segunda-feira, 6 de abril de 2020

"Malhação - Viva a Diferença" é uma reprise muito bem-vinda

A pandemia do coronavírus fez a Globo interromper as atividades nos Estúdios Globo e a principal prejudicada foi "Malhação - Toda Forma de Amar". Ao contrário de "Salve-se Quem Puder" e "Amor de Mãe", a temporada não será continuada depois que o caos passar. Seu fim foi antecipado em um mês e o desfecho da história de Emanuel Jacobina se mostrou deprimente. Como medida de emergência, a emissora escolheu "Malhação - Viva a Diferença" para ser reprisada, uma das mais elogiadas fases do seriado adolescente.


Vencedora do Emmy Internacional Kids na categoria Séries, a trama, brilhantemente escrita por Cao Hamburger e dirigida com talento por Paulo Silvestrini, foi uma seleção muito acertada da Globo. Além de ter sido um dos maiores sucessos recentes de público e crítica, a produção gerou um uma série exclusiva da Globo Play prevista para estrear no segundo semestre com o título de "As Five". Isso porque os telespectadores se apaixonaram pela saga de cinco amigas totalmente diferentes que estabeleceram um elo que originou uma sucessão de dramas e conflitos arrebatadores. A reprise serve para angariar ainda mais audiência para essa espécie de continuação criada para o serviço de streaming.

Assim que estreou, no dia 8 de maio de 2017, "Malhação - Viva a Diferença" deixou a melhor das impressões. Pela primeira vez na história do seriado adolescente não havia um casal protagonista e, sim, cinco meninas totalmente diferentes que se conheceram em um vagão de metrô, inciando um laço futuramente indestrutível graças ao parto de uma delas.
O nascimento do pequeno Tonico (Danilo Castro de Souza), ao som de Trem Bala (cantada por Ana Vilela), marcou o primeiro capítulo, arrebatando o público imediatamente, que logo se apaixonou pela forma como o quinteto central se conheceu. Uma promissora fase se anunciava.

E a promessa de uma grande história acabou sendo cumprida ao longo dos meses. A estreia de Cao  como autor solo na Globo se mostrou a melhor possível, após brilhantes trabalhos na TV Cultura, como o icônico "Castelo Rá-Tim-Bum" (1994/97), "Um Menino Muito Maluquinho" (2006), "Pedro & Bianca" (2012) e "Que Monstro Te Mordeu?" (2014). O escritor até já tinha trabalhado na Globo escrevendo a série "Cidades dos Homens", em parceria com outros roteiristas, entre 2002 e 2005, além de ter sido redador dos infantis "Disney Club" e "Disney Cruj" (1997 - 2002) no SBT. Acostumado a escrever para crianças, ele mostrou ter total habilidade para representar o mundo jovem e construir adolescentes reais, sem fantasiar ou fugir de temas mais densos.

Além da ousadia em ter cinco meninas protagonizando seu enredo e não um casal, Cao ainda trouxe a trama para São Paulo, após 24 temporadas tendo o Rio de Janeiro como ambientação. Essa mudança pode parecer boba, mas ajudou bastante para ''oxigenar'' o formato, principalmente através de vários diálogos tendo gírias paulistas sendo usadas, como o termo "treta" para se referir a brigas, pouco utilizada pelos cariocas.E focar nos dramas individuais de cada protagonista se mostrou outro trunfo e tanto, priorizando também os momentos de todas juntas, lidando com os problemas e se ajudando. Os casais ficaram em segundo plano, mas não deixaram de ter importância. Os romances tiveram bastante espaço no roteiro, valorizando a química entre vários atores.

A forte amizade entre Lica (Manoela Aliperti), Keyla (Gabriela Medvedovski), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski) norteou o roteiro e encantou do início ao fim. O telespectador viu todas amadurecerem ao longo desses onze meses, precisando lidar com vários problemas e dilemas de qualquer adolescente, incluindo as inúmeras diferenças que tinham tudo para separá-las, mas acabaram as unindo mais. O autor acertou em explorar o enredo de cada uma separadamente, iniciando e fechando ciclos durante a temporada, renovando sempre os conflitos e inserindo temas importantes para serem debatidos através de perfis extremamente ricos e bem construídos. Até os casais foram cativantes. Lica e Samantha (Giovanna Grigio) formaram o primeiro casal lésbico com destaque na história de "Malhação". Benê protagonizou momentos de extrema sensibilidade com Guto (Bruno Gadiol), enquanto Ellen teve uma ótima química com Jota (Hall Mendes). Keyla e Tato (Matheus Abreu) e Tina com Anderson (Juan Paiva) foram outros pares atrativos.

