sexta-feira, 15 de julho de 2022

"Páginas da Vida" marcou o início do declínio de Manoel Carlos

 A reprise de "Página da Vida" chegou ao fim nesta sexta-feira, dia 15, no Viva. A reexibição foi um sucesso, o que reforçou a potência das histórias de Manoel Carlos. Na época, entre 2006 e 2007, a trama também teve um ótimo retorno da audiência, após um início conturbado. No entanto, a história marcou o início do declínio do autor, que já não estava mais tão inspirado quanto antes. 

Maneco vinha de três trabalhos que foram, em sequência, um fenômeno de audiência no horário nobre da Globo: "Por Amor", em 1997, "Laços de Família", em 2000, e "Mulheres Apaixonadas", em 2003. A trinca de ouro foi sucesso de público e crítica. Mas "Páginas da Vida" acabou marcada por vários problemas observados pela crítica especializada e uma rejeição inicial do público, o que obrigou o autor a mexer na trama. As alterações surtiram o efeito na audiência. Alguns conflitos receberam mais destaque em detrimento de outros. 

A maior qualidade da novela foi seu núcleo central. A potência do drama protagonizado por Helena (Regina Duarte), Marta (Lilia Cabral), Alex (Marcos Caruso) e Nanda (Fernanda Vasconcellos) arrebatou o público com um clichê irresistível e bem explorado: a gravidez na adolescência que resultou em uma rejeição antológica e um processo de adoção que esbanjou delicadeza. Nanda engravidou fora do país e sua volta ocasionou um embate com sua mãe que nunca foi esquecido pelos telespectadores.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

"Filhas de Eva" é uma série agradável e despretensiosa

 A Globo estreou "Filhas de Eva" na Globoplay em março de 2021. Agora, mais de um ano depois, a série, criada e escrita por Adriana Falcão, Jô Abdu, Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção artística de Leonardo Nogueira, estreou na televisão aberta nesta terça, dia 12. Com dois episódios semanais, exibidos às terças e quintas, a trama pode ser apreciada por um público mais amplo.


Três mulheres fortes e independentes. Recordações de uma vida inteira. Momentos inesquecíveis que parecem ter acontecido há muito tempo e uma pergunta em comum: até onde elas irão para encontrar a felicidade? Esse é o questionamento que dá início à série. Consequências e impactos de decisões importantes são o pano de fundo deste drama leve, com pinceladas de humor cotidiano e que levanta reflexões comuns a todos. A história fala sobre família, amizade e liberdade, suscitando questões que levam a pensar sobre as mudanças, os obstáculos e a coragem necessários para dar um novo rumo à vida, seja em qual fase for. 

A trama se desencadeia a partir das histórias de Stella (Renata Sorrah), Lívia (Giovanna Antonelli) e Cléo (Vanessa Giácomo). As três atrizes dividiram a cena em "A Regra do Jogo", problemática novela de João Emanuel Carneiro, exibida em 2015. O trio honra o protagonismo da série e as personagens têm camadas que proporcionam um tom mais naturalista na interpretação.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Osmar Prado engrandece "Pantanal" na pele do Velho do Rio

 O elenco de "Pantanal" é repleto de talentos e até hoje vários atores da obra original da Manchete são lembrados. Muitos viveram o auge da carreira na novela de Benedito Ruy Barbosa. Alguns nunca mais conseguiram papeis tão marcantes. A missão do remake produzido pela Globo era manter o alto nível do time escalado. Algo que nunca foi difícil para a emissora, sempre repleta de grandes nomes. E de fato os atores selecionados são excelentes. Um dos maiores é, sem dúvida, Osmar Prado. 

O veterano ganhou um dos perfis mais icônicos da trama: o Velho do Rio. O personagem foi interpretado pelo saudoso Cláudio Marzo na obra de 1990, que também protagonizava na pele de José Leôncio. O ator teve um trabalho duplo na época. Ou seja, ele vivia o pai e o filho. Isso porque o 'veio' é na verdade Joventino (Irandhir Santos), o pai do protagonista que desapareceu na natureza atrás de marruás há muitos anos. A única falha do remake foi ter colocado Osmar aparecendo na primeira fase, o que confundiu o público. Afinal, era para ter surgido apenas após a passagem de tempo. Mas, como é um tipo místico, não afetou tanto a produção. 

O telespectador nunca tem certeza sobre a figura do Velho do Rio. É um espírito? Uma entidade? Uma pessoa comum? E as dúvidas fazem parte da fantasia proposta. Até porque o personagem se transforma na maior sucuri do pantanal para se camuflar ou quando precisa instaurar a ordem no ecossistema. O 'veio' também vira uma espécie de proteção para Juma Marruá (Alanis Guillen) depois que Maria (Juliana Paes) é assassinada.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

"Sob Pressão" fecha ciclo vitorioso com uma temporada memorável e fôlego para mais

 A Globo anunciou a quinta temporada de sua série mais bem-sucedida como a última. O autor Lucas Paraizo e o diretor Andrucha Waddington disseram na coletiva de lançamento que duvidam que a decisão seja definitiva. A dupla tem razão em acreditar que "Sob Pressão" ainda tem um futuro. A emissora disponibilizou dois episódios por semana na Globoplay e a temporada chegou ao fim nesta semana, após 12 episódios impecáveis. O encerramento deixou claro que a produção está longe de acabar ou se esgotar. Aviso: há spoilers no texto. 

