quarta-feira, 29 de julho de 2015

"Terra Nostra": um sucesso que marcou época

Exibida entre 20 de setembro de 1999 e 2 de junho de 2000, "Terra Nostra" foi mais um fenômeno de audiência de Benedito Ruy Barbosa, depois do autor ter colhido os frutos do imenso sucesso de "O Rei do Gado" em 1996. A novela ----- reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" em 2004 ---- foi dirigida por Jayme Monjardim e teve o romance de Matteo e Giuliana como foco central de uma trama que contou um pouco sobre a imigração italiana no Brasil.


Ambientada entre o final do século XIX e início do século XX, a maior parte da história se passa nas fazendas de café do interior de São Paulo, locais cobiçados por vários italianos que vêm ao Brasil procurando melhores condições de trabalho. O enredo focou na importância da imigração na formação da sociedade brasileira através do casal interpretado por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, que precisou enfrentar inúmeros obstáculos e várias adversidades para ficar junto.

A trama foi iniciada em 1894 com o navio Andrea I deixando o porto de Gênova, na Itália, e cruzando o Oceano Atlântico, transportando várias camponeses italianos que fugiam da crise econômica do seu país para tentar a sorte em terras brasileiras. Afinal, os fazendeiros estavam precisando de mão de obra nas plantações de café depois da libertação dos escravos.
E justamente neste navio está Giuliana com seus pais (Júlio e Ana - Gianfrancesco Guarnieri e Bete Mendes), além de Matteo, que viaja só em busca de uma vida melhor, pois não tem família.

A italiana se encanta com seu compatriota, sendo plenamente correspondida. Os dois se apaixonam, mas a primeira adversidade aparece logo neste começo, pois a peste negra se alastra no navio, matando os pais da mocinha e deixando Matteo em estado grave. A cena em que os corpos de Júlio e Ana são jogados ao mar ---- para que a doença não se espalhasse ----, vale mencionar, foi tristíssima e forte. Em meio a tanta desgraça provocada pela epidemia, o mocinho consegue sobreviver e fica ao lado de Giuliana, que a partir daquele momento estava tão sozinha quanto o seu namorado. Apesar destas sequências terem sido exibidas apenas no comecinho da novela, foram muito marcantes.

Outra sequência emblemática do navio, aliás, foi protagonizada por Antônio Calloni e Lu Grimaldi, quando seus personagens (Bartolo e Leonora) se desesperam quando veem os tripulantes quase jogando o filho deles no mar. Na verdade, todos achavam que a criança estava morta por causa da peste, mas ela chora quando é arrancada dos braços da mãe. Foi difícil não ter chorado vendo aquele momento tão bem interpretado pelos atores.

Após estes instantes de terror em alto mar, Matteo e Giuliana chegam ao Brasil, mas se perdem no desembarque, e acabam seguindo destinos diferentes. Enquanto Giuliana é acolhida pelo grande amigo do seu pai, o imigrante Francesco (Raul Cortez) ---- que ficou rico no país ----, Matteo vai parar na fazenda do coronel Gumercindo (Antônio Fagundes), onde arruma emprego na colheita de café. Os dois nunca mais se veem e acabam se envolvendo com outras pessoas, justamente integrantes das famílias que os abrigaram. Esta guinada, obviamente, provoca novos desdobramentos na novela, que fica ainda mais atrativa com os conflitos que surgem.

O poderoso Francesco é casado com a arrogante Janete (Ângela Vieira em um dos seus melhores papéis) e o filho deles, Marco Antônio (Marcello Antony), se apaixona perdidamente por Giuliana, que está grávida de Matteo. A mãe do rapaz odeia italianos e não aceita esta paixão, causando um clima péssimo na família. A personagem, inclusive, pratica a maior maldade da trama: faz o parto da 'nora' junto com a governanta Mariana (Tânia Bondezan) e, aproveitando o instante que a italiana desmaia, manda a empregada levar o bebê para um orfanato. Assim que ela acorda, a vilã diz que a criança nasceu morta.

Já Matteo vira porta-voz dos imigrantes da fazenda e entra em conflito com o escravocrata Gumercindo, que não consegue se acostumar com aquelas novas 'medidas'. O rapaz ainda vira alvo da cobiça de Rosana (Carolina Kasting), que arma uma cilada para forçá-lo a se casar com ela. Como ele é acusado injustamente de ter abusado da moça, acaba casando e ganhando a confiança do poderoso fazendeiro, que tem outra filha (Angélica - Paloma Duarte) e um casamento infeliz com Maria do Socorro (Débora Duarte) --- a quem culpa por nunca ter tido um filho homem. Porém, o mocinho tem uma relação infeliz com Rosana e a abandona para procurar Giuliana. Quando finalmente a encontra, a vê casada com Marco Antônio e grávida ---- sem imaginar que o filho era dele e que seria abandonado pela cruel Janete assim que nascesse.