Conversei com as cinco protagonistas em uma vídeo-conferência na última quinta-feira (02/04) --- promovida pela emissora --- e perguntei se todas imaginavam o tamanho do sucesso que a temporada faria e como marcaria a carreira delas. As cinco também firmaram uma forte amizade fora da ficção (elas têm um grupo de WhatsApp chamado "Amigas - As Five", igual ao grupo da trama) e todas disseram que ao longo dos meses a ficha foi caindo. Mas sempre confiaram no potencial da história e no talento de Cao. Heslaine até fez uma observação pessoal a respeito da sua admiração pelo autor porque foi a protagonista de "Pedro & Bianca". Também questionei se alguma mudaria o final de sua personagem ou se todas ficaram satisfeitas com os desfechos exibidos. Todas adoraram os finais. Já Ana admitiu que não colocaria Tina para morar com Anderson porque nunca curtiu esse tipo de romantismo. "Queria um final menos brega", confessou. São cinco queridas e mereceram todo o sucesso que fizeram.

A reexibição de "Malhação - Viva a Diferença" é muito bem-vinda. Quem já acompanhou poderá matar as saudades e quem deixou passar a oportunidade ganhou uma nova chance de apreciar essa trama tão bem desenvolvida e que conquistou crianças, adolescentes e adultos.

11 comentários:

William O. disse...

Eu chorei tudo de novo!!!!!!!!

Anônimo disse...

sem duvida viva a diferença foi uma das melhores temporadas dos últimos anos.

Anônimo disse...

E uma boa estratégia mesmo para divulgar a série As Five!

Pedrita disse...

sim, bela dobradinha malhação viva a diferença e novo mundo. cada uma falando do seu tempo. sim, foi incrível mesmo. texto ousado. não tratou adolescente diferente da realidade. e que elenco. já me emocionei de novo hj. beijos, pedrita

Marcos disse...

Eu me emocionei muito (de novo haha) revendo o primeiro capítulo, essa temporada toda é maravilhosa.

Anônimo disse...

Sérgio, você acha que por exemplo a temporada Sonhos, mesmo ótima, tinha personagens adolescentes não tão reais, que eram fantasiados? Será que apenas essa temporada criou tipos tão críveis e reais? E tenho outra pergunta: Lembro que você chegou a dizer que a temporada de 2010 era a melhor no seu ver por ter discutido uma quantidade maior de temas propícios. Só que Viva a Diferença também focou muito no merchandising social e de forma extremamente competente. Você acha que essa temporada conseguiu superar a de 2010 na abordagem de temas relevantes?
Amei o texto como sempre, mas tenho que confessar uma coisa. Eu acharia mais sensato reprisar uma temporada que também fosse ótima, mas que fizesse mais tempo que havia acabado, como a própria de 2010, a Sonhos ou a Intensa (A da inesquecível Fatinha). ---Minha preferida, confesso!---. Abraços!

Matheus.

Anônimo disse...

"Malhação - Viva A Diferença" (2017), ao longo dos meses, colecionou vários trunfos devido à mais perfeita parceria entre elenco, autores, diretores e o restante da equipe envolvida. Com muito orgulho digo que é a minha temporada preferida da história de "Malhação" e a única a cujos capítulos assisti na íntegra até então.

Guilherme

Heitor disse...

Uma das melhores fases. APRENDE, JACOBINA!

Anônimo disse...

Amooooo...
Me emocionei como se nunca tivesse visto e já estou viciada de novo!

danilo andrade disse...

até queria que reprisasse malhação sonhos ou intensa como a vida que ignorei pois não dava a mínima pra malhação, mas como foi com viva a diferença que me interessei nesta novela teen, então resolvi assisti por completo, finalmente vi o primeiro capítulo que perdi pois esperava a van escolar que chegava as 17:30 pra eu ir na escola no EJA (já mostrado em segunda chamada), eu me simpatizava com as 5 garotas da novela, sentia muita falta e agora eu voltei a gostar delas, viva as five.

Sarahhh disse...

Simplesmente péssima temporada. Revise a crítica, tá? Viva a Melecância é horrorosa