A história protagonizada por Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) teve quatro temporadas repletas de dramas bem construídos em meio a choques de realidade que trouxeram reflexão e questionamento sobre a saúde pública do Brasil. A quarta temporada, exibida ano passado, foi a única que teve altos e baixos, mas ainda assim merecedora de muitos elogios. Só que a quinta conseguiu superar a expectativa dos mais ansiosos pelo 'último ano' da série. Foi quase uma volta às origens, onde os conflitos pessoais de cada médico dominaram a narrativa, tendo como complemento as questões de vários pacientes que ajudaram a engrandecer a o conjunto. 

A trama focou nas feridas psicológicas dos médicos e foi uma avalanche de sofrimento ao longo dos episódios. Os momentos de leveza foram raros, mas não é uma crítica. A densidade dramática fez toda diferença para tornar a temporada inesquecível.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Trama central de "Além da Ilusão" se perde em meio a repetições sem lógica

 É importante começar o texto enfatizando que "Além da Ilusão" segue com boas qualidades e recentemente apresentou uma sucessão de cenas lindas referentes ao arco dramático de Heloísa (Paloma Duarte). Era a catarse mais esperada pelo público e honrou a expectativa. O conjunto da obra continua com saldo positivo. Todavia, a trama central se perdeu há meses e só vem piorando a cada capítulo. 

Alessandra Poggi começou sua história de forma criativa. Era muito divertido acompanhar a estupidez dos vilões e a esperteza dos mocinhos. Todos os planos de Joaquim (Danilo Mesquita) e Úrsula (Bárbara Paz) davam errado, enquanto Davi/Rafael (Rafael Vitti) e Dorinha (Larissa Manoela) sempre conseguiam se desvencilhar das maldades. Era uma 'novidade' muito bem-vinda até porque na maioria das novelas os malvados costumam esbanjar inteligência e os 'heróis' se mostram uns idiotas. 

Mas, para manter uma aparente agilidade na narrativa, a autora começou a se perder quando alterou a personalidade de Dorinha. Antes feminista e à frente do seu tempo, a mocinha virou uma chorona que tem medo do julgamento da sociedade de 1945.

terça-feira, 5 de julho de 2022

"No Limite" corrigiu os equívocos da temporada passada e merecia mais reconhecimento

 A edição de 2022 de "No Limite" merecia ter feito sucesso. A edição passou longe de um fracasso, mas a repercussão foi baixa e a audiência mediana. Bem longe do que a Globo planejava. Mas a temporada, que chega ao fim nesta quinta-feira (07/07), não fez jus ao resultado aquém do esperado. A produção soube ouvir todas as merecidas críticas feita ano passado e apresentou um ótimo produto ao público. 


A edição de 2021 marcou a volta do reality após 13 anos de hiato. A terceira edição foi exibida em 2009, depois de outro longo período fora do ar ---- o formato estreou no ano 2000 como um fenômeno e foi encerrado em 2002 com claros sinais de desgaste. Porém, o retorno não deu certo. As provas repetitivas, a falta de foco na convivência dos participantes, a apresentação desanimada de André Marques e o excesso de regalias afastaram o público. Nem mesmo a seleção de um elenco apenas com ex-BBBs gerou repercussão. 

Houve uma avalanche de críticas ao longo da temporada. Nem parecia que o reality voltaria em 2022 diante de tantas opiniões negativas. Não por acaso, o anúncio da nova edição despertou desconfianças. Mas ao longo dos episódios foi ficando claro o quanto a produção se preocupou em melhorar. Todas as situações questionadas ano passado foram corrigidas, o que parecia difícil.

domingo, 3 de julho de 2022

Vitória Strada dominou e se consagrou na "Dança dos Famosos"

 A primeira edição da "Dança dos Famosos" sob o comando de Luciano Huck chegou ao fim neste domingo, dia 03. E o resultado não foi diferente da época de Faustão, tanto na boa audiência quanto na dinâmica das apresentações, o que comprova a força do longevo quadro, independente de quem apresenta. E a consagração de Vitória Strada fechou o ciclo de forma justa e emocionante. 

A atriz foi a melhor competidora desde a primeira apresentação. Logo no início ficou claro que iria longe na disputa e da final ninguém a tirava. Vitória deu um show em todos os ritmos e surpreendeu até na seleção de danças novas neste ano, como a 'Dança Contemporânea'. Foi uma de suas melhores performances. Na final, brilhou na valsa e conseguiu driblar o figurino durante o samba. Deixou a plateia em êxtase. Ganhou dez de todos os jurados e da plateia nas duas apresentações. Nem o 9,9 do público do Gshow no samba a tirou o título porque o mesmo nicho deu 9,8 ao Vitão, o vice-campeão. 

