terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"Três Graças" presenteia público com aguardadas catarses e ótimos embates

A novela "Três Graças, escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Ze Dassilva, vive um de seus momentos mais potentes ao apostar em capítulos que expõem feridas emocionais sem abrir mão do conflito dramático. Todos os acontecimentos recentes vêm prendendo a atenção do público com aguardadas catarses, que vieram após uma construção minuciosa dos autores através de um desenvolvimento muito bem estruturado.


A sequência em que a vilã Arminda (Grazi Massafera) abandona momentaneamente sua couraça de frieza para ir atrás do filho Raul (Paulo Mendes) nas ruas é um desses acertos. Ao mostrar a personagem vulnerável, quase perdida, a trama humaniza quem até então parecia movida apenas por impulsividade e total crueldade com seu herdeiro. É uma virada inteligente: Arminda continua sendo vilã, mas passa a ser também mãe, e essa contradição dá densidade à narrativa e prende o espectador pelo afeto e pela surpresa. A escolha de tirá-la de seus ambientes de poder e colocá-la em contato direto com a dureza da rua reforça visualmente essa fragilidade, além de permitir à atriz explorar nuances emocionais que enriquecem ainda mais a personagem.

Outro destaque é o embate entre Ferette (Murilo Benício) e a filha Lorena (Alanis Guillen), que escancara o preconceito ainda presente em muitas famílias. O homofóbico, ao questionar de forma agressiva o namoro da filha com outra mulher, funciona como espelho incômodo de uma realidade social persistente.

A cena é dura, mas necessária, e ganha força justamente por não suavizar o conflito. Lorena surge firme, emocionalmente ferida, porém segura de quem é, enquanto Ferette se afunda em sua intolerância, o que reforça seu papel de vilão e provoca reflexão no público. O texto acerta ao não transformar o confronto em discurso didático: o preconceito aparece cru, violento, e a dor da rejeição paterna é sentida no silêncio, nos olhares e nas pausas, tornando a sequência ainda mais impactante. Alanis, Murilo e Andreia Horta, que emocionou com a dor daquela mãe que ainda é submissa aos desmandos do marido, foram excelentes. 

Já o flagra de Gerluce (Sophie Charlotte) ao ver a filha Joelly (Alana Cabral) beijando Raul é puro melodrama no melhor sentido. A descoberta de que o rapaz é o pai da filha que Joelly espera reorganiza toda a trama em poucos minutos, elevando a tensão e abrindo novas frentes de conflito. A reação da mocinha, misto de choque, ódio, decepção e preocupação materna, foi conduzida com entrega e verdade, evitando exageros fáceis. A cena não se resumiu ao escândalo do beijo, mas se aprofundou nas consequências emocionais dessa revelação, prometendo desdobramentos intensos para todos os envolvidos, especialmente para Joelly, que passa a encarar não apenas a gravidez, mas também o peso das escolhas que fez. Os tapas, os gritos e a forma como a mocinha humilhou o genro em público lavaram a alma dos telespectadores e imprimiram ainda mais força à protagonista, que é uma das mais apaixonantes dos últimos tempos. 

E o que dizer da sequência em que Arminda seguiu Raul até a Chacrinha e constatou que ele é o pai da bebê que Joelly espera? Os autores foram corajosos em colocar a vilã para descobrir o plot logo depois da mocinha, uma vez que poderiam esperar para promover uma nova catarse mais adiante. As cenas da perua pela favela foram impagáveis, além do texto ferino ('Que lugar horroroso, só tem ladeira e gente feia'), e depois migraram para o momento dramático na casa da Gerluce, com excelentes cenas protagonizadas por Grazi Massafera, Sophie Charlotte, Paulo Mendes, Alana Cabral e Dira Paes. 

