terça-feira, 29 de setembro de 2026

Adriana volta para lavar a alma do público em capítulo de gala de "Quem Ama Cuida"

 O capítulo de segunda-feira (28/09) de Quem Ama Cuida entregou exatamente aquilo que uma novela precisa saber fazer quando prepara durante semanas o retorno triunfal de sua protagonista: catarse. A volta de Adriana (Leticia Colin) diante de seus inimigos foi construída com minúcia, paciência e um extraordinário senso de espetáculo por Walcyr Carrasco e Claudia Souto. Os dois souberam preparar cada momento até chegar ao clímax aguardado pelo público: Nancy (Jeniffer Nascimento) apresentando Adriana como a nova sócia da A. Brandão Joias.


Walcyr Carrasco é, há décadas, um dos autores que melhor sabem preparar e expor uma cena catártica para o público. Não foi diferente desta vez. A sequência começou antes mesmo de Adriana aparecer. A protagonista permaneceu dentro de um carro, aguardando todos chegarem ao evento, que contava com a presença da imprensa. A direção de Amora Mautner, mais uma vez, deu uma verdadeira aula de como transformar expectativa em dramaturgia.

Um dos grandes momentos foi o longo plano-sequência que acompanhou a ansiedade de Pedro (Chay Suede), Dora (Mariana Ximenes), André (Henrique Barreira) e Cleber (Breno Ferreira) pela chegada da protagonista, até Nancy finalmente dar o sinal para Adriana entrar.

A diretora soube fazer o tempo trabalhar a favor da cena. Em vez de correr para a revelação, a novela saboreou cada segundo.

Quando Adriana saiu do carro, flashes com imagens de Ademir (Dan Stulbach), Ulisses (Alexandre Borges) e Pilar (Isabel Teixeira) durante o julgamento da mocinha foram exibidos. Era como se a novela recuperasse, em poucos segundos, todo o caminho percorrido pela personagem até aquele momento.

Foi o tipo de momento capaz de lavar a alma de quem acompanhou as injustiças sofridas pela personagem. É aquele velho clichê da teledramaturgia que raramente falha quando é bem trabalhado — e aqui foi. A entrada triunfal, a reação dos inimigos, o anúncio de Nancy e a postura de Adriana foram cuidadosamente encaixados para produzir o efeito catártico desejado.

O jogo de luzes também foi fundamental. A sequência chegou ao auge quando Adriana simulou um blackout e, em seguida, surgiu em um feixe de luz, deslumbrante e vitoriosa. Amora Mautner não apenas registrou a entrada da personagem: transformou-a em um acontecimento.

Inevitavelmente, a cena remeteu à volta triunfal de Clara Tavares (Bianca Bin), em O Outro Lado do Paraíso, outra criação de Walcyr Carrasco e uma das sequências de triunfo mais memoráveis da teledramaturgia recente. A comparação é inevitável, embora não seja necessário estabelecer uma disputa entre as duas cenas. A sequência de Clara, exibida em 2017, permanece insuperável. São novelas diferentes, protagonistas diferentes e histórias diferentes. O importante é que a volta de Adriana honrou plenamente a expectativa que a própria novela havia criado.

E talvez Walcyr e Claudia tenham encontrado até uma nova frase com potencial para sobreviver à novela e ganhar vida própria em memes futuros. Não houve um “Não imaginam o prazer que é estar de volta”, mas houve o igualmente provocador “Por que essa cara de espanto? Sorriam, a justiça demorou, mas agora ela vai acontecer”. É uma fala que sintetiza perfeitamente o espírito da sequência.

Leticia Colin, por sua vez, mostrou novamente por que foi escolhida para protagonizar a novela. Está soberba como Adriana e deu um show em cena. A atriz conseguiu transmitir simultaneamente a força de uma mulher que venceu uma batalha e a emoção de quem sabe exatamente tudo o que precisou enfrentar para chegar até ali.

Outro detalhe de direção merece destaque: o reflexo de Adriana, triunfante, nos óculos de Pilar, completamente incrédula. É uma imagem simples, mas de enorme força simbólica. A vilã é obrigada a enxergar justamente aquilo que mais desejava impedir: a ascensão da mulher que tentou destruir.

