quinta-feira, 30 de julho de 2026

"A Nobreza do Amor" ultrapassa os 100 capítulos sem fazer a história andar

 A atual novela das seis, "A Nobreza do Amor", escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., merece todos os elogios pelo elenco talentoso escalado, pela ótima construção dos personagens e pelo figurino de encher os olhos. No quesito desenvolvimento da história, porém, a trama vem deixando muito a desejar.


A novela chegou ao centésimo capítulo na semana passada e pouca coisa de realmente relevante aconteceu até agora. Tudo anda em círculos, e os poucos conflitos apresentados estão presos a repetições. Afinal, o que de importante aconteceu na história até o momento? Se você precisou parar para pensar, é porque quase nada.

O único acontecimento realmente marcante ocorreu no início da trama, quando Alika (Duda Santos) e sua mãe, a rainha Niara (Erika Januza), fugiram de Batanga após o golpe de Estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos) e se instalaram no Brasil.

Foi aqui que a protagonista conheceu Tonho (Ronald Sotto), seu grande amor, e os dois se apaixonaram.

De resto, a história pouco avançou. Até mesmo Omar (Rodrigo Simas), que ajudou Alika na fuga, acabou baleado e entrou em coma. Depois, acordou e conseguiu escapar em uma sequência pouco convincente. Desde então, desapareceu da novela e só voltou a aparecer no capítulo desta terça-feira (28), em uma rápida cena dentro de uma embarcação. Alika chegou ao Brasil rapidamente, mas Omar foi pra Istambul, onde sumiu lá. E o mais curioso é que está previsto que ele se envolva com Salma (Rayssa Bratillieri), outra personagem que vive presa às mesmas situações desde o início da novela.

Salma sofre por causa do casamento arranjado pelos pais libaneses e já passou de cem capítulos sendo cortejada por Fuad (João Fernandes), sempre desconfortável com a situação. A trama simplesmente não evolui.

No núcleo principal, os vilões também são reféns de conflitos repetitivos. Virgínia (Theresa Fonseca) vive criando novas armações para prejudicar Alika, que agora usa o nome de Lúcia, porque acredita que a mocinha esteja interessada em Mirinho (Nicolas Prattes), seu noivo. Esse noivado também parece interminável, enquanto Mirinho continua obcecado por Lúcia e já tentou matar Tonho duas vezes: primeiro, provocando um acidente na estrada; depois, trocando a medicação do rapaz durante sua internação, após ele levar um tiro de uma cangaceira que enfrentava Lúcia.

O mais curioso é que apenas Casemiro (Cássio Gabus Mendes) descobriu essa segunda tentativa de assassinato e preferiu guardar segredo. A pergunta que fica é: haverá uma terceira tentativa? São situações que cansam, e o telespectador pode tranquilamente passar duas semanas sem assistir à novela e perceber que praticamente nada mudou.

O núcleo de Batanga também sofre com a falta de renovação. Jendal está sempre brigando com a filha, Kênia (Nikolly Fernandes), e procurando uma nova esposa. No fim, acaba traído ou investigado por alguém e resolve o problema eliminando ou descartando a pessoa. Já a resistência ao governo do ditador resume-se a um pequeno grupo liderado por Dumi (Licínio Januário), ex-guarda real, que também permanece preso a conflitos repetitivos e sem grandes avanços.

Também chama a atenção a quantidade de núcleos que ainda não justificaram sua existência. É o caso do prefeito Bartolomeu (Fábio Lago), de Dona Menina — até agora um desperdício do enorme talento de Zezé Motta — e da pensão de Dona Geralda (Carol Brada), que segue sem apresentar uma função relevante na narrativa.

"A Nobreza do Amor" continua sendo uma novela agradável de assistir. Os diálogos são bem escritos e o elenco entrega ótimas atuações. No entanto, o ritmo da história tem feito por merecer críticas. A obra terá 193 capítulos, e esse é um desafio para qualquer autor. Manter uma novela tão longa com um ritmo consistente não é tarefa simples, mas isso não pode servir de justificativa para uma trama que, passados mais de cem capítulos, ainda caminha em círculos.

Um comentário:

  1. Eu não sabia que essa trama renderia 193 capítulos e confesso que fiquei surpreso lendo essa informação no seu texto. Como é que essa história vai render tantos capítulos se já anda em círculos depois de ultrapassar o centésimo capítulo? A maior catarse do roteiro é a suposta vinda de Jendal ao Brasil. O embate do vilão com Alika é o grande trunfo da história e promete. Mas talvez ele mande buscar Alika e isso pode esvaziar o impacto dessa grande virada. Tomara que não seja dessa maneira, mas isso descobriremos quando acontecer de fato. Só que enquanto isso não acontece, a trama só enche linguiça. Esses autores tiveram pressa em Amor Perfeito. Já agora quando pareciam encontrar um equilíbrio acabam enrolando demais e repetindo os acontecimentos da mesma forma. É nítido que esses autores não tem habilidade de contar uma história com um ritmo adequado e assim promovendo viradas no roteiro. Ou eles apressam ou então enrolam demais.

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