A cobertura do Carnaval pela Globo neste ano foi muito ruim e todas as novidades apresentadas se mostraram um fiasco. As muitas críticas nas redes sociais se mostraram justas diante de tudo o que foi apresentado. Mas, em meio a tantos problema perceptíveis, a presença de Milton Cunha novamente foi o ponto alto das transmissões.

Milton foi, mais uma vez, o verdadeiro espetáculo à parte. Debochado, inteligente e um conhecedor raro do universo do samba, conseguiu traduzir para o público a complexidade dos enredos, explicar referências históricas e culturais com clareza e ainda manter o brilho e a emoção que o Carnaval exige. Seu entusiasmo é contagiante, sua leitura estética é precisa e sua capacidade de contextualização transforma alegorias e fantasias em narrativas vivas. Em vários momentos, o público assistia ao desfile pelos olhos de alguém que realmente entende e ama aquilo que está vendo. Vale destacar ainda suas performances na hora do fechamento dos portões, as entrevistas bem-humoradas e as brincadeiras com os integrantes das escolas.
Infelizmente, o restante da transmissão não acompanhou esse nível. A novidade do rádio aberto para ouvir a comunicação interna das equipes das escolas parecia uma boa ideia no papel, mas na prática se mostrou invasiva e pouco funcional.
Em vez de agregar informação relevante, muitas vezes gerou ruído, quebrou o ritmo da narrativa e tirou o foco do que realmente importa: o espetáculo na avenida. Carnaval é imagem, é música, é emoção e não bastidor truncado.
Outro ponto problemático foi a câmera de qualidade inferior usada pelo Pretinho para filmar as baterias. Justamente em um dos momentos mais vibrantes do desfile, quando a bateria entra com força total e a Sapucaí pulsa, a imagem perdia definição, estabilidade e impacto visual. Em plena era de transmissões em altíssima definição, é difícil compreender a escolha por um equipamento que empobrece visualmente um dos pontos altos de cada escola. O objetivo foi mostrar um amadorismo para gerar identificação? Não deu certo.
Mas o maior problema foi a falta de foco nos desfiles. Cortes excessivos, enquadramentos que perdiam detalhes importantes das alegorias, pouca permanência nas evoluções coreográficas e momentos decisivos mostrados de maneira apressada comprometeram a experiência. O Carnaval é minúcia, é acabamento, é conjunto e a câmera precisa respeitar o tempo da escola na avenida. Os enredos foram muito mal explicados por Alex Escobar e Karine Alves, que falavam em horas inapropriadas e ainda assim com pouca informação relevante. Tudo ficou em cima da sabedoria de Milton, que sozinho não deu conta de tudo. É preciso criticar ainda a falta de destaque na exibição das rainhas de bateria. O telespectador perdeu parte do espetáculo de Mayara Lima, rainha da Paraíso do Tuiuti, e da vergonha alheia de Virginia, rainha da Grande Rio, citando apenas dois exemplos.
No fim das contas, ficou a sensação de que quem sustentou a grandiosidade da transmissão foi Milton Cunha. Ele foi o fio condutor, o tradutor cultural, o comentarista que elevou o nível quando a parte técnica tropeçava. Se houve brilho constante na cobertura, ele veio da inteligência, da sensibilidade e da paixão de Milton.
2 comentários:
É, achei o carnaval bem fraquinho, curti da Dira de mãe de Lula apenas porque como noveleiro me lembro a Isabel fazendo codsplay da mãe no carnaval da novela Senhora do Destino. Inclusive carregando a filha com os quatro filhos diantes
Daniel
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