sexta-feira, 16 de agosto de 2019

"O Cravo e a Rosa" repetiu o sucesso no Canal Viva

O Canal Viva começou a reprisar "O Cravo e a Rosa" no dia 25 de março. Desde então, a novela, que marcou a estreia de Walcyr Carrasco na Globo, em 26 de junho de 2000, vem fazendo um imenso sucesso. Registra, inclusive, segundo dados oficiais, a maior audiência da história do canal a cabo, que surgiu em 2010. Nem mesmo as reexibições de "Vale Tudo" e Tieta", até então recordistas na média geral da emissora, conseguiram um feito igual. Isso apenas comprova a força que o autor tem com o público.


E o folhetim é realmente irresistível. Não por acaso está na lista das melhores tramas do Walcyr. A história era baseada na peça "A Megera Domada", de William Shakespeare, e com algumas referências das novelas "A Indomável", de Ivani Ribeiro, e "O Machão", de Sérgio Jockman. Dirigida pelo saudoso Walter Avancini, a trama era uma comédia romântica da melhor qualidade e ambientada em São Paulo, no ano de 1920. Portanto, de época, que sempre foi uma especialidade do autor.

A novela exibiu o tumultuado romance entre Petruchio, um caipira rude e dono de uma fazenda produtora de queijo, e Catarina, filha de um poderoso banqueiro (Nicanor Batista - Luis Melo), que tinha ideias feministas e era extremamente geniosa ----- colocava todos seus pretendentes para correr.

O casal foi brilhantemente interpretado por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis, que honraram o posto de protagonistas com louvor. O par, inclusive, pode ser considerado um dos melhores da ficção.


A relação, permeada com muitas brigas, tapas e beijos, conquistou o público e os atores esbanjaram química. Enquanto Catarina chamava Petruchio de grosseirão, ele a apelidava de 'Meu Favo de mel'. O romance, repleto de idas e vindas, não cansava o telespectador e sempre rendia ótimas cenas. Mas além desta divertida e atrativa trama, a novela apresentava vários outros núcleos e personagens interessantes que caíram no gosto popular.


No núcleo da mocinha, por exemplo, o banqueiro Nicanor tinha uma família escondida. Sua amante, Joana (Tássia Camargo), morava em um local humilde, bem diferente do casarão habitado pelo pai de Catarina e Bianca (Leandra Leal). A irmã da protagonista, por sua vez, tinha um romance com o mimado Heitor (Rodrigo Faro), mas se encantou pelo professor Edmundo (Angelo Antônio), vivendo com ele um romance digno dos contos de fadas bem açucarados.


Já na fazenda de Petruchio havia o hilário Calixto (Pedro Paulo Rangel), seu fiel escudeiro, que se apaixonou pela governanta de Nicanor, a virginal Dona Mimosa (Suely Franco). A dificuldade que o casal teve para ter seu primeiro beijo foi uma diversão à parte. A relação, aliás, despertou o ciúme de Neca (Ana Lucia Torre), cozinheira da fazenda que nutria um amor platônico pelo empregado do patrão. No mesmo núcleo, ainda havia a víbora Lindinha (Vanessa Gerbelli em sua estreia na televisão), que amava Petruchio e esnobava o caipira Januário (Taumaturgo Ferreira).


Outra história que fez um grande sucesso foi a de Cornélio (Ney Latorraca). Um ricaço que era perdidamente apaixonado por sua esposa Dinorá (Maria Padilha), que humilhava constantemente o marido e o traía com Celso (Murilo Rosa). O coitado ainda tinha que aguentar Dona Josefa, a sogra insuportável interpretada pela grandiosa Eva Todor (seu último bom papel em novelas). O esperado momento do personagem descobrindo a traição da esposa provocou uma grande virada na novela.


O folhetim também ganhou um novo fôlego com a entrada de dois excelentes personagens: a diabólica Marcela (Drica Moraes) e seu pai, Joaquim (Carlos Vereza). A vilã foi interpretada brilhantemente por Drica e infernizou o romance de Catarina e Petruchio, além de ter conseguido se casar com Nicanor, desgraçando a vida de Bianca ---- situação inspirada nas madrastas dos filmes da Disney. Já o ricaço tinha um coração bom e acabou mudando a vida de Januário ao descobrir que ele era seu filho, o transformando em um milionário, para o desespero de Marcela e cobiça de Lindinha.


Vale destacar ainda a divertida presença de duas feministas fanáticas vividas por Carla Daniel (Lourdes) e Virgínia Cavendish (Bárbara), que acabaram se envolvendo com o mesmo homem, um sujeito que se passava por mudinho (Fábio - Carlos Evelyn). Miriam Freeland (Candoca), Lucia Alves (Hildegard), João Vitti (Serafim) e Bia Nunnes (Dalva) eram outros bons nomes deste elenco tão primoroso.


"O Cravo e a Rosa" foi o primeiro grande êxito de Walcyr Carrasco na Globo ----- marcando a estreia do autor na emissora da melhor forma possível ----- e a novela deixou sua marca na teledramaturgia. Está na lista dos melhores folhetins das 18h. Foi reexibida duas vezes no "Vale A Pena Ver de Novo", na Globo (em 2003 e em 2013). A boa audiência da reprise no Viva, portanto, não chega a surpreender. Um sucesso inesquecível.