O elenco de 2022 contou com outros destaques, como Jéssica Ellen, que teve uma trajetória com várias apresentações merecedoras de elogios. Engravidou durante a disputa e seguiu desenvolta e competitiva. Acabou eliminada porque contraiu covid. Uma pena. Sérgio Menezes foi outro bom competidor e o ator teve uma evolução visível.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Brilhante como Heloísa, Paloma Duarte rouba a cena em "Além da Ilusão"

 A novela das seis da Globo apresenta um elenco de peso. São vários nomes talentosos que compõem o time escalado pela autora Alessandra Poggi e pelo diretor Luiz Henrique Rios. Entre tantos bons destaques, há uma personagem que engrandeceu "Além da Ilusão" logo que surgiu em cena e segue até agora despertando uma boa atenção de quem assiste graças ao atrativo arco dramático e ao desempenho de sua intérprete: Paloma Duarte. 


Heloísa se mostrou um perfil interessante logo na primeira semana da novela. Isso porque Afonso (Lima Duarte em uma luxuosa participação especial) deu a neta, Clara, para adoção e nunca contou sobre o paradeiro da criança para a filha. Em seu leito de morte resolveu expor tudo o que sabia, mas faleceu pouco antes de falar. A cena foi forte e Paloma deu um show ao lado de seu avô da vida real. Helô sempre carregou essa dor, jamais perdoou o pai e até hoje nutre a esperança de encontrar a herdeira. 

Recentemente, o público ficou sabendo de outro ótimo 'plot' do roteiro: a filha de Heloísa é fruto de um abuso sofrido ainda em sua adolescência, quando Matias (Antônio Calloni), então casado com Violeta (Malu Galli), a seduziu.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

"Todas as Garotas em mim" é uma das piores coisas que a Record já produziu

 A pandemia do novo coronavírus afetou as gravações de todas as novelas das emissoras. Mas a Record vem enfrentando dificuldades até hoje. Ainda não conseguiu reestruturar sua faixa de teledramaturgia. O relativo êxito de "Gênesis", em 2021, animou a emissora em criar temporadas para suas produções. Porém, foi apenas uma mudança de nome porque o folhetim bíblico nada mais era do que uma história com várias fases. O canal tentou repetir o feito com "Reis", mas não conseguiu uma frente de gravações e resolveu chamar a novela de série. Tanto que precisou interromper sua exibição. Aí que entra "Todas as Garotas em Mim", produção que a substituiu. 

A nova série entrou como um tapa-buraco para "Reis" conseguir avançar nas gravações sem que a Record precise colocar outra reprise no ar. Mas a emissora já começou errando porque a série parece uma "Malhação" bíblica. É um produto destinado a outro tipo de público e ainda assim com sérias ressalvas. Não por acaso, a queda de audiência foi gigantesca. O folhetim conseguia média em torno dos 8 pontos, o que também não era considerado um bom índice, e agora caiu para 5 pontos e muitas vezes até 2. É a menor audiência de uma novela na história da Record ---- posto até então ocupado por "Jesus" e "Máscaras" ----, o que fez o canal perder a vice-liderança para o SBT. 

Para culminar, a história é rasa e muito mal escrita. Lendo a sinopse até parece um enredo clássico de seriado adolescente. Mirela (Mharessa), a protagonista, é uma digital influencer, namorada do rapaz mais popular de um colégio, Gustavo (Caio Vegatt), e que desperta a paixão de Erick (Diego Kropotoff), o filho de Carla (Manuela do Monte).

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Irritante flerte entre Zé Lucas e Juma nada acrescenta ao roteiro de "Pantanal"

 O remake de "Pantanal" vem apresentando poucas diferenças da versão original, exibida em 1990 na Rede Manchete. Na verdade são raras as alterações no texto e nas situações apresentadas. Isso porque Bruno Luperi não esconde a admiração e o respeito que tem pela obra do avô, Benedito Ruy Barbosa. O autor admite que se preocupou em 'não estragar nada'. É compreensível a sua atitude e o sucesso da trama na Globo vem provando que não está errado. No entanto, alguns conflitos mereciam alteração. Como é o caso do flerte entre Zé Lucas e Juma. 


Irandhir Santos e Alanis Guillen estão irretocáveis na novela desde o início. No caso de Irandhir ainda houve um bônus de seu brilhante desempenho na primeira fase como Joventino. É importante lembrar que o José Lucas de Nada só entrou na novela em 1990 porque o público se indignou com a saída de Paulo Gorgulho. O intérprete viveu Zé Leôncio na primeira fase e foi substituído por Cláudio Marzo na segunda. Os telespectadores escreviam muitas cartas reclamando da sua ausência. Benedito, então, criou um novo filho para o protagonista. 

Só que como foi um personagem criado sem muito planejamento, em determinado momento da trama o autor ficou sem saber o que fazer com ele. E o interesse cada vez maior em Juma serviu como conflito para Zé. Há até uma cena em que o filho de Leôncio tenta agarrá-la à força, algo que seria inadmissível atualmente para um personagem que não é um vilão.