A trama realmente conseguiu envolver o telespectador e o sotaque italiano dos personagens caiu no gosto popular. Antônio Fagundes e Raul Cortez foram brilhantes mais uma vez e repetiram a boa parceria de "O Rei do Gado". O personagem de Raul, aliás, formou um casal que foi um dos melhores da história: Francesco e Paola (estreia de Maria Fernanda Cândido na Globo) esbanjaram química e uma das cenas mais lembradas é a do par tomando banho de banheira. A expressão 'Amore mio' se popularizou, também, por causa deles. O romance ainda serviu de castigo para Janete, que viu o marido abandoná-la para ficar justamente com uma italiana. Fagundes, por sua vez, teve uma ótima sintonia com Débora Duarte, além de Paloma Duarte e Carolina Kasting.

Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio honraram o protagonismo da história e o romance de Giuliana e Matteo foi bonito de se acompanhar, ainda que os personagens tenham passado uma boa parte separados. Química não faltou e nem emoção, uma vez que os atores protagonizaram muitas cenas difíceis e dramáticas. O final da novela, inclusive, apresentou a esperada sequência em que os italianos encontram o filho deles. A mocinha achou a criança em um orfanato justamente no último capítulo e foi um dos momentos mais lindos do folhetim, que fechou seu ciclo em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial.

A novela não teve muitos personagens, mas além de todos os atores citados, o elenco ainda contava com Cláudia Raia (Hortênsia), Lolita Rodrigues (Dolores), Gabriel Braga Nunes (Augusto), Arlete Salles (Irmã Tereza), Chico Anysio (Josué), Antônio Abujamra (Coutinho), Elias Gleizer (Padre Olavo), Roberto Bonfim (Justino), Jackson Antunes (Antenor), José Dumont (Batista), Ilva Niño (Irmã Letícia), Débora Olivieri (Inês), Gésio Amadeu (Damião), Bianca Castanho (Florinda), Adriana Lessa (Naná), Raymundo de Souza (Renato), Danton Mello (Renato), entre outros.

"Terra Nostra" foi uma grandiosa novela e Benedito Ruy Barbosa estava inspiradíssimo quando criou esta trama, ao contrário do que ocorreu em 2002, ano que foi ao ar "Esperança" ---- seu maior fracasso, baseado ironicamente nesta obra de sucesso. Dirigido com competência por Jayme Monjardim, este folhetim, que tinha a Itália no DNA, foi uma das grandes produções da Globo, se tornando ainda uma das obras mais vendidas no exterior (mais de 95 países). História que ficou na lembrança do público.

30 comentários:

Anônimo disse...

Essa novela foi maravilhosa. Muito melhor que essa chatíssima Rei do Gado. Porque além de chata é tendenciosa com aquele papo de agropecuária e ocupação de terras fazendo dos ocupadores uns coitadinhos. Ótimo texto.

Vera Lúcia disse...


Olá Sérgio,

Uma novela inesquecível. Gostei demais!
Adorei relembrá-la através de seu ótimo texto.

Abraço.

William O. disse...

Ana Paula Arósio sumiu mesmo, hem? Ela fez um belo casal com o Thiago nessa novela e até hoje lembro das cenas da peste no navio. Mas assim como todas as novelas do Benedito essa também teve uma barriga grande e ficou chata. Ele só deveria escrever novela de 60 capítulos.

Unknown disse...

O início dessa novela foi excelente, o Benedito pegou o horário combalido de Suave Veneno e fez a audiência voltar pra casa dos 50 pontos num instantinho. Mas infelizmente ele se perdeu depois, pois a ideia original era fazer uma saga que começava nessa época que você citou no texto e atravessaria gerações, chegando até o ano 2000. Mas, com o sucesso inicial de audiência, a Globo preferiu manter a novela toda nessa época - e o autor concordou, mesmo com a trama claramente não tendo fôlego para se sustentar, com a mesma qualidade do início, por longos oito meses. O resultado disso foi uma baita barriga e um ibope que nunca mais atingiu os patamares do início, nem mesmo nos capítulos finais. Apesar de ter sido uma boa novela no geral, sua reprise no VPVDN foi um fracasso.

Acho que passou da hora do Benedito voltar ao horário nobre. A premissa da novela dele rejeitada pela Globo me parecia promissora. Na minha opinião, os caras estão cometendo o mesmo erro de quando engavetaram Pantanal. Já pensou se ele resolve fazer essa novela na Record? Hahaha 😄

Anônimo disse...

ECA! Essa novela foi chatíssima, um verdadeiro porre, um sonífero dos mais bravos, como todas as novelas desse cara. A única coisa boa era a sátira do Casseta & Planeta com o casal "Meteu" e "juliana Paula Arósio", kkkk...

Talison disse...

Achei essa novela a melhor do Benedito. Gostei de relembrar.

Vinícius disse...

Sérgio, eu fico admirado como vc se esforça pra manter seu blog atualizado. Vc escreve uns 4 textos por semana e tem crítico que ganha pra isso e não escreve nem dois. Obrigado por valorizar tanto seus leitores. E Terra Nostra eu gostei só do começo, depois ficou chata. Mas isso é regra nas novelas desse autor.