30 comentários:

FABIOTV disse...

Olá, tudo bem? Essa novela é uma das principais da carreira do Walcyr Carrasco. Sucessão. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

BIA disse...

Oi, Sérgio!

Que legal que esta novela vai reprisar! 📺 Foi bem engraçada!
Você escreve muito bem! Prazer em vê-lo! Bom fim de semana! :)
Bjs

Matheus Nogueira disse...

Sérgio,seria interessante o Walcyr esrever uma novela contemporânea no horário das 18H?abraços,cara

Anônimo disse...

EU AMEI ESSA NOVELA E TO REVENDO NO VIVA.

Eric disse...

Desculpa, mas não repetiu o êxito no Ibope na segunda reprise no Vale a Pena Ver de Novo não. Marcou 13.84, índicie abaixo do esperado até mesmo hoje.

Unknown disse...

Adoro as novelas de época do walcy carrasco na faixa da 6 tomara que ele volte a escrever para o horário.Eu adoro o cravo e a rosa
Porque será que o Ney Latorraca não faz mais personagens fixos nas novelas desde 2008 quando fez negócio da China so fez duas participações uma em meu pedacinho de chão e outra em Novo mundo,adoro o Ney espeto que volte as novelas

Anônimo disse...

Sérgio, ótimo texto (como sempre), O Cravo e a Rosa é realmente inesquecível, mas outra coisa me chamou atenção. Vendo essas novelas antigas, percebi como tem atores tão bons que simplesmente foram esquecidos. No twitter, você sempre comenta que certo ator ou atriz podia ser mais aproveitado. Aí eu penso, sim, a Globo repete elenco demais, deveria variar um pouco. Mas a culpa disso é principalmente desse monopólio de apenas uma emissora. A Globo é muito boa no que faz, isso é inegável, mas a hegemonia dela deve-se mais a falta de mérito das outras emissoras do que mérito próprio. Cidade Alerta e Balanço Geral ja é quase rotina ter mais audiência que a Globo. Os Dez Mandamentos (que na minha opinião nem era tão boa assim) bateu a Globo em pleno horário nobre. Hoje em dia acho que não mais, mas tinha uma época que o SBT liderava a madrugada inteira quase todo dia. Por quê? Porque o SBT investia no horário e a Globo só ficava passando filme, criaram o Hora Um exatamente por causa disso e o SBT ao invés de continuar investindo no jornalismo ou criar outro programa faz o quê? Acaba com o SBT Notícias, demite as ótimas Joyce Ribeiro e Patrícia Rocha, coloca um adolescente pra apresentar um jornal e estica mais ainda o já interminável Primeiro Impacto. Não dá! A programação da Band parece piada, o meu jornal favorito da manhã é o Café com Jornal, acho dinâmico, leve, bom pro horário, mas depois até o Brasil Urgente não tem nada de interessante. Eu não tô falando nem de qualidade (não gosto do Brasil Urgente, acho programas policiais horríveis) tô falando de algo que tenha repercussão. Parece que as outras emissoras nem se esforçam pra ter audiência. A Globo não é tão imbatível assim. Se as outras emissoras se esforçassem conseguiriam chegar perto ou passar. Se não tem dinheiro pra investir numa novela séria, se inspira nas TVs americana e britânica, investe em séries. Tenta criar esse mercado no Brasil, seria bem interessante. Tô falando tudo isso não porque eu não goste da Globo, mas porque o mercado de atores no Brasil é muito limitado. Tem tantos atores e atrizes talentosos que já ganharam até prêmios importantes, mas quase ninguém conhece. Brasileiro não gosta de teatro e tem preconceito com filme nacional, é uma realidade, a única maneira de expandir o mercado de atores seria se as outras emissoras investissem mais em dramaturgia. Enfim, é realmente uma pena que não o façam. E eu tenho certeza que se tivesse investimento de verdade, o dinheiro voltaria. O povo quer outras opções de entretenimento. Todo mundo ganharia com isso, nós telespectadores que iríamos ter mais opções, os donos das outras emissoras que iriam ter mais audiência (e consequentemente mais dinheiro) e os atores, produtores e diretores brasileiros que não iriam ficar tão limitados.

izabel disse...

Quando a Globo ainda sabia fazer novelas de verdade... pois queria qualidade e não somente quantidade de audiência.

Gostava mais do Walcyr carrasco escrevendo novelas assim.

Ótima escolha para o canal viva. A novela além de divertida tem ótimos atores, todos realmente MUITO bem em seus papéis, no tom certo de cada personagem. A única que me irrita profundamente é a Bianca, vivida pela Leandra Leal que a só sabe suspirar a novela inteira, confundindo isso com atuação.

Maravilhosa obra da dramaturgia da TV brasileira! Tramas legais, clima leve, situações burlescas, diálogos simples e aquela linguagem de interior me conquistou. Sempre terminava os capítulos com um sorriso no rosto. Foi ótima, enredo marcante, envolvente e ao mesmo tempo divertido. Novelas de épocas são as melhores!

