segunda-feira, 27 de abril de 2026

As justiças e as injustiças do "Troféu Imprensa" de 2025/2026

 O "Troféu Imprensa, exibido pelo SBT neste domingo, dia 26 de abril, começou de forma especialmente simbólica. A abertura acertou ao revisitar as personalidades mais marcantes dos 75 anos da televisão brasileira, criando um clima de celebração e memória que valorizou a história do meio e emocionou o público.


A cerimônia foi apresentada por Celso Portiolli e Patricia Abravanel, que adotaram um tom mais sóbrio e menos eufórico do que na edição anterior ---- uma mudança que se mostrou acertada e deu mais ritmo e credibilidade à condução do prêmio.

Ao longo da noite, ficou evidente que a premiação teve seus momentos de justiça, mas também acumulou injustiças e indicações difíceis de justificar sob qualquer critério mais rigoroso. Até porque a composição do júri segue controversa.

Embora contasse com nomes conhecidos como Chico Barney, Sonia Abrão, Hugo Gloss, José Armando Vannucci, Fabrício Pelegrino e Keila Jimenez, alguns integrantes seguem sendo escolhas controversas, como Felipeh Campos e Fabia Oliveira, cujas atuações são mais associadas ao universo de fofocas do que à análise consistente da programação televisiva.


Ainda assim, um dos pontos mais marcantes foi a demonstração de uma aproximação cada vez maior entre SBT e Globo. A presença de Amauri Soares na plateia simbolizou bem esse novo momento, assim como a ida de diversos profissionais da emissora para receber troféus acumulados ao longo dos anos ---- resultado de uma antiga política que impedia seus contratados de participarem da premiação. Foi significativo ver William Bonner, Ana Maria Braga e Luciano Huck subirem ao palco para receberem uma série de prêmios, além de Gloria Pires, mesmo já fora da emissora.


Na categoria de Melhor Novela, "Beleza Fatal" venceu pelo júri, superando "Vale Tudo" e "Garota do Momento". A derrota de "Vale Tudo" foi mais do que merecida, após a avalanche de críticas que sofreu diante da adaptação problemática de Manuel Dias, especialmente após outras perdas recentes, inclusive no Melhores do Ano da própria Globo. Com Amauri Soares ---- responsável por levar o remake ao horário nobre ---- presente, o resultado ganhou uma saia justa inevitável, até diante das justas críticas feitas pelos jurados.


Entre os programas de auditório, houve empate no júri entre "Domingão com Huck" e o "Programa Silvio Santos com Patricia Abravanel", que também levou o Troféu Internet. O "Domingo Legal" completava a disputa. No jornalismo, o "Jornal Nacional" venceu tanto pelo júri quanto pelo público, superando "Jornal da Band" e "SBT Brasil".

A categoria de Melhor Atriz trouxe um sentimento dúbio. Débora Bloch venceu com mérito duplo por sua atuação em "Vale Tudo", especialmente na pele de Odete Roitman, uma das vilãs mais emblemáticas da teledramaturgia. Ainda assim, pesa a sensação de injustiça com mais uma derrota de Suely Franco, que também havia ficado de fora no Melhores do Ano da Globo. Seu desempenho como Dona Rosa em "Dona de Mim" foi arrebatador. Camila Pitanga completava a lista de indicadas pela sua ótima atuação como Lola em "Beleza Fatal".


Na publicidade, o comercial “Álbum de fotos”, da O Boticário, venceu pelo júri, superando campanhas da Vivo e da Amstel.

Entre os atores, Alexandre Nero venceu tanto o júri quanto o Troféu Internet pelo Marco Aurélio do remake de "Vale Tudo", à frente de Cauã Reymond, também indicado do remake, e Fábio Assunção, que brilhou em "Garota do Momento".

Na categoria de Melhor Apresentadora, Ana Maria Braga venceu pelo júri com o "Mais Você", enquanto Patricia Abravanel levou o Troféu Internet, superando Adriane Galisteu.

Entre os apresentadores, Celso Portiolli e Luciano Huck empataram no júri, com Portiolli também vencendo o Troféu Internet. Já a indicação de Ratinho gerou estranhamento, ainda mais depois de várias falas lamentáveis, reforçando a percepção de critérios inconsistentes.


Na música, João Gomes venceu como Melhor Cantor (júri e internet), superando Nattan e Pedro Sampaio. Já “P do Pecado”, de Menos é Mais e Simone Mendes, venceu como Melhor Música, superando Ivete Sangalo e Diego & Victor Hugo.

Por fim, a categoria Revelação evidenciou falta de coerência ao misturar perfis tão distintos como Cela Lopes, Léo Foguete e Pedro Novaes. Uma influenciadora, um cantor e um ator. Qual o critério? Pedro venceu com mérito, mas já não pode ser considerado exatamente uma novidade, o que levanta questionamentos sobre o próprio conceito da categoria.


No saldo geral, o "Troféu Imprensa" cumpriu seu objetivo, mas também expôs fragilidades antigas e a repercussão deste ano nas redes sociais ficou bem abaixo do esperado. 

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