada seus papeis anteriores e já se percebe uma visível química com Pigossi. E por todo o seu conjunto de garra, auto-estima, empoderamento e segurança, Jeiza pode ser considerada o oposto de Érica, militar vivida por Flávia Alessandra em Salve Jorge, que vivia se arrastando e se anulando pelo cansativo mocinho Theo (Rodrigo Lombardi).
Paolla Oliveira, que em certo momento da carreira chegou a ficar conhecida por fazer mocinhas insossas (como Marina de “Insensato Coração”, Sonia de ‘O Profeta’ e Paloma de “Amor à Vida”), faz sua estreia ao lado de Glória Perez e tem nas mãos uma mulher de personalidade forte e bem-resolvida — após fazer sucesso com a sedutora Danny Bond de “Felizes Para Sempre” e a vilã Melissa de “Além do Tempo”.
Paolla vem em uma visível crescente e já deu amostras de que pode brilhar muito vivendo a policial. Pelo que foi apresentado, Jeiza pode ser mais uma grande personagem para a atriz.

Gustavo Nogueira disse...

Concordo totalmente Sérgio.A novela está bem boa e já considero melhor que América, Caminho das Indias e Salve Jorge, as novelas anteriores da Glória, ela me surpreendeu porque não estava com muita expectativa.A melhor história é da Ivana mesmo, mas venho gostando da trama da Ritinha, apesar da presença do inexpressivo Fiuk e do casal Zeca e Jeiza, Marco Pigossi e Paolla Oliveira estão em plena sintonia.A trama da Bibi perigosa começou chata, mas está engrenando com a entrada do Rubinho para o mundo do crime e provavelmente ela também entrará.Também gosto do núcleo da Lília Cabral, ela está ótima e tem mesmo ótima sintonia com Humberto Martins e Juliana Paiva(que concordo com a Natália está muito mal aproveitada, mas a novela ainda tá no começo).

Mas a trama tem algumas semelhanças com Caminho das Indias como vc falou várias vezes, Joyce é uma Melissa Cadore, mas agora casada com o cunhado Raul Cadore que é o Eugênio e tem um filho que vive em conflito que era o Tarso e agora a Ivana, a diferença é que não é nenhuma doença.Irene é uma Ivone melhor interpretada(o que já está melhor já que a Letícia Sabatella estava muito fraca e não convenceu como vilã, já a Débora Falabella está muito bem).Só o tempo dirá se essas tramas serão melhores que as de Caminho das Indias ou não.Ruy é o Tião/Bahuan/Téo da vez e ainda com uma interpretação fraquíssima do Fiuk, é o grande erro da novela.Posso estar enganado, mas é provável que o papel dele suma aos poucos e apareça um outro par romântico para a Isis Valverde.

Debora disse...

Olá Sérgio tudo bem???


Adorei sua crítica, quase não assisto essa novela, mas acho bem interessante (menos a parte da sereia)...



Beijinhos;
Débora.
http://derbymotta.blogspot.com.br/

Anderson De Araújo disse...

O Rodrigo Lombardi está bem apagado com o Caio. Quase não vejo ele em cena.
Uma outra atriz que ao meu ver está sendo desperdiçada é a Totia Meireles. Totia seria ótima como Silvana, não desmerecendo a diva Lília Cabral.

Rita Sperchi disse...

Boa noite Serginho querido td bem com vc,bom
estou assistindo a novela..mas sou sincera não
sou fá da Isis Valverde..sei la não vou com a cara
dela, rsrsr..Vamos torcer pra que seja mesmo uma boa
novela...
Abraços com carinho!

└──●► *Rita!!

Vera Lúcia disse...


Olá Sérgio,

Conforme já lhe disse, no início da novela eu tive ímpeto de não segui-la, mas com o decorrer dos capítulos acabei me envolvendo. Você tem razão em suas considerações, notadamente quanto às abordagens mais delicadas. Só lamento que Rodrigo Lombardi esteja tão sem brilho, pois acostumei-me com seus personagens charmosos e atraentes.
Uma vez mais, parabéns pela excelência de suas considerações!
Ótimo final de semana!
Abraço.

