terça-feira, 1 de agosto de 2017

"Belaventura" é um conto de fadas despretensioso e bem apresentado

A Record estreou a sua nova novela das sete na terça passada (25/07), substituindo a terceira reprise do remake de "A Escrava Isaura", que, ironicamente, vinha marcando mais audiência que a inédita "O Rico e Lázaro", exibida logo depois. "Belaventura" é uma história escrita por Gustavo Reiz, responsável pela ótima "Escrava Mãe", que inaugurou essa nova faixa de teledramaturgia da emissora em 2016, e dirigida por Ivan Zettel.


O enredo se passa no final da Idade Média, por volta do século XV, e, segundo o próprio autor, é um romance de capa e espada. Ambientada na fictícia e linda região conhecida como Belaventura, a história é um típico conto de fadas, com direito a reis, rainhas, príncipes e plebeias. Tanto que o casal protagonista representa vários clássicos da Disney, como "Cinderela". O príncipe Enrico (Bernardo Velasco) e a camponesa Pietra (Rayanne Morais) se apaixonam na infância, mas, 15 anos depois, vivem esse amor em segredo por ele ser herdeiro do trono e ela uma simples plebeia.

Fruto de mais uma parceria entre a Record e a produtora Casablanca, a novela se mostra bem cuidada, tanto nos cenários quanto nos figurinos. Lembra a produção de "Escrava Mãe", que rendeu merecidos elogios. Ficou perceptível a qualidade logo no primeiro capítulo, que se mostrou bem realizado e com os mocinhos ainda crianças. A passagem de tempo ocorreu perto do final da estreia.
O folhetim, inclusive, já está em fase de finalização e tem cerca de 150 capítulos. Ou seja, é basicamente o mesmo esquema da produção anterior do autor, que foi ao ar toda gravada. Gustavo Reiz fez questão de enfatizar que se inspirou em "Rei Arthur", "Robin Hood", entre outros clássicos, e sua trama terá um ritmo de série, sem barrigas. Mas isso só assistindo mesmo para comprovar.

A história tem como mote o fim da guerra milenar entre Redenção e Valedo, reinos comandados pelos duques Otoniel (Kadu Moliterno) --- homem íntegro --- e Severo (Floriano Peixoto) --- sujeito de índole duvidosa ---, que decidem criar um acordo de paz, unificando as regiões e transformando no reino de Belaventura, onde o primeiro é coroado rei após uma disputa em um torneio medieval. Otoniel é pai do príncipe Enrico, da justiceira Lizabeta (Adriana Birolli) e da amarga Carmona (Camila Rodrigues), que odeia o irmão por não ter conquistado o trono mesmo sendo a mais velha. A esposa do rei, Vitoriana (Juliana Knust), acaba envenenada durante o torneio --- provocando suspeitas em cima de Severo, que precisou fugir --- e os três filhos acabam criados por Elia (Silvia Salgado), a dama de companhia. É durante o evento, aliás, que o mocinho conhece Pietra e se encanta por ela, ambos ainda crianças.

A mocinha foi criada Binieck (Paulo Reis), homem bêbado que a maltrata, e sua mãe, Lucy (Larissa Maciel) desapareceu depois dos ataques da Ordem Pura (grupo que promove uma caça às bruxas), liderado pelo canalha Cedric (Giuseppe Oristânio). No primeiro capítulo, foi mostrada a relação das duas, muito próximas antes da separação. Pietra encontra alento justamente com Enrico, retomando aquele amor de infância, mesmo diante de todos os empecilhos. E no núcleo do reino, há ainda o retorno de Severo, que busca vingança pelas desconfianças sobre a morte de Vitoriana e o poderoso é totalmente manipulado pela esposa, a ambiciosa Marión (Helena Fernandes). Os dois são pais de Jacques (Leandro Lima), Arturo (José Victor Pires) e Brione (Juliana Didone), que tem um romance secreto com o plebeu Gonzado (Alexandre Slavieiro). Severo ainda é filho de Leocádia (Esther Góes), que não tolera Marión.

