quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Morde & Assopra fecha seu ciclo e Walcyr Carrasco emplaca mais um grande sucesso

"Morde & Assopra" poderia ter a superação como tema principal. Após sua estreia,a novela foi totalmente desacreditada por parte da crítica e houve uma rejeição do público em relação às temáticas sobre robôs e dinossauros.

O autor, experiente, sabia que poderia correr esse risco e não foi à toa que mesclou novidades com temas já batidos, mas que sempre costumam dar certo em suas obras. A sogra avarenta que atormenta a todos que estão ao seu redor, e humilha sua fiel empregada, é um exemplo. Jandira Martini (Salomé) e Vera Mancini (Cleonice)formaram uma dupla perfeita. A aceitação foi imediata e ambas protagonizarm cenas hilárias,principalmente quando Cleo se 'apropria' dos bens da patroa e fica rica.

O prefeito e a primeira-dama, corruptos descarados, também faziam parte do time reserva que seguraria a novela, enquanto os principais apresentavam dificuldades. Ary Fontoura (Isaías) e Elizabeth Savalla (Minerva) tinham um entrosamento incontestável. As armações da dupla renderam, e, posteriormente, com a briga do casal, vimos uma rivalidade política que tornou as cenas ainda melhores.

A mãe que é humilhada pelo filho arrogante, tema tradicionalíssimo, fez um sucesso absurdo e de coadjuvante, Cássia Kiss Magro, se transformou em um dos papéis centrais da trama.Klebber Toledo evoluiu e a atriz foi extraordinária. Dulce emocionou o público e sua morte acabará sendo uma espécie de 'santificação' da personagem.

Walcyr apostava nessas temáticas, enquanto 'consertava' o que não estava dando muito certo. A situação envolvendo Ícaro (Mateus Solano) e a robô Naomi (Flávia Alessandra) andava em círculos e a volta da 'humana' foi antecipada. Ela ainda trouxe uma criança que apresentava problemas motores (Rafael-Henry Fiuka) e que culminou na entrada na vilã Amanda (Carla Marins), a verdadeira mãe do menino. Zariguim, o robozinho, caiu nas graças das crianças. As alterações deram tão certo, que esse núcleo virou um dos mais interessantes da novela.
Os dinossauros que haviam sumido, foram retomando seu espaço. Júlia (uma impecável Adriana Esteves) voltava a pesquisar seus fósseis e mistérios sobre o desaparecimento de seu pai começavam a ser contados ao telespectador. A novela foi ficando cada vez mais coesa e o sucesso veio como recompensa.

Dentre os acertos, temos:

1-O elenco muito bem escalado com nomes de peso, como: Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Flavia Alessandra, Neusa Maria Faro, Mateus Solano, Adriana Esteves, Cássia Kiss, Jandira Martini, Paulo Goulart, Luis Melo, Walderez de Barros, Emiliano Queiroz e Paulo José.
2-Mostrar um contraponto entre a robótica e a paleontologia.
3-Cássia Kiss cativou a todos com a sua íntegra Dulce.
4-Foi maravilhoso ver de volta à tevê Narjara Turetta e Suzy Rêgo.
5-Júlia e Abner tiveram química e fizeram um ótimo casal protagonista.
6-As sequências envolvendo a Naomi robô e a humana eram ótimas. O julgamento da andróide no caso do assassinato do delegado também rendeu grandes cenas.
7-André Gonçalves fez um Áureo divertidíssimo e sua entrada só melhorou a trama ainda mais.
8-Bruna Spínola (Abelha), Marcio Tadeu de Lima (Herculano), Karla Karenina (Anecy), Guilherme Gonzalez (Efraim), Jurema Reis (Maria João) e Anderson Di Rizzi (Sargento Xavier) foram grandes revelações. A televisão precisa de rostos novos.

Dentre os erros, temos:

1-O núcleo do spa perdeu o destaque e ficou avulso. Cristina Mutarelli, Cissa Guimarães, Ary França, Miriam Lins, Flavia Garrafa e Suzy Rêgo mereciam mais destaque.
2-Ana Rosa e Claudio Jaborandy foram descartados da novela. Desrespeito para com os atores.
3-A violência doméstica não pôde ser desenvolvida por causa da interferência do 'politicamente correto' e da 'classificação indicativa'. Com isso,o núcleo do experiente ator Luis Melo foi perdendo a importância e Nivea Stelmann saiu da novela antecipadamente, junto de Rodrigo Hilbert. Pena.
4-O núcleo japonês também não apareceu quase nada.
5-A morte da vilã Amanda foi exatamente igual ao da Débora (grande Ana Lucia Torre) em "Alma Gêmea".


Com pouco mais de dois meses, "Morde & Assopra" já apresentava números crescentes e atingiu índices altíssimos que o horário das 19 horas não obtinha há anos. Conseguiu o feito de superar o sucesso de "Ti-Ti-Ti". Walcyr Carrasco, responsável por imensos fenômenos de audiência como "O Cravo e a Rosa", "Chocolate com Pimenta", "Alma Gêmea" e "Caras & Bocas", conseguiu emplacar mais uma trama. Tanto ele, quanto os diretores Rogério Gomes e Pedros Vasconcellos, juntamente do grande elenco, merecem os parabéns. Agora a responsabilidade está nas mãos de Miguel Falabella. Que venha "Aquele Beijo"!

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Um comentário:

Cleanskin disse...

Morde & Assopra, mesmo que pareça perseguição ao Walcyr - não tenho culpa, ele não colabora. A novela é um erro e tenho certeza que ele deve achar isso também, mesmo que não admita publicamente, rs. A prova é que ele próprio, percebendo a caca, foi apagando todos os núcleos da história e deixou a luz em cima apenas da Cássia Kis, que brilhou e tirou leite de pedra daquele texto horroroso. Ninguém queria saber de ossos de dinossauros ou robôs, o público queria mesmo era ver a Dulce chorando.