segunda-feira, 25 de novembro de 2019

"Amor de Mãe" estreia com forte carga dramática e promissoras protagonistas

"Tudo é incerto, menos o amor de mãe". A frase, adaptada do romancista e poeta James Joyce (1882/1941) ---- "Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe" é a frase original ----, é a premissa da nova novela das nove da Globo, que marca a estreia de Manuela Dias como autora solo. E, por conta dessa afirmação, fica bem claro que o enredo abordará uma visão mais romanceada da maternidade. Com a dura missão de manter os elevados índices do grande sucesso "A Dona do Pedaço", a trama, dirigida por José Luiz Villamarim e fotografia de Walter Carvalho, estreou nesta segunda-feira (22/11), com um emocionante primeiro capítulo.


Regina Casé, Taís Araújo e Adriana Esteves vivem Lurdes, Vitória e Thelma, mulheres que exercem a maternidade em sua plenitude, cada uma à sua maneira. Apesar de viverem em realidades diferentes, com trajetórias distintas, a vida das três se entrelaça ao longo do enredo. Uma proposta parecida com "Justiça", da mesma autora ---- quatro pessoas eram presas por crimes que cometeram em momentos de fúria e ao longo da história tinham suas vidas cruzadas. O trio protagonista foi bem apresentado na estreia através de breves flashbacks e dramas no presente.

Lurdes é babá e mãe de cinco filhos, sendo que um deles não foi criado ao seu lado. Ela busca um novo emprego e consegue uma entrevista na casa de Vitória, uma advogada bem-sucedida que, com a iminência da chegada do filho que pretende adotar, precisa de uma babá. Vitória perdeu um bebê aos seis meses de gestação e não conseguiu superar o trauma.
É durante a conversa com Vitória que Lurdes lembra de seu passado em Malaquias, cidade fictícia do Rio Grande do Norte, onde o marido Jandir (Daniel Ribeiro) vendeu o filho Domênico quando ela estava no hospital dando a luz à filha caçula. Foi por isso que a mulher veio para o Rio de Janeiro e acabou ficando ---- criando os filhos Magno (Juliano Cazarré), Ryan (Thiago Martins), Érica (Nana Costa) e Camila (Jéssica Ellen).

O primeiro capítulo usou a entrevista de emprego para apresentar o trauma de Lurdes e ligá-la no presente com Vitória e Thelma. A forma como tudo foi feito primou pela engenhosidade dramatúrgica. Lucy Alves emocionou na pele de Lurdes mais jovem  e a cena em que a personagem matou o marido acidentalmente, logo depois que o marido confessou a venda do filho e tentou estuprá-la, impactou. E Regina Casé está impecável vivendo a batalhadora mulher. Após o elo estabelecido com Vitória na entrevista --- incluindo uma conversa sobre filhos, que fez a advogada lembrar da perda de seu bebê em um traumático julgamento ----, Lurdes se desesperou ao ver Thelma passando mal na rua e a ajudou. As duas foram a um hospital e lá descobriram que Thelma tem um aneurisma cerebral inoperável. A triste notícia acabou criando um vínculo entre ambas.

O enlace das três protagonistas é concluído quando Vitória tenta convencer Thelma a vender seu restaurante para Álvaro (Irandhir Santos), seu cliente milionário, e acaba transformando a dona em sua inimiga quando usa o aneurisma como argumento para o negócio. Lurdes fica em uma saia justa, pois gosta de ambas. Mas voltando ao primeiro capítulo, a direção de José Luiz Villamarim logo sobressaiu em um plano sequência ótimo envolvendo Magno (Juliano Cazarré) andando no meio de um trânsito caótico. O filho mais velho de Lurdes chegou a dar uma informação a Vitória. O seu drama com a esposa em coma e a filha doente (Arieta Correa e Clara Galinari, respectivamente) também foi brevemente exposto em uma cena com a enfermeira Betina, vivida por Isis Valverde.

E a cena mais emocionante da estreia foi protagonizada por Regina Casé e Jéssica Ellen, quando Camila homenageou sua mãe em um lindo discurso da sua formatura como professora de História. A personagem enalteceu os professores, a educação no país e reconheceu o esforço que Lurdes fez para criá-la --- a menina foi encontrada abandonada e logo adotada. Já a abertura da novela é simples, mas bonita, ao som do clássico "É", de Gonzaguinha, de 1988. "O Que É Que Há?", de Fábio Jr.; "Minha Mãe", de Gal Costa e Maria Bethânia; "Onde Estará o Meu Amor?", de Maria Bethânia; e "Todo Homem", de Caetano Veloso e filhos, são alguns outros clássicos da trilha.

"Amor de Mãe" teve uma estreia com forte carga dramática e protagonistas que prometem arrancar muitas lágrimas dos telespectadores. Manuela Dias utilizou a fórmula da bem-sucedida "Justiça" para o desenvolvimento da premissa de sua primeira novela e esse início provocou a melhor das impressões. Resta torcer para seguir assim.

16 comentários:

Anônimo disse...