Unknown disse...

Sérgio o que vc acha da novela Porto dos Milagres que também está reprisado no viva?
Nesta novela temos grandes atores, mas a ausência de Fúlvio Stefanini nas novelas atualmente é algo inexplicável um dos maiores atores do Brasil sendo desperdiçado.

Matheus. disse...

Esse clássico do Shakespeare:'A Megera Domada'também inspirou o filme "10 coisas que eu odeio em você". Você já assistiu a esse filme? Eu adorei essa novela e infelizmente não pude acompanhar no Viva. Mas é bom saber que continua sendo um sucesso. Adorei o texto.

Unknown disse...

Continue escrevendo sobre as novelas do viva(quando tiver uma oportunidade), esses textos são muito bons

Adriana Helena disse...

Que maravilha Sérgio, que texto encantador!!
Adriana Esteves e Eduardo Moscovis realmente formam o melhor casal da ficção!!!
Lindos, bravos e bem-humorados!!
Dá muita saudade desta incrível novela!!!
Tenha uma semana maravilhosa amigo!!
Abração!! :)))

Outsiders disse...

De fato, é uma das melhores tramas do Walcyr. Ainda que um folhetim de época, mostra-se tão atual e contemporânea no trato da temática do sexíssimo, o casamento por interesse, a virgindade e até mesmo no que tange ao racismo, com a personagem de Déo Garcês. É aquela velha questão do "museu grandes novidades"...

Em tempo, Adriana Esteves,a feminista feroz, Catarina, e Eduardo Moscovis, com o macho alfa Julião Petruchio, protagonizaram verdadeira e belissimamente o velho embate em que "o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada". O título sugestivo casou perfeitamente com o jogo de idas e vindas e de aparências estabelecido pelo autor.

Somado ao casal principal, temos um elenco estelar. Leandra Leal nunca esteve tão serena e pueril. Suely Franco exalava a pureza de uma mulher casta depois dos quarenta e Luís Mello encarnou o ricaço bonachão, atrapalhado com uma vida dupla, de forma verossímil e hilária.

Destaque para a ótima interpretação de Tássia Camargo, com a humilde Joana. Drica Moraes e a vilã Marcela, Bia Nunes, e, é claro o núcleo de Maria Padilha, Eva Todor e Ney Latorraca, em excelente momento de suas carreiras.

Quem toca em abelha, cascavel e formigueiro, acredite se quiser, que medo pode ter do coração de uma mulher. Sim, o Cravo e a Rosa te conquista.

Quando a Globo ainda sabia fazer novelas...

Anônimo disse...

A safra desse mel em forma de novela chamado "O Cravo E A Rosa" (2000) nunca parece datada mesmo após quase duas décadas de sua primeira exibição na TV. Brincadeiras à parte, o esmero encontrado no conjunto de fatores que contribuíram para o sucesso do folhetim torna a obra inesquecível.

Guilherme

Anônimo disse...

Eu prefiro as novelas das seis do Walcyr do que as das nove, acho que ele combina mais com o horário. Chocolate com Pimenta é minha novela preferida de todos os tempos, até hoje eu amo. Aninha e Danilo ❤ Saudades. Adorei o comentário do anônimo falando que as outras emissoras deviam investir mais em entretenimento. Concordo. Gostaria de ver o Brasil investindo mais em séries, a gente até tem séries boas de drama, mas tem muito tempo que não temos uma sitcom boa de verdade. Na verdade, acho que a gente nunca teve uma sitcom com qualidade igual nos EUA, tipo Friends, The Big Bang Theory, Seinfeld, How I Met Your Mother, etc... As daqui sempre foram muito escrachadas. Nós telespectadores realmente ganharíamos muito se as outras emissoras investissem mesmo em novelas e séries. Seria maravilhoso.

Sérgio Santos disse...

Verdade, Fabio.

Sérgio Santos disse...

Saudades de vc, Bia.

Sérgio Santos disse...

Pode ser, Matheus.

Sérgio Santos disse...

Amei tb, anonimo.

Sérgio Santos disse...

Ok, Eric.

Sérgio Santos disse...

Opção dele mesmo, Unknown. Ele não quer mais.

Sérgio Santos disse...

Ótimo o seu comentário, anonimo, e obrigado pelo elogio.

Sérgio Santos disse...

Eu tb não suportava a Bianca, Izabel.

Sérgio Santos disse...

Acho péssima essa novela, anonimo..E o único autor que escalava o Fulvio era o Walcyr..Ele reclamou do papel em Amor a Vida e depois nunca mais... Isso que dá falar demais...

Sérgio Santos disse...

Ja sim, Matheus. Gosto mt.

Sérgio Santos disse...

Pode deixar, Anonimo.

Sérgio Santos disse...

Vc tb, Adriana. bjsssss

Sérgio Santos disse...

Novelão, Outsiders.

Sérgio Santos disse...

Isso, Guilherme.

Sérgio Santos disse...

Entendo, anonimo!