Fernanda disse...

Essa novela foi boa, Sérgio, mas teve uma barriga grande. Mas não tão quanto O Rei do Gado. Aliás, eu nunca gostei de uma novela do Benedito. Sempre tive várias ressalvas.

Yasmin disse...

Amava Matteo e Giuliana! O Raul Cortez estava divino! Achei essa a melhor novela do Benedito.

Anônimo disse...

Fez sucesso, mas não foi incrível. No máximo boa.

Sérgio Santos disse...

Tb acho essa melhor que O Rei do Gado, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Que bom, Vera. =) bjs

Sérgio Santos disse...

Ana largou a fama e a carreira msmo, William. E concordo que essa tb teve uma barriga cansativa, mas comparando com as outras, acho menos pior. Foi a única novela do Benedito que eu gostei.

Sérgio Santos disse...

Unknown, é verdade, essa novela seria a Além do Tempo da época. Migraria para v´rios tempos. Mas nem achei ruim não pq não sei como conduziriam essas passagens. O envelhecimento de todo o elenco poderia ficar mt tosco e trabalhoso. Mas é verdade, a novela teve uma fase bem arrastada, como todas as dele, mas ainda assim ainda achei excelente e fez um inegável sucesso. Marcou.

Olha, eu não quero Benedito no horário nobre não. Não curto o estilo dele e seu ritmo me cansa. Eu particularmente achei bom a Globo vetar. Fazer novela de Cristo voltando? Sei não... Mas essa Velho Chico será no msm padrão de todas as deles: fazendeiros rivais, um padre simpático, peões, filhos das famílias rivais que se apaixonam, enfim... abçs

Sérgio Santos disse...

Eu achei a novela ótima, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Tb achei, Talison.

Sérgio Santos disse...

Nossa, Vinicius, mt obrigado. Eu me esforço msm pq não é fácil arrumar tanto assunto pra desenvolver, mas eu tento. E que bom que agrado. abçs.

Sérgio Santos disse...

Te entendo bem, Fernanda.

Sérgio Santos disse...

Tb gostava mt, Yasmin.

Sérgio Santos disse...

Incrível tb não achei, anonimo. Mas foi mt marcante.

Matheus Nogueira disse...

Sérgio,já pode ir pensando em escrever um texto sobre a Larissa Manoela,falando só dela.pq,cara,essa menina tá ´´Sobrando na turma´´ de ´´Cúmplices de um Resgate´´!!!!!!!!!!!!!!!1

Elvira Akchourin do Nascimento disse...

Parabéns pelo belo texto, Sérgio. Adorei a novela, desde o tema, o elenco, a música-tema.Deixou sauddes.

Clau disse...

Oi Sérgio,
Terra Nostra, teve um elenco
e enredo ótimos.
Gostei de relembrar sobre essa novela...
Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio,
formaram um casal inesquecível.
Ótimo domingo pra você, bjs \o/

MARILENE disse...

Sergio, a novela foi, realmente, muito boa. Gostei de relembrá-la através de sua postagem. Bjs.

Sérgio Santos disse...

Mt obrigado, Elvira.

Sérgio Santos disse...

Já escrevi, Matheus.

Sérgio Santos disse...

Obrigado, Clau. Bom fim de semana.

Sérgio Santos disse...

Que bom, Marilene. =)bjs

Anônimo disse...

Desculpe, amigo, mas foi um equívoco de sua parte,a novela é tendenciosa sim mas em outros aspectos.Os sem terra foram retratados de forma justa,houve momentos na trama em que esse povo cometia erros também. O personagem de Jackson Antunes bloqueou estrada,algo que ele jurou nunca fazer além de ter permitido a circulação de armas,outra coisa que era ele contra.Isso mostrou que os dois lados eram errados,além de outros fatores.A novela,é tendenciosa em criticar Marx sem nem ao menos conhecer(numa guerra devemos saber contra quem e o que lutamos), em quase tudo colocar a culpa nos políticos (se bem que eram os personagens menos instruídos que o fazia).Um erro muito forte foi retratar o líder Regino de forma messiânica mas depois isso foi melhorado.O Rei do Gado pode não ser a melhor novela mas é uma das melhores.Conseguiu algo que nenhuma outra conseguiu,mudar a opinião do povo não o deixando unilateral. Quanto a ritmo de narrativa, é outra coisa. A trama realmente ficou chata pro final,durante uns 15 capítulos, ganhando força só no final.Há muitos fatores para isso ter ocorrido, na época o diretor geral estava passando uma fase difícil, e Benedito escreve bastante porém devagar por planejar algo mais consiso, provocando barrigas pra segurar suas futuras sacadas.

Anônimo disse...

Kkkkk realmente parecido com Pantanal. Era uma boa trama, as pessoa ficavam surpresas quando eu falava que iriam aparecer nazistas. A Record só não aceitaria a trama por ela retratar Cristo como um homem comum. Mas eu acho que um dia a Globo libera essa jossa igual O Velho Chico.