segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Violência escolar destaca Regiane Alves e ganha abordagem responsável em "Por Você"

 Na semana passada, Por Você exibiu uma sequência que dialoga diretamente com um dos temas mais difíceis e urgentes da sociedade atual: a violência no ambiente escolar. Os autores Dino Cantelli e Juliana Peres vêm conduzindo a atual novela das sete da Globo com competência, construindo uma trama que consegue abordar diferentes questões sociais com responsabilidade e boa construção. A violência escolar foi mais um exemplo desse cuidado.


Tudo começou quando o inspetor Sabugo (Adanilo) encontrou uma garrafa de energético com cachaça dentro e descobriu que a bebida pertencia aos alunos Enzo (Guilherme Aguiar) e Bezão (Andrei Marques). A situação ganhou uma camada ainda mais delicada porque Sabugo é alcoólatra e precisou lidar com a tentação provocada pela bebida. Ao descobrirem que o inspetor havia contado o ocorrido ao professor e diretor Lucas (Amaury Lorenzo), os dois estudantes decidiram se vingar ameaçando Tomtom (Laura Schuff), filha de Sabugo e também aluna da escola.

A intimidação foi presenciada pela professora Margô (Regiane Alves), que decidiu confrontar os dois em sala de aula.

O que se seguiu foi uma escalada de desrespeito que culminou na agressão física: Enzo enfrentou a professora e acabou dando um esbarrão que a derrubou no chão. Suellen (Bia Santana) imediatamente saiu em defesa de Margô, que também fez questão de ressaltar que ele jamais poderia agredir uma mulher.

Embora a fala da professora destaque a violência contra a mulher, a sequência é mais complexa do que isso. O que se viu foi um verdadeiro conjunto de violências: contra uma professora, contra uma mulher, contra a autoridade em sala de aula e contra o próprio ambiente escolar. A novela teve o mérito de não transformar o episódio em uma agressão isolada, mas de mostrar como diferentes conflitos foram se acumulando até chegar ao ápice.

A construção da sequência foi especialmente feliz nesse sentido. O roteiro preparou gradualmente o terreno para a agressão, permitindo que o espectador acompanhasse a escalada do conflito antes de chegar ao momento mais grave. Regiane Alves também ganhou uma oportunidade importante de mostrar sua força dramática em uma personagem que, até então, vinha tendo uma participação mais discreta na história. Margô reage, se posiciona e deixa clara a gravidade do que aconteceu. A cena foi ótima e também destacou Guilherme e Andrei, duas boas revelações, além de Bia Santana.

A situação ainda rendeu uma discussão em sala de aula conduzida por Lucas sobre a violência contra as mulheres. A novela trouxe a informação de que uma mulher é morta a cada seis horas no Brasil pelo simples fato de ser mulher, dado que reforça a dimensão do problema e ajuda a contextualizar o debate apresentado pela trama.

A inclusão desse assunto se torna ainda mais importante diante da circulação de informações falsas ou distorcidas sobre violência de gênero. Meses atrás, o ator global Juliano Cazarré afirmou, durante participação na GloboNews, que mulheres matariam mais homens do que homens matariam mulheres. A afirmação foi apresentada como um dado, mas contrasta com as estatísticas oficiais sobre mortes de mulheres por razões de gênero. O episódio não ter sido devidamente confrontado naquele momento torna ainda mais relevante que uma novela de grande alcance coloque o tema em discussão e apresente informações baseadas na realidade.

Outro momento de destaque foi o depoimento de Sabugo sobre sua experiência traumática com o álcool. Ao colocar o personagem para falar de uma questão tão pessoal enquanto também lidava com o comportamento dos alunos, a novela conseguiu ampliar a discussão e evitar que o episódio ficasse restrito à punição de Enzo e Bezão, que acabaram suspensos. E Regiane ainda emocionou na cena em que Margô contou ao Lucas que sente medo de entrar em sala de aula porque parece que sempre está incomodando os alunos.

O grande mérito da abordagem está justamente em mostrar que a violência escolar não surge do nada. Ela pode envolver intimidação, ameaças, falta de limites, violência contra professores e alunos e também problemas pessoais que acabam chegando ao ambiente escolar. Ao acompanhar essa cadeia de acontecimentos, Por Você consegue transformar um conflito de novela em uma discussão que encontra eco na realidade de muitos profissionais da educação.

Resta torcer para que a trama não encerre a discussão por aqui. O assunto merece continuidade e novas camadas, principalmente porque professores enfrentam diariamente situações de desrespeito e violência dentro das salas de aula. Quanto mais a novela conseguir explorar essas questões sem transformar o problema em mero recurso dramático, mais relevante será sua contribuição.

Regiane Alves merece mais cenas desse porte, e o público também. Mais do que isso, a própria sociedade ganha quando o entretenimento consegue abrir espaço para discussões importantes e transformar uma história de ficção em oportunidade para refletir sobre problemas que fazem parte da vida real.

2 comentários:

  1. Bom dia, Sérgio
    A escola deveria ser um ambiente de aprendizagem e nos dias atuais tem sido um espaço terrível de violência. Um forte abraço.

    ResponderExcluir
  2. Uma realidade muito triste. Uma ótima semana.
    https://cidocemulher.blogspot.com/

    ResponderExcluir