sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Rosi Campos se destacou merecidamente em "Êta Mundo Bom!"

Uma das qualidades de Walcyr Carrasco é a valorização dos atores experientes. Eles são destacados em todas as suas novelas e o autor sempre faz questão de presenteá-los com bons papéis. Tanto que os casais de 'veteranos' costumam ter uma boa importância nas suas histórias, protagonizando cenas sensíveis e bem escritas. Baseado no histórico mencionado, a escalação de Rosi Campos para "Êta Mundo Bom!" foi uma ótima notícia. E, assim que o folhetim estreou, ficou perceptível que a intérprete seria valorizada como merecia.


A atriz ganhou a carismática Eponina ---- que havia sido escrita para a também talentosa Jandira Martini (que não pôde aceitar em virtude de compromissos com o teatro) ----, praticamente uma Cinderela que passou da idade de viver o primeiro amor e encontrar seu príncipe. Ingênua, atrapalhada e com um forte sotaque caipira, a personagem é uma das principais do ótimo núcleo da fazenda e um dos grandes destaques da novela. Considerada um estorvo na família, a irmã de Quinzinho (Arty Fontoura) não tem uma relação amistosa com a cunhada Cunegundes (Elizabeth Savalla), mas foi praticamente a mãe postiça de Candinho (Sérgio Guizé) e Mafalda (Camila Queiroz), tendo ainda um imenso carinho por Filó (Débora Nascimento) e Quincas (Miguel Rômulo).

A virginal senhora ainda é apaixonada pelas rádio-novelas e tem uma autoestima bastante elevada, pois sempre achava que os homens que iam à fazenda estavam interessados em seu decote e suas 'ancas'. Rosi Campos sempre foi uma ótima comediante e incorporou uma caipira pura brilhantemente, se adaptando ao texto do autor, com quem trabalhava pela primeira vez.
A Eponina é cativante e a atriz foi um dos trunfos da trama das seis. Sua química com os colegas era maravilhosa e todas as cenas protagonizadas ao lado de Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Flávio Migliaccio, Mauro Mendonça, Marco Nanini, Miguel Rômulo, Anderson Di Rizzi, Jeniffer Nascimento e Dhu Moraes eram ótimas e muito divertidas.

A personagem cresceu ainda mais quando formou uma dupla dinâmica com Mafalda. A tia e a sobrinha passaram a nutrir uma curiosidade avassaladora sobre o 'cegonho' e todos os diálogos das caipiras proporcionaram momentos impagáveis. A sintonia entre Rosi e Camila era impressionante e Walcyr soube aproveitar isso com competência, sempre escrevendo e criando situações cômicas para as duas. A trama de Eponina sofreu uma virada com a chegada de Pandolfo (Marco Nanini), o irmão gêmeo de Pancrácio, por quem sempre foi apaixonada. Após sofrer uma forte decepção ao constatar que seu amor estava interessado em Anastácia (Eliane Giardini), a caipira encontrou uma luz no fim do túnel quando se deparou com um homem idêntico ao professor de filosofia.

O início do romance dos dois primou pela pureza, parecendo um namoro infanto-juvenil. Porém, não demorou para a relação mergulhar por completo na comicidade, principalmente quando o assunto 'cegonho' voltou a entrar em pauta. Afinal, assim que o casamento foi marcado, o medo da personagem aumentou. E as situações ficaram ainda mais engraçadas depois do casório, pois Pandolfo não se interessou em 'estreitar' a intimidade do casal, deixando Eponina desesperada e cada dia mais impaciente. A 'saga' atrás do 'cegonho' escondido foi divertidíssima ---- tendo gemada, ovo de codorna e promessas para o Santo Expedido como componentes principais ----, proporcionando hilários momentos para a atriz, que soube aproveitá-los expondo o seu conhecido talento.

