terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Gloria Pires tinha que ser a quinta Lola de "Éramos Seis"

"Éramos Seis" é um sucesso atemporal. O fato do romance de Maria José Dupré, lançado em 1943, estar em sua quinta adaptação e seguir arrebatando o público é a prova. Gessy Fonseca foi a primeira Dona Lola, na trama da Record em 1958. Cleyde Yáconis viveu a matriarca no remake da Tv Tupi em 1967 e Nicette Bruno na mesma emissora em 1977. Já Irene Ravache é a atriz mais lembrada na pele da personagem em virtude do sucesso do remake do SBT, exibido em 1994. Agora chegou a vez de Glória Pires dar vida ao papel.


A atriz vive um de seus melhores momentos na carreira na versão produzida pela Globo. A sua Lola é ao mesmo tempo semelhante e totalmente diferente das anteriores. Gloria conseguiu manter a essência da marcante personagem, mas aproveitou as suaves mudanças no texto escrito por Angela Chaves para dar uma nova identidade a essa forte e sofrida mulher. A passividade não é tão preponderante agora e o flerte com Afonso (Cássio Gabus Mendes) permitiu um toque de 'conto de fadas' jamais vista nas outras versões.

Embora sejam bem maduros, os personagens parecem viver aquela descoberta do primeiro amor tão comum em livros da Disney. Lola entrou em um inferno astral após a morte do marido Júlio (Antônio Calloni), mas viu um sopro de esperança em sua vida quando começou a perceber o que sentia pelo dono da venda que tanto a ajudava ao longo dos anos. Gloria e Cássio são parceiros de longa data e novamente esbanjam sintonia em cena.
E como é bom ver dois atores veteranos na pele de perfis que caberiam perfeitamente em intérpretes bem mais jovens. Afinal, analisando friamente, o casal representa a tipificação dos "mocinhos", ainda que "Éramos Seis" não tenha esse clichê.

O entrosamento que Gloria tem com todos os atores ao seu redor é outro grande trunfo do atual remake e apenas expõe o quanto a atriz está à vontade no papel. Aliás, há muitos anos que não ganhava um tipo que a valorizasse tanto. Gloria protagoniza cenas ótimas com Kelzy Ecard (Genu), Simone Spoladore (Clotilde) e Virginia Rosa (Durvalina). Sua sintonia com os intérpretes dos filhos de Lola também é deliciosa, vide sua parceria tão bonita com Danilo Mesquita (Carlos) e os momentos de maior embate com Nicolas Prattes (Alfredo), André Luiz Frambach (Julinho) e Giullia Buscacio (Isabel).

As cenas mais recentes da trama marcaram a maior virada do folhetim e destacaram Gloria ainda mais. A morte trágica de Carlos é vital para os novos desdobramentos do enredo e não teve como não chorar junto com Lola. Aquele desespero de uma mãe que viu seu filho predileto morrer resultou em uma sequência dilacerante, interpretada com magnitude pela atriz. A "briga" com a santa, então, foi de partir o coração de qualquer um. "O que vai ser agora, meu filhinho? O que vai ser? Como vou viver sem meu filho. Meu amigo, meu esteio", disse a destruída matriarca para a melhor amiga Durvalina. Que atuação da Gloria!

A atual trama das 18h da Globo está a cada dia melhor. É a melhor novela no ar. Isso tudo apenas comprova a força do romance de Maria José Dupré. Também expõe a competência da autora, direção e elenco em recontar uma história que fez parte da vida de tanta gente. E a quinta Lola tinha que ser de Glória Pires.


24 comentários:

  1. QUE BOM QUE VOCE FEZ ESSE TEXTO, SÉRGIO!!!!

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  2. Glória Pires a cada dia tornando a sua interpretação de Lola em "Éramos Seis" tão irretocável quanto as de suas colegas de profissão em adaptações anteriores do livro para a TV. Palmas para ela!

    Guilherme

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  3. Apesar de eu não assistir a novela, sei muito bem que onde a Glorinha entra, faz bem o papel. Ela sempre é demais! abração, lindo dia! chica

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  4. A única atriz que faz protagonista e vilã com a mesma maestria. Completamente visceral na pele de Lola, é um presente e uma emoção ver a Glória em cena.

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  5. Lendo seu texto e chorando... Glória é magnífica!!! Que espetáculo de remake.

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  6. Disse tudo. Sou fã ha 27 anos e me orgulho muito dessa pessoa que atende pelo nome de Gloria Pires.

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  8. Glória Pires e uma atriz maravilhosa, fascinante, esplêndida!!
    Ficará par aa história!!
    Adorei o seu texto amigo!!
    Desejo um lindo restante de semana!!
    Beijos!!

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  9. Só vejo pedaços dessa novela e a Glorinha está incrível.
    Pode fazer uma gentileza, respondendo a minha PESQUISA DE PÚBLICO do blog?
    Obrigada!
    Big Beijos,
    Lulu on the sky

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  10. Olá Sérgio
    Que texto espetacular o seu!
    Aliás como todos.
    Infelizmente não assisti as versões anteriores, só li o livro, mas não tem como não se encantar com essa produção tão caprichada.
    Olha confesso que eu achei que fosse ser datada, quando assisti os primeiros capítulos vi que não poderia estar mais errada.
    Interpretações inspiradas e sensíveis.
    Fazendo uma correlação de atemporalidade, Lola já praticava a sororidade, palavra tão usada hoje em dia, em suas atitudes, em sua atuação com maestria com Clotilde, Genu e Durva.
    E a casa que ela tanto deseja (se pensar que ainda é o sonho de tantas pessoas ainda nos dias atuais) é também um personagem da história.
    Torço muito para que Lola e Afonso fiquem juntos.
    Crendiospai quase desidratei de chorar na cena da morte do Carlos!
    Glória em seu melhor momento, dramaticidade, sensibilidade e atitude na medida exata.
    Bjs Luli
    https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br

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  11. Amei o seu texto, falou tudo! A Glória Pires está demais, dando um show de interpretação.

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  12. Tá tendo uma atuação OK.Todo mundo sabe que este REMAKE é mais para acariciar o EGO GIGANTE do Silvio de Abreu.

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