Vale citar também alguns núcleos paralelos, como o protagonizado por Anaju Dorigon e André Mattos. Ele vive o cruel Falstaff, dono da taberna do local, que maltrata Dulcinéia, menina que pegou para criar contra sua vontade por conta de um segredo do passado. A sofrida menina se apaixona por Accalon (Paulo Lessa), caçador de recompensas e braço direito de Enrico. Gisele Itié vive a destemina arqueira Selena, Eri Johnson o bobo da corte Corinto e Bárbara Borges a dona do mercado Polentina. O elenco ainda conta com Alexandre Barillari, Angelina Muniz, Lidi Lisboa, Bemvindo Siqueira, Paulo César Grande, Raymundo de Souza, Iara Jamra, Thiery Figueira, entre outros.

O maior destaque desse início é Helena Fernandes vivendo a típica bruxa má. Larissa Maciel é outro bom nome que já brilhou logo na estreia e  tem tudo para se destacar quando Lucy retornar. Floriano Peixoto, Esther Góes, Camila Rodrigues e André Mattos também prometem ter bons momentos, pois o autor foi inteligente na apresentação dos personagens. A primeira fase serviu para contextualizar o romance dos mocinhos e o desaparecimento de Lucy, ao mesmo tempo que expôs o potencial de alguns perfis, além de ter exibido o reino que serve de ambiente para todos os conflitos. Os únicos poréns são a trilha sonora (nada adequada para um romance de época) e alguns cenários, muito parecidos com os folhetins bíblicos. Mas, é um conjunto com bem mais acertos que erros.

"Belaventura" teve um começo bem interessante e há elementos bastante convidativos para o público comprar a ideia de Gustavo Reiz. A audiência está ruim, em torno dos 8 pontos ---- menor que os 11 da reprise de "Escrava Isaura". Entretanto, tem potencial para crescer. É um conto de fadas despretensioso, recheado de dramas típicos de um folhetim tradicional. Uma boa alternativa para o telespectador que já está cansado das produções bíblicas da Record.

15 comentários:

Adriana Helena disse...

Oi Sérgio, como vai querido amigo?
Nossa, essa novela é totalmente inédita para mim!
Achei interessante o enredo se passar no final da Idade Média, esses assuntos muito me interessam!
Excelente explanação e se der vou assistir alguns capítulos! ;)

Ah, pode ficar tranquilo que o botão de curtir e compartilhamento no facebook do seu blog voltou a funcionar direitinho, acabei de testar! rsrs Ah, esses bugs rotineiros nos tiram do sério né amigo? rsrs
Linda semana!!!
Beijos! :)))

Anônimo disse...

Achei mais ou menos...

Cézar disse...

A Helena Fernandes é a melhor mesmo.

Anônimo disse...

Gostei, mas prefiro Escrava Mãe.

Luli Ap. disse...

Olá Sérgio
Ouuuunnnn eu queria dar uma conferida na novela, acho tão instigante essa pegada medieval numa releitura moderna dos contos de fadas com príncipes e plebeias e disputa de tronos e reinos <3
Vou programar para ver!
Bjs Luli

Café com Leitura na Rede

Leitora disse...

Olá Sérgio! Eu havia dito pra mim que iria assistir essa novela porque amo estórias medievais, mas eu esqueci acredita? Tomara que me lembre de vê-la hoje.
Agora jurava que a Globo ia ficar com a Anaju Dorigon, mas não duvido que eles ainda a "peguem" de volta.

Germana Araújo disse...

Olá Sérgio!!
Me interessei muito pela sinopse dessa novela, e até consegui assistir o primeiro capítulo, embora esse horário seja particularmente complicado. Gostei muito do que vi, com exceção do casal protagonista que achei meio fraquinho... rs
A trilha sonora também achei deslocada, mas os cenários e figurinos estão uma lindeza. Também vi muito potencial na trama, parece que tem vários mistérios e fiquei muito curiosa para sabê-los.
No mais, é isso. Abraços!!

Sérgio Santos disse...

Como estressam,né, Adriana?Sabemos bem... rsrs bjssss

Sérgio Santos disse...

Ok,anonimo.

Sérgio Santos disse...

Sem duvida, Cezar.

Sérgio Santos disse...

Entendo, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Dê uma olhada, Luli. É bacana. bjs

Sérgio Santos disse...

Espero msm que peguem de volta, Leitora. Anaju é um talento. bjs

Sérgio Santos disse...

Ótimo comentário, Germana. Bom te ver de volta. bjão!!!!!

Fernando disse...

Uma ótima proposta, interessante, mas mal produzida. E claro, está tomando um pau de Pega Pega. kkkkkkkkkkkkk Cláudia Souto manda beijos para Gustavo Reiz.