Entretanto, apesar de interpretar um perfil essencialmente cômico, é importante ressaltar que Rosi também viveu algumas situações dramáticas na novela, como a linda cena do primeiro capítulo, por exemplo, quando Eponina dá para Candinho o medalhão de sua mãe e o incentiva a procurá-la. Foi uma sequência emocionante, assim como o instante que a caipira percebe que Pancrácio não ficará com ela. É muito gratificante poder assistir a tantas cenas boas protagonizadas pela atriz, que estava merecendo um papel como esse há tempos.

Isso porque Rosi Campos estava fazendo figuração de luxo há praticamente seis anos, levando em consideração o ano de exibição do folhetim: 2016. Após o imenso sucesso da Edilásia Sardinha (a Mamuska) em "Da Cor do Pecado" (2004), a intérprete foi uma coadjuvante sem importância em "América" (2005), mas ganhou uma ótima personagem um ano depois, no remake de "O Profeta" (2006), quando viveu a vidente charlatã Madame Rúbia. Já em "A Favorita" (2008) era apenas uma figurante, interpretando a jornalista Tereza, amiga de Zé Bob (Carmo Dalla Vechia). Em "Cama de Gato" (2009), ela teve mais sorte e viveu a engraçada Genoveva, dona de uma pensão, ganhando um destaque interessante. Porém, depois da sequência de três ótimos perfis e dois péssimos, não havia mais recebido um bom papel sequer desde então.

A atriz foi uma mera figurante sem história em "Insensato Coração" (2011), "Salve Jorge" (2012), "Joia Rara" (2013) e "Babilônia" (2015). Coincidentemente, foram quatro novelas fracas e muito mal desenvolvidas. A respeitada profissional que fez sua carreira no teatro e na televisão parecia esquecida pelos autores, que não a valorizavam como merecia. Até que, finalmente, veio a Eponina de "Êta Mundo Bom!", encerrando esse ciclo que aparentava ser eterno. Walcyr Carrasco foi uma espécie de 'salvador', colocando a intérprete no lugar de onde ela nunca deveria ter saído: o de destaque. Vale lembrar que após esse bem-sucedido trabalho, a atriz ganhou um bom papel na irregular "O Tempo Não Para" (2018) e voltou a trabalhar com Walcyr em "A Dona do Pedaço" (2019).

Rosi Campos é um dos pontos fortes da reprise, que vem repetindo o mesmo sucesso de 2016 no "Vale a Pena Ver de Novo", e a caipira tem sido a responsável por alguns dos momentos mais engraçados da novela, que prima pelo humor pueril. A atriz merecia uma personagem como essa há muito tempo e a querida Eponina veio em boa hora.

17 comentários:

  1. Essa atriz é fantástica!!!

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  2. concordo, tb gostei q nessa novela as mulheres são empreendedoras. a dona do dancing, a dona da pensão, a dona da fábrica de sabonetes, a dona da boutique. amo a eponina. daquelas tias q todo mundo quer ter. ela q cuidou do candinho, da mafalda. e que atriz. beijos, pedrita

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  3. Os dois melhores núcleos familiares do milênio nas novelas- família do Tufão em Avenida Brasil e essa também inesquecível casa de Cunegundes.

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  4. Olá, tudo bem? Para mim, a Rosi Campos sempre será a Morgana do Castelo Rá-Tim-Bum kkk Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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  5. A Eponina era hilária com a Mafalda e o Cegonhooooooo

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  6. Essa novela foi um encanto e tenho ótimas lembranças dela. Suas considerações são sempre muito bem feitas. Abraço.

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  7. essa novela deixará saudades, boa atuação da rosi.

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  8. Tbm gosto muito da Rosi Campos, ela é uma atriz muito talentosa e sua Eponina realmente foi uma ótima personagem, muito divertida e carismática, as cenas dela com a Camila Queiroz e Elizabeth Savalla são muito boas!A minha personagem preferida dela foi a Edilásia Sardinha, a famosa Mamuscka!

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  9. Sim, Eduardo, estamos com uma programação repleta de reprises. Nada mais normal do que isso. A não ser que vc me sugira que escreva sobre o governo Bolsonaro.

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