E o melhor é que a novela não teve pressa de encerrar a catarse. Depois do grande momento, vieram as repercussões entre os algozes de Adriana e as disputas internas que já estavam em ebulição. Pilar e Ulisses entraram em conflito, enquanto a vilã ainda precisou enfrentar Thiago (Gui Ferraz), que ameaçou vender sua parte da joalheria para Adriana, dando à protagonista a maioria das ações, apenas para se vingar da tia por tê-lo tirado da presidência e colocado Ingrid (Agatha Moreira) em seu lugar.

A trama também encontrou espaço para o humor no meio da derrocada de Pilar. O flagra que ela deu em Edvaldo (Guilherme Piva) e Tilde (Luana Martau) se beijando na varanda de seu apartamento foi impagável. Poucas coisas poderiam ser mais humilhantes para uma vilã elitista do que voltar para casa derrotada pela rival e ainda encontrar dois de seus empregados se agarrando na varanda.

Melhor ainda foi o deboche posterior de Brigitte (Tatá Werneck). Enquanto Pilar estava deitada, sendo consolada por Rafael (João Vitor Silva) e Ingrid, a filha mais velha fez questão de dizer que estava feliz porque nunca acreditou na acusação de que Adriana havia matado Arthur (Antonio Fagundes). E, de quebra, revelou que aquilo poderia lhe render uma oportunidade de emprego na joalheria. Pilar surtou e a expulsou do quarto.

Tatá Werneck e Isabel Teixeira simplesmente brilharam. Isabel, aliás, arrebatou em todas as suas aparições, o que já não chega a ser surpresa diante da composição que vem fazendo de Pilar. A personagem passou o capítulo inteiro sendo obrigada a lidar com as consequências de suas próprias armações, e a atriz soube explorar cada camada dessa humilhação sem perder a dimensão quase caricatural da vilã.

O mais importante é que o capítulo não tratou a volta de Adriana apenas como uma cena isolada de vingança. A sequência representa uma mudança de fase para toda a novela. A protagonista retorna ao jogo em outra posição, enquanto seus inimigos começam a experimentar as consequências de tudo aquilo que fizeram.

Por isso, o capítulo foi tão eficiente. Houve preparação, expectativa, espetáculo, catarse, humor, consequências e, sobretudo, a sensação de que alguma coisa realmente mudou depois daqueles acontecimentos.

Quem Ama Cuida entregou um capítulo digno de novelão e daqueles que entendem que, às vezes, o público não quer apenas acompanhar a história. Quer também respirar fundo, sorrir e sentir que, depois de tanta injustiça, a mocinha finalmente entrou pela porta da frente.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nem imaginam o prazer que é estar de volta...
Parece que já ouvi isso em algum lugar 😂😂😂
Melhor que isso só se rolasse o seguinte crossover:
Clara Tavares anuncia a entrada de Adriana! 😀
O tempo passa e esse tema vingança não satura, só que... precisa de uma boa construção. Se for jogado igual em Mania de Você não convence.
E pensar que a próxima novela das 9 será continuação da vingança mais icônica da teledramaturgia. Quem vai se vingar de quem em AB2? Aliás, o JEC sabe escrever sobre outra coisa?
Algo que me chama a atenção em histórias de vingança é que no fim o vingativo costuma se arrepender. Descobre que A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena 😀
(Marcos)

Anônimo disse...

Você viu mínimo, uma audiência dessas no horário eleitoral? Já pensou como seria num horário normal? Não tem jeito nem papo furado. Quando a audiência pega, pega. Não importa o chororo de Twitter, de fã ou de "eu assisto pelo streaming!". Quando a tia se sofa empolga, a novela é cafeína, o sonho não assombra. JEC tem que fazer melhores plots e parar de criar histórias de "um é bom e não é, e vice-versa". Manuela tem que fazer remake e não sketch de Zorra Total, e Aguinaldo precisa de noção ao escolher melhor suas linhas narrativas (bebês dão audiência, não estátuas). O espectador não é culpado. Você pode estar fazendo o equivalente a "Última Ceia" no circuito de novelas, mas, se o povo não vem, não é culpa do povo; eu assisto ao que quero e pronto. O problema de sua novela não é onosso. E você sabe o que é isso? Você tem sido um soldado indisciplinado na crítica especializada por curtir o Walcyr e agora você está pronto para uma novela das 21h com boa crítica, mas sabe por quê? Porque curtimos, e não se fale mais.
Daniel