Ed Taborda Assunção disse...

Sinceramente venho achando o mais do mesmo da Glória, as tramas dela sempre são iguais, a diferença é que agora não tem um milhão de atores no elenco. Se vai melhorar ou vai ser morna assim sempre só o tempo vai dizer. Só sei que achei o primeiro mês de A Lei do Amor um milhão de vezes melhor. Pena que a novela degringolou totalmente depois...
E percebo que mesmo com o elenco reduzido, ainda tem uns personagens sendo só orelha, caso da Juliana Paiva que é ótima e só fica ouvindo os dramas da prima.
abraço

Bia Hain disse...

Olá, Sérgio, como vai?
Achei dois pontos interessantes no seu post, a colocação de que a trama é simples e tem poucos personagens - talvez seja do que estamos precisando, simplicidade, numa sociedade da enxurrada de informações - e pontuar que a novela não é temática, sempre que se fala em Glória Peres me vem alguma cultura diferente à memória. É bom para mudar, mas eu gosto quando ela aborda novelas sob essa perspectiva, do desconhecido para nós. Abraços, obrigada pelo carinho por lá sempre!

Anônimo disse...

Anovela tá boa, mas já li que Jeiza vai ficar com Caio então tem tudo pra desandar.

Sérgio Santos disse...

Tb não tolero, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Natália. Fico feliz que goste. Tb acho que Juliana Paiva merecia mais, porém, quando li o papel já imaginava que seria assim. Ao menos ela tem o bom conflito com a mãe viciada em jogo. E Gloria, acredito eu,colocaria uma atriz de menor importância no papel, mas a Lilia pediu a Ju por admirar o trabalho dela. Então já valeu.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Gabriella. A ideia é essa.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Chica. bjao

Sérgio Santos disse...

Paolla está mt bem mesmo, Oath!

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Gustavo. E eu concordo totalmente com seu ótimo comentário.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Debora. bjs

Sérgio Santos disse...

Ainda tá mt no começo, Anderson. Difícil analisar isso de importância por agora. Mas Totia sempre é lembrada pela Gloria e agora não foi diferente. Aguardemos.

Sérgio Santos disse...

Sem problemas, Rita. bjsss

Sérgio Santos disse...

Eu lembro, Vera. E mais uma vez obrigado pelo carinho. bjs

Sérgio Santos disse...

Entendo e respeito sua opinião,Ed. O início de A Lei do Amor foi excelente msm. abçsssss

Sérgio Santos disse...

Eu que agradeço seu carinho. Bia. Bjao!!!

Sérgio Santos disse...

Tb li isso, anonimo, mas depois do sucesso de Jeizeca creio que a autora vai dar uma mudada...

Adriana Helena disse...

Sérgio, boa noite querido!!
Nossa, você sempre tira as palavras de minha boca, é exatamente isso que sinto ao ler seu texto! Uauuuuu
Realmente o inexpressivo Fiuk está de lascar diante dos demais protagonistas...rsrs
Gente, ele não é um bom ator, misericórdia... Mas quem sabe melhora não é?
A demais tramas também estão bastante envolventes e Lília Cabral arrasa junto com a Zezé Polessa, esta impagável em seu personagem, mãe da Ritinha...rsrs

Adorei amigo!!
Obrigada!!
Beijos e uma semana linda!! :))

Sérgio Santos disse...

Duvido que melhore, Adriana. Não melhorou até hoje não melhora mais. Não podia ter ganhado um papel e mt menos com essa importância. Zezé e Lilia tão maravilhosas mesmo. Bjão!!!

Jéssica disse...

Gosto bastante de Zeca e Jeiza e também estou adorando a interferência da Ritinha, acho que têm tudo pra ser uma boa trama. Espero que a Glória não junte a Jeiza com o Caio, por que está legal a química com o Zeca, mas eu, sinceramente, gostaria de um novo par pra Ritinha. Um desperdício colocar alguém com o talento da Isis pra contracenar com o Fiuk, a história até é boa, mas química zero.

Sérgio Santos disse...

Concordo plenamente, Jéssica.