terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Participação de Crô funcionou bem em "Três Graças"

 A participação de Crô em "Três Graças" chegou ao fim nesta segunda-feira (02/02) e se destacou pela maneira cuidadosa com que o personagem foi reapresentado ao público. Ao trazer uma figura tão conhecida de "Fina Estampa" para sua nova novela, Aguinaldo Silva optou por uma abordagem contida e funcional, sem recorrer ao excesso ou à simples repetição de fórmulas que já deram certo no passado. Crô surgiu inserido na narrativa de forma natural, respeitou o novo contexto da trama e dialogou com os personagens e conflitos que movem "Três Graças".


Marcelo Serrado demonstrou familiaridade absoluta com o papel. O ator manteve os elementos que definem Crô, vide o humor peculiar, a ironia fina e o jeito expansivo, mas soube moldá-lo ao novo contexto. Essa escolha tornou o personagem reconhecível, mas também coerente com a história em que esteve inserido. Não houve a sensação de um personagem “importado” apenas para chamar atenção; houve, sim, a impressão de alguém que fez sentido dentro daquele universo.

Do ponto de vista narrativo, Crô cumpriu uma função clara. Sua presença, ainda que breve, ajudou a movimentar a trama, criou situações específicas e provocou reações nos demais personagens, contribuindo para o desenvolvimento dos acontecimentos.

Ele atuou como um elemento de transição e dinamização, o que colaborou para o ritmo da novela e ofereceu momentos de leveza sem quebrar a unidade do enredo. 

O objetivo do personagem foi chocar o homofóbico Ferette (Murilo Benício), ridicularizar o oportunismo de Lucélia (Daphne Bozaski) e abrir a tampa da desconfiança em cima da verdadeira identidade de Raul (Paulo Mendes), o filho de Arminda (Grrazi Massafera). O ex-mordomo e atual ricaço deixou subentendido que a vilã comprou o herdeiro, o que explica a sua relação de desprezo pelo rapaz e ainda interliga a situação ao 'trabalho' de Samira (Fernanda Vasconcellos), que trafica crianças em um esquema criminoso e perigoso. 

O texto de Aguinaldo Silva acertou ao não superdimensionar essa participação. Crô entrou em cena, cumpriu seu papel e se retirou no momento adequado, deixando uma contribuição perceptível, mas sem desequilibrar a narrativa. Esse equilíbrio é fundamental para que a participação funcione mais como um recurso dramático do que como um artifício apelativo. Ainda houve uma deliciosa interação do personagem com Josefa (Arlete Salles) e Gerluce (Sophie Charlotte), com direito a uma observação bem específica sobre o decote da mocinha.

No conjunto, a presença de Crô em "Três Graças" foi bem resolvida. Não se tratou de um retorno grandioso ou transformador, mas de uma participação pensada com critério, que respeitou o personagem, valorizou o trabalho do ator e acrescentou movimento e nuances à novela. É um exemplo de como revisitar figuras marcantes da teledramaturgia pode ser eficaz quando há propósito e medida.

8 comentários:

  1. Você viu como a novela subiu? Publiquei faz um tempo nesse blog num comentário apagado que quando Aguinaldo largasse a tremosia e voltasse, mas seria sua trama para valer, a coisa melhoraria. A polícia sendo polícia e não estudantes de Romeu e bandido sendo bandido, agora quero ver se Ferette começa a matar personagens queridos de vez e não off-screen. Sim, o esquema de tráfico da Samira (ela também é tua filha, Aguinaldo, deixa que se roube a novela, poxa!) e Ferette é finalmente mostrado em detalhe com as outras vítimas. E que a Lígia ganhe trama (mas, bom, a estas alturas eu nem sei se vale a pena), é porque até Xenica acordou e a Consuelo tem função e chegou ontem. O que me dói é que a novela está quase acabando e os autores devem ir pelo final e não deu tempo para eles conferirem mais. Acho que nem Deus Pai salva Paulinho e Gerluce, o autor ficou com medo de que Gerluce ficasse muito chata como uma mentirosa que apagou a paixão do casal de vez, e Paulinho pagou o pato. Embora vamos combinar que o tiroteio precisou de uma melhor coreografia e espero muito mais de Aguinaldo, ex-reporter policial que ficou oxidado. Cro estava maravilhoso. Que venha o roubo da Quarta Graça para ontem, Deus. Não queremos mármore, queremos dramas de família, poxa.

