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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Reencontro de Alika e Jendal escancara o grande erro de "A Nobreza do Amor"

 A Nobreza do Amor finalmente entregou, nesta semana, aquilo que poderia ter sido um dos grandes motores de sua narrativa desde o início. No capítulo 166, Jendal (Lázaro Ramos) chegou a Barro Preto e reencontrou Alika (Duda Santos), em uma sequência que era aguardada há meses pelo público. A cena funcionou muito bem. A direção de Gustavo Fernandes encontrou a tensão necessária para o momento, e Lázaro e Duda mostraram, mais uma vez, a força que têm quando dividem o mesmo espaço.

O problema é justamente esse: a novela demorou demais para proporcionar esse encontro. Escrita por Duca Rachid, Julio Fischer e Elísio Lopes Jr., a atual novela das seis está a cerca de um mês de seu fim e só agora colocou frente a frente sua mocinha e seu grande vilão depois de mantê-los separados desde a segunda semana da trama. É uma escolha difícil de compreender em um folhetim, gênero que depende justamente do confronto constante entre protagonistas e antagonistas.

Jendal deu um golpe de Estado em Batanga logo na primeira semana, obrigou Alika a se casar com ele e, na segunda semana, viu a princesa fugir para o Brasil. Desde então, os dois praticamente viveram em novelas diferentes.

O reencontro só aconteceu no capítulo 166. E a excelente sequência desta semana acabou funcionando também como uma demonstração involuntária do tamanho do erro cometido pelos autores.

Bastou Jendal e Alika estarem novamente frente a frente para A Nobreza do Amor ganhar uma temperatura que não apresentava havia meses. Havia tensão, história, ressentimento e expectativa naquele encontro. Tudo aquilo que deveria ter alimentado boa parte da novela ficou represado por uma escolha de estrutura que esvaziou os dois personagens.

Jendal, sem Alika para servir como contraponto direto, passou boa parte da trama em Batanga protagonizando situações que se repetiam. Um rebelde aparecia para afrontá-lo, mas a revolução nunca avançava de fato — também em razão de um problema que o público e a crítica especializada identificaram desde o começo: a falta de figuração para construir adequadamente os conflitos do reino. Paralelamente, o personagem se envolveu em sua busca por uma nova esposa e em conflitos com a filha, Kenia (Nikol Fernandes).

Kenia, aliás, acabou sendo uma tentativa dos autores de preencher o espaço deixado pela ausência de Alika. A personagem, inicialmente interesseira, passou por uma regeneração ao se apaixonar por Dumi (Licínio Januário), o guarda real que se rebelou contra o regime. Desde então, a trama de Kenia ganhou contornos cada vez mais dramáticos, com a jovem sendo submetida a uma sucessão de desgraças provocadas por Binta (Lesliana Pereira), a nova rainha que passou a comandar Batanga durante a ausência de Jendal. Chegou até mesmo a ser escravizada.

Enquanto isso, Alika permaneceu em Barro Preto. A princesa guerreira apresentada na primeira semana de novela foi sendo progressivamente descaracterizada. Em vez de participar de grandes conflitos relacionados à própria história e ao destino de Batanga, passou a trabalhar como modista e a enfrentar, repetidamente, o ciúme doentio de Virgínia (Theresa Fonseca) e a obsessão de Mirinho (Nicolas Prattes).

O contraste é enorme. Alika entrou na história como uma personagem de grande potência dramática, uma princesa capaz de lutar pelo próprio povo e enfrentar um homem que usurpou seu reino. Mas, ao longo da novela, essa força foi sendo diluída por tramas paralelas que pouco dialogavam com o conflito central.

É justamente por isso que o reencontro com Jendal foi tão poderoso. A sequência recuperou, em poucos minutos, uma energia que a novela vinha desperdiçando. Lázaro Ramos e Duda Santos estão brilhantes e provaram que existe uma dinâmica muito forte entre os dois personagens. O público finalmente pôde assistir ao embate que deveria ter sido um dos pilares da novela.

O equívoco não está, portanto, em Alika ter fugido para o Brasil. Pelo contrário. O problema está em ela ter permanecido tão longe de Jendal por tanto tempo.

Os autores poderiam ter mantido a princesa em Batanga durante um período bem maior antes de sua fuga. Isso permitiria explorar os embates entre os dois, mostrar Alika tentando recuperar o reino, colocar Jendal constantemente diante da ameaça de perder o poder e criar uma relação de antagonismo muito mais rica. Depois, a ida da princesa para o Brasil teria ainda mais peso dramático.

Ao separar os dois personagens tão cedo, a novela perdeu uma oportunidade preciosa de sustentar sua principal tensão narrativa. A cena do reencontro foi excelente. O problema é que ela também funcionou como prova do desperdício narrativo cometido pela novela.

Um folhetim não pode abrir mão durante tanto tempo do confronto entre sua mocinha e seu grande vilão. Quando finalmente coloca os dois frente a frente e a história imediatamente ganha tensão, energia e interesse, fica ainda mais evidente que esse embate deveria ter acontecido muito antes.

E as notícias sobre os próximos capítulos também não parecem especialmente animadoras nesse sentido. Ao que tudo indica, boa parte do heroísmo ficará concentrada em Tonho (Ronald Sotto), depois que for revelado que ele pertence à realeza de Batanga. A possibilidade de a mocinha guerreira terminar sendo salva pelo príncipe causa certo desconforto justamente porque Alika passou a novela inteira sendo apresentada como alguém que precisou fugir, sobreviver e lutar por conta própria.

É claro que ainda é preciso esperar a novela contar essa história antes de julgá-la definitivamente. Pode haver uma boa justificativa para os próximos acontecimentos, e Alika ainda pode recuperar o protagonismo que lhe foi tirado durante boa parte da trama.

Mas há um fato que já não pode ser ignorado: o reencontro de Jendal e Alika mostrou o quanto A Nobreza do Amor poderia ter sido mais atrativa se tivesse explorado essa relação desde muito antes.

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