Vale mencionar ainda o momento em que Ferette descobriu que Viviane (Gabriela Loran) é uma mulher trans, após o caos durante o jantar que promoveu para o filho apresentar a namorada. A cena poderia ter sido mais demorada até o instante do clímax, mas mesmo assim o resultado foi positivo e com excelentes atuações, além de esperados confrontos. Lorena foi com Juquinha para tentar impedir um maior constrangimento com Viviane, mas levou junto João (Samuel de Assis), Kasper (Miguel Falabella) e Maggye (Mell Muzillo). O constrangimento dominou aquele encontro e o vilão proferiu uma avalanche de preconceitos, o que resultou no afronte de Vivi, que revelou sobre sua condição, o que deixou o empresário horrorizado. Para culminar, Lorena afrontou o pai e acabou pedida em casamento por Juquinha, o que gerou um beijo apaixonado. Foi o bastante para Ferette enfartar. A cena mesclou tensão com um toque de humor e Murilo Benício brilhou, assim como Gabriela Loran e todos os presentes. 

O mérito desses capítulos está justamente na costura entre o íntimo e o social. "Três Graças" não se limita a criar reviravoltas; ela usa seus personagens para discutir maternidade, intolerância, segredos e responsabilidades afetivas. Ao humanizar vilões, endurecer conflitos familiares e apostar em revelações que mudam o rumo da história, a novela reafirma sua força narrativa. São episódios que demonstram maturidade de texto e direção, mantendo o público envolvido não apenas pela curiosidade do “o que vai acontecer”, mas pelo “como isso afeta quem está em cena”. É nesse equilíbrio entre emoção, crítica e complexidade que a novela mostra estar em plena forma. Azar de quem não está acompanhando.

2 comentários:

Anônimo disse...

Perdão, mas é preciso falar que pouco me surpreende a baixa audiência da novela. Lamentavelmente, você olha a novela que tem excesso de flashback, referências, crossovers, memes e falso dinamismo (Rogerio, aquela sensação de muito barulho por nada) sem falar da enrolação. Olha a coitada da Barbara Reis, já tem locação, mas ainda não é sequer fixa. E Fernanda, que deu uma vilã tão aterrorizante que assustou seu próprio autor em relação à sua Arminda, perdeu brilho (como se Samira fosse vilã de outro autor). E, desde o roubo, suas protagonistas se sentem perdidas. Lígia está sendo sacrificada para alegrar uma audiência evangélica que a novela não tem, Gerluce e Paulinho? Aquelo lá surpreendentemente ficou com Deus. O problema dessa novela é que não tem um centro narrativo empolgante, é boa, mas uma trama que tem uma estátua não é suficiente para a tia de sofá, os sentimentos humanos estão sendo ignorados. Eu cheguei a apostar no sucesso da trama da quarta graça perdida (a filha da Joelly) mas a o paso que a gente va você spercebe que os autores a olharom como uma trama menor, porque ainda no capítulo 100 a criança não nasce e não foi robada e nada como ter uma família procurando uma criança para chamar a atenção, acredite que o roubo da quarta graca aconteceria (como deviu ser antes da aparição de Rogério) não é coincidência o sucesso das duas versões de Eta mundo melhor, Mãe na Record o ate a minina de Dona de Mim o público adora drama com crianças e bebês pero Aguinaldo erro feio acreditando no mármore como gancho narrativo. É o drama humano e sentimental o que faz a novela o gênero das mães. Será que Lígia conece a Lena e Herculano? Mas é uma pena, a novela já está sendo discutida, segundo Flávio Ricco, para ser cortada. É também esse o motivo do sucesso de Senhora do Destino (Do Carmo procura Isabel). Como você deixa o Cezane de Sebastião e as joias da baronesa serem o centro de uma novela? Assim se sentem as estátuas de três graças. O drama estava na cara, mas Aguinaldo continua fazendo cenas para virar memes e fazendo referência para viralizar.
Gabriel

Anônimo disse...

Zamenza, cara, que vasílio foi a escrever um comentário e virou uma tese, kkkk. Se você quer tirar, pode fazer, que vergonha.