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    1. Mas, bom, a estas alturas eu nem sei se vale a pena" kkk, você mesmo se respondeu à afirmação. A Dira virou a Taís Araújo da trama, palpites teve de que trabalharia na casa de Herculano, mas faltando um mês para o final da novela, para quê? Aguinaldo escreve uma trama para Twitter, largou o lado dramaturgo faz tempo. O autor de Senhora do Destino jamais apagaria suas protagonistas desse jeito e ficaria numa barriga proporcional à da Joelly (que tem o plot mais interessante na própria). E tem de repórter da polícia o que eu tenho de bombeiro (o brinco foi o cúmulo). Tudo isso aqui foi como a volta de Rogério, o maior ato de demagogia da novela, se nota que é a pior década das novelas porque outra década não entraria nem no top 30 das melhores. Walcyr, salve a gente.

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  2. É impressionante como um autor de direita está fazendo tanto pela comunidade LGBTQ+. Bem, apesar de tudo Aguinaldo também é do Vale, mesmo sendo admirador de Bolsonaro e Nikolas. Ele e Gloria são casos de estudo, kkk.

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  3. O que eu gostaria nessa novela é a presença de música clássica; imagine só, músicas incidentais como a trilha sonora de O Lago dos Cisnes, o Dies Irae de Verdi, a Sinfonia de Inverno de Verdi, Lacrimosa, a Valquíria de Wagner ou a canção "Aloud to God Belzhabar feat" e coisas como Sophie e Alana cantando juntas. Precisou para ontem.

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  4. Confesso que estou começando a achar a novela esquisita, cada dia fico mais desapontado, de repente, mais concretamente, o roubo tudo fica de cabeça. O conceito de mães só foi abandonado por ser quase marmitas de machos escrotos. Gerluce e Paulinho parecem ter um relacionamento de 25 anos de rotina, Rogério chegou e parece que não chegou. Cro fazendo aparição quase anunciando o jeitão circo, Paulinho chamando a namorada numa operação, awkward. No princípio da novela, Arminda estava muito forçada e outras tantas coisas, e Zenilda era uma trouxa e o melhor eram as Três Marias das Graças (Gerluce tinha que entregar o affair de Ferete a Zenilda), de repente tudo mudou como se os autores fossem incapazes de segurar a consistência de todos os personagens na vez, tiveram que soltar um para segurar outros. Ninja, mais herói que Paulinho, Samira tem 5s de tela. Barbara Reis e Leandro Lima ainda figurantes com locação. Até a casa de Arminda e Josefa, fico repetitiva. Lígia será a nova mulher de Edir Macedo. Por que três católicas não têm padre de guia espiritual? A Globo quer me convencer de que o pastor médio não quer converter católicos a seu culto, descervicio. Bom, pelo menos Cro não foi alvo de homofobia e amém.
    Daniel

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  5. Eu amei a participação do Crô na novela, rendeu cenas maravilhosas!
    Ainda bem que ele tem uma personalidade forte e não cedeu nem um pouquinho, mantendo-se intacto em seu personagem!
    Adorei a narrativa Sérgio!!
    Aproveito para desejar um ótimo final de semana! :)))))))

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  6. Nada como um autor tarimbado para fazer intervenções dentro da própria obra. E o ator também soube atuar de forma persuasiva.

    Beijão e bom fim de semana

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