Eu vi uma sucessão de desgraças. Vou passar longe.

Anônimo disse...

Achei uma overdose de drama e dois estupros com morte.

Anônimo disse...

Na minha humilde opinião, o capítulo de estreia de "Amor De Mãe" foi primoroso e também impactante, como todas as obras televisivas assinadas por Manuela Dias até então. Que a novela mantenha esse primor da estreia até o término.

Guilherme

Maíra disse...

ESSE LOGO PARECE FEITO NO EXCEL. HORRÍVEL!

chica disse...

As primeiras cenas, achei lindas. Mas depois, uma série de coisas pesadas.Vamos ver!!! Será forte! abração,chica

Pedrita disse...

gostei muito do primeiro capítulo, de como as tramas foram se cruzando. e que elenco. beijos, pedrita

Adriana Helena disse...

Oi Sérgio, a interpretação das 3 protagonistas foi primorosa e bem dramática, só achei o primeiro capítulo muito forte e pesado... Tenho saudades das novelas das 9 com um pouco mais de leveza, mais comédia sabe?
De coisas ruins e tristes a gente já vivencia no dia a dia e seria bom que as novelas inserissem um pouco mais de alegria e leveza... Mas ainda é cedo para opinar não é verdade?
Um grande beijo amigo, seu texto é primoroso como sempre!!

Unknown disse...

Adorei a estréia mas não sei se terá grande audiência é uma novela bem experimental está começando no fim do ano, espero que Silvio de Abreu não exija mudanças bruscas no decorrer da novela caso não de tanta audiência.
O elenco no geral é excelente Regina Casé roubou a cena.

Unknown disse...

Gente, esse é o logotipo da novela mesmo? Globo abusando do paint, kkkkk, quanta decadencia das novelas da Globo nessa década!!! E a abertura? Pegaram um musica da trilha de Vale Tudo que NADA tem a ver com a novela nem com o titulo e jogaram em cima de imagens aleatórias, Hans Donner deve estar rindo em casa. A novela em si é chover no molhado, segue os moldes das atuais da Globo: imagem escura e feia cheia de filtro pra parecer filme ou série, os atores falando em tom monocórdio, uma história sem pé nem cabeça com nucleos que não interferem em nada na "trama" principal, um desastre! Só esse Zamenza mesmo pra acompanhar essas tosqueiras.

Anônimo disse...

O único "erro" é a Adriana Esteves. Acho ela fantástica, mas está MUITO saturada. A sorte é que nessa trama ela não é vilã, pq com a reprise de avBr, já iam associar a personagem dela a Carminha!

Roseli disse...

A trama até é boa, mas estou achando muito pesada para uma novela que vamos acompanhar por meses. Se fosse para uma minissérie (mais curta),tudo bem. Mas para uma novela... acho complicado.

Vamos ver, mas por enquanto, não me empolguei não.

Rita disse...

Assisti 3 capítulos, mas desanimei. As histórias estão muito pesadas, tipo mundo-cão. As cenas são escuras e tudo muito deprimente.

Dos personagens, só a Lurdes (Regina Casé) e o filho Magno estão mais interessantes. Os demais não são cativantes (por exemplo, os personagens do núcleo com o Murilo Benício são todos sacanas... Achei péssimo esse núcleo).

Eu não entendo a Globo. Faz uma novela como a "Dona do Pedaço", com uma protagonista alto-astral, para logo em seguida colocar uma novela deprê. Concordo com o comentário acima: a Globo fica usando imagens com filtro escuro para ficar parecendo série. Mas novela não é necessário.

Parece que a audiência já caiu em 20% depois dos 30 primeiros capítulos. Acho que vai cair mais ainda.

Rita disse...

Corrigindo o meu comentário acima:
Novela não é SÉRIE.

Aliás, esse é o mal da Globo: querer fazer novela com cara de série.

Veja os elementos que tivemos em Amor de Mãe em apenas 3 dias: venda e tráfico de criança, tentativa de estupro, brigas entre dois homens (com um batendo a cabeça e morrendo), incêndio, tiroteio em escola, um cara que ameaça a irmã doente, traficantes de droga que vem cobrar a dívida e batem na família do sujeito desaparecido, pessoas empunhando revólver (a cena final de ontem)...

Eu pensei que fosse assistir uma novela sobre o amor das mães. Em vez disso, estamos vendo esse tipo de coisa...

Rita disse...

Corrigindo: 3 primeiros capítulos

Anônimo disse...

Mais uma novela chata e que não parece novela, Globo já era.

izabel disse...

Começou emocionando todo mundo, e colocou a novelinha xexelenta "A Dona do Pedaço" do Walcyr Carrasco no saco.

O público está simplesmente CHOCADO com a perfeição que foi esse roteiro. As protagonistas estão PERFEITAS. E o que dizer da direção, fotografia e trilha sonora? O que foi aquele plano sequência? Espero que continue a qualidade, tem tudo pra ser uma das melhores novelas da década.

Villamarim dificilmente erra, não é?! Arrasa, Manuela Dias (Ligações Perigosas, Justiça) <3!