quinta-feira, 29 de junho de 2017

"Vade Retro" teve um bom começo, mas se perdeu no caminho

Coprodução da Globo com a O2 Filmes, "Vade Retro" marcou a volta de Alexandre Machado e Fernanda Young à Globo, após o fracasso de "O Dentista Mascarado" (2013). Os talentosos autores estrearam esse novo trabalho em abril e a série chegou ao fim na última semana de junho (quinta-feira, 29/06), tendo apresentado o último episódio com alguns dias de antecedência no aplicativo Globo Play ---- assim como foi feito durante toda sua exibição. A trama teve uma boa proposta, mas acabou se perdendo.


O enredo em torno do misterioso Abel Zebul (Tony Ramos), poderoso empresário que faturava milhões em palestras proferindo comentários sarcásticos sobre Deus e criticando sentimentos bons, despertou atenção. O seu interesse em seduzir a ingênua advogada Celeste (Monica Iozzi), a transformando em laranja para seus planos de lavagem de dinheiro, se mostrou uma boa premissa, principalmente à medida que mesclava realidade com o sobrenatural através de situações enigmáticas a respeito dele ser mesmo um diabo ou não.

Entretanto, ao longo das semanas, a história perdeu o fôlego. Depois que Abel colocou no corpo de Celeste a Lágrima de Mefisto, um rubi diabólico que vale mais de 60 milhões de dólares, escondendo a joia sob a pele da vítima, as situações começaram a cansar. Até mesmo os ótimos perfis secundários foram ficando sem função, aparecendo cada vez menos.
O enredo foi se perdendo pelo caminho, ficando desinteressante acompanhar o desenrolar daquele mistério um tanto quanto grotesco. Como não havia outra situação para explorar ou provocar uma movimentação no roteiro, ficou difícil sustentar tudo só em cima do verdadeiro objetivo de Abel.

O que funcionou, como sempre, foi o texto mordaz dos autores, que muitas vezes conseguiam deixar uma cena aparentemente inútil engraçada. O elenco também merece menção, pois foi um acerto. Tony Ramos vivendo um ser demoníaco deu show e Monica Iozzi fez uma ótima parceria com o veterano. Cecília Homem de Mello divertiu demais na pele da atrapalhada Leda (mãe de Celeste), Luciana Paes se destacou com a debochada secretária Kika e Maria Luisa Mendonça brilhou interpretando a histriônica Lucy Fergson, ex de Abel (só precisa ser escalada urgentemente para viver tipos que não sejam descompensados). Pascoal da Conceição como padre também foi um bom nome.

Pena que, como já mencionado, os coadjuvantes foram perdendo espaço à medida que a história se esgotava. Até mesmo a entrada de novos e promissores personagens não rendeu o esperado. Enzo Baruzzi e Nathalia Falcão foram muito bem como Demian e Carrie, mas poderiam ter protagonizado bem mais situações sarcásticas. Eram crianças impagáveis. Já a chegada de Maria Casadevall expôs a versatilidade da atriz, que adotou um tom exagerado para sua Lilith (bem diferente da Rimena, de "Os Dias Eram Assim"). Porém, a atriz apareceu muito pouco e a comparsa de Abel (que o traiu) teve pouca função.

O mistério em torno do demônio que rondava Celeste foi parcialmente desvendado no último episódio, quando a 'mocinha' desmascarou o bandido e tentou pegá-lo em uma armadilha. Ele a engravidou para gerar o 'anti-Cristo' e quase a incriminou por seus crimes, mas acabou queimado vivo por ela, enquanto tentava incendiar documentos comprometedores. A advogada acabou acusada pela morte do empresário, fazendo questão de representar a própria defesa ---- nesse momento, inclusive, houve um longo texto em torno da hipocrisia do estado laico, uma vez que Deus está presente na Constituição e nas notas de dinheiro. O público ficou sem saber se Celeste foi inocentada ou não, pois entrou em trabalho de parto no meio do tribunal. A cena final foi criativa, deixando no ar a dúvida em torno da morte de Abel (um irmão dele apareceu para ver o sobrinho e era a cara do vilão).

"Vade Retro" foi uma série mediana. Teve bons e maus momentos. O início se mostrou promissor, mas o desenvolvimento deixou a desejar. Não houve fôlego para manter a atenção do telespectador ao longo de 11 episódios e o enredo se perdeu pelo caminho. Mas, ao menos, teve um desfecho interessante, lembrando o começo convidativo da produção. Sua audiência não foi boa ---- perdeu várias vezes para "A Praça É Nossa", do SBT ----, mas ocorreu o agravante da mudança de horário com "Os Dias Eram Assim", prejudicando seu desempenho. A Globo planeja uma segunda temporada e o final até indica isso. Porém, seria melhor parar por aí.

31 comentários:

Fernanda disse...

Minha sensação também é essa. Tanto que comecei gostando e depois larguei porque perdi o interesse.

Gabriella disse...

Nem achei a Iozzi bem. Parecia que estava vendo sua personagem da bancada do o Vídeo Show. Como vc disse na postagem de Edifício Paraiso, aquela série é que deveria ter ido pra Globo e essa pro GNT.

Anônimo disse...

Bem feito pra Monica que saiu do Video Show no auge do sucesso pra embarcar nisso aí.

Anônimo disse...

pois é não ha limites para a rede globo,,....vede retro significa afaste satanás e um termo antigo usado ate em exorcismo,..kkk ai vem uma novela usando logomarca de uma cruz invertida...é de muito mau gosto pois inúmeras seitas satânicas usam esse simbolo.. que quer dizer anti cristo kkkk nem adianta falar que e uma parodia ou uma comedia.... tony ramos vem com a alcunha de abel zebu...caraca!!! belzebu..quer dizer senhor ou príncipe dos demônios...será serio isso????? kkkkkkk sem contar as inúmeras referencias aos nomes de demônios, entrando dentro da nossa casa...fala serio!!!!! quando eu penso que chegamos ao fundo do poço....o poço encontra uma forma de ficar mais fundo

Pamela Sensato disse...

Eu nem sei o que essa Iozzi tá fazendo como atriz kkkkkkkkkkk nem apresentadora era boa enfim....era dos atores 'novatos' afff....não assisti um episódio Serginho.

Beijinhosss
Blog Resenhas da Pâm

JAN disse...

Olá, Sergio! Citei seu blog porque gosto do fato dele ser 'detalhista para leigos'.
Não vi "Vade Retro" apesar de apreciar e respeitar muito o trabalho de Tony Ramos.
Preferi não assistir por motivos religiosos... e, também, por ser apresentado muito tarde da noite, com um tema tão... digamos 'POLÊMICO e PESADO'. Dou razão a quem mudou de canal. Prefiro ver coisas alegres, pra sonhar bonito depois rsrsrs
Por exemplo: gosto de ver a Isis Valverde nadando feito sereia... e quero continuar por aí rsrs

ABÇ
JAN

✿ chica disse...

Como não assisti nunca ainda, só posso deixar meu abração! chica

Zilani Célia disse...

OI SÉRGIO!
CASUALMENTE HOJE A NOITE ESTIVE COMENTANDO COM UMA PESSOA AMIGA SOBRE O DESASTRE QUE FOI "VADE RETRO", SÓ QUE NÃO ME HAVIA DADO CONTA DOS PORQUÊS, QUE AGORA LENDO TEU TEXTO, COM A VISÃO APURADA QUE TENS, PERCEBO TUDO.
UM ABRAÇO AMIGO.
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Lulu on the sky disse...

Detestei a temática e achei forçada a interpretação da Monica Iozzi
big beijos

Vera Lúcia disse...


Olá Sérgio,

Acompanhei um pouco somente no início e foi ótimo ler as suas considerações, pois fiquei sabendo do fim da trama-rsrs.
Pelo que você mencionou, creio que é melhor mesmo que não haja uma segunda temporada.

Grande abraço.

Oathkeeper disse...

A emissora (Record, Band, Record, Globo, SBT, Rede TV, Brasil TV, etc) devia criar uma política para a produção de séries como o compromisso dos atores em permanecer no elenco para possíveis futuras temporadas... além de ser mais ágil na renovação de séries.
Por causa da preferencia pelos atores em fazer novela, a serie "Dupla identidade" não teve uma segunda temporada.
As séries são um formato de potencial. Ainda não temos os melhores autores da TV... mas podendo ser um produto tão atraente quanto a novela, vai ser gostoso de acompanhar e a possibilidade de uma renovação vai ser possível.

Anônimo disse...

A trama acaba mas deverá ganhar uma segunda temporada no ano que vem, de acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, pois os autores Alexandre Machado e Fernanda Young já receberam aval da emissora para escreverem a nova leva de episódios. Será que sim?

Oathkeeper disse...

Cinismo, humor e grande elenco em 'Vade Retro'. Tudo leva a clara assinatura dos autores. Quem acompanha o trabalho deles desde a vitoriosa “Os normais” reconhecerá a mesma verve. Aqui, de novo, a narrativa é esticada até o nonsense, e o humor, cínico, é produzido de surpresa e sempre fora do território do histrionismo. Por isso, por exemplo, quando Celeste elogia o “carrão” de Abel, ele responde: “Carro grande? Eu queria mesmo aumentar meu pênis, mas nunca recebi um e-mail me oferecendo isso”. Por aí vai.
A direção de Mauro Mendonça está em sintonia com o texto, colaborando para a construção de um ambiente imaginário. O primeiro episódio atrai e diverte e o trabalho dos atores merece todos os elogios. Tem é uma certa oscilação do ritmo. Alguns trechos se arrastam um pouco, talvez pelo contraste com todo o resto, que corre com tanta agilidade.

Vale conferir:
- o clima de humor está recheado de situações sinistras;
- o tema é demoníaco mas o elenco é pura tentação;
- Tony Ramos como o carismático Abel Zebu, um empresário mal caráter,
- As cenas de Tony Ramos são hilárias;
- o texto é afiadíssimo e promete chamar a atenção com graça;

A tempos não se via uma série com humor tão cínico e intrigante. Vade Retro é o tipo de série que sabe mesclar o típico humor caricato (aqueles com silêncio e expressão dos atores) até o humor inteligente (uma sacada normalmente através da fala ou ato de um personagem). A série tem ótimo enredo, um pouco batido sim, mas ainda é uma coisa pouco vista no Brasil. Os atores estão Incríveis. A Fotografia e a Direção merecem aplausos, diferente e bonito. A tempos não se gargalhava tão abertamente em frente a TV.

Izabel Ramos disse...

Faltou o essencial para se fazer uma boa série cômica, pois humor precisa de ritmo/timing, somada a um ruim texto e uma insignificante direção, fazem mal.

Faltou aos diálogos a afiação às falas de humor de Abel (interpretação contida e forte) e Celeste (com falas divertidas).Nisso mostra o destaque no currículo do casal de roteiristas.

Discordo do sentido de falha pois a série mistura comédia e terror, demonstra que os dois autores finalmente acertaram o tom após diversos projetos que decepcionaram, como a criticada O Dentista Mascarado.

Vale lembrar que outras series como A Cura, A Teia, Dupla Identidade também foram projetos que tinham brilho para continuar. Como eles, Vade Retro merecia a 2a chance de aprender com os erros para ampliar as produções de seriado nas emissoras do país, não é?

Sérgio Santos disse...

Pois é, Fernanda...

Sérgio Santos disse...

Entendo, Gabriella.

Sérgio Santos disse...

Isso tem nada a ver, né, ,anonimo. Se fosse assim o que dizer dos filmes de terror? Não há nada demais nisso.

Sérgio Santos disse...

Sem problemas, Pam. bjs

Sérgio Santos disse...

Jan,fiquei honrado em vc ter citado meu blog. Mt obrigado. bjs

Sérgio Santos disse...

Ok, Chica.

Sérgio Santos disse...

Vc sempre querida,Zilani. bjssss

Sérgio Santos disse...

Entendo, Lulu.

Sérgio Santos disse...

Te ajudei, Vera. rsrsrs bjssss

Sérgio Santos disse...

Concordo, Oath.

Sérgio Santos disse...

Aguardemos, anonimo...

Sérgio Santos disse...

Isso no começo, Oath...

Sérgio Santos disse...

Discordo, mas respeito sua opinião, Izabel.

Izabel Ramos disse...

Quem deu uma chance à comédia não se arrependeu. Vade Retro cumpriu a sua principal missão, que é fazer rir. Afinal, não é todo dia que a TV coloca no ar um produto que faz chacota com elementos sacros e coloca o próprio diabo como herói. Vade Retro divertiu, sobretudo, com as brincadeiras constantes aos filmes de terror.

O erro da série, foi a falta de uma trama mais coesa. A história andou quase como numa sucessão de cenas cômicas que foram focados em situações um tanto despropositadas. Isso passou a sensação de não contar história nenhuma. E talvez o principal motivo para fazer decolar em uma 2a temporada, será consertar esses erros.

Anônimo disse...

Vade Retro foi uma série com sacadas muito inteligentes. As referências e associações eram muito inteligentes msm eu adorei . Não emplacou por vários problemas . O brasileiro ainda é muito religioso, falar desse assunto msm que em tom de humor para muitos ainda é visto como pecado , falta de respeito com Deus etc... Não desmerecendo ,mas por incrível que pareça muita gente não sabe que a história de Domitila de novo mundo foi real ,acha que vão entender as referências de Vade retro? Não vão! Tinha outros programas tão interessantes quanto no msm dia e horário, e menos complexos para o entendimento do povo brasileiro . O tipo de público que geralmente assiste esse tipo de série ,geralmente não está assistindo TV essa hora

Sérgio Santos disse...

Agora concordo, Izabel.

Sérgio Santos disse...

Entendo, anonimo, mas eu achei que poderia